domingo, 21 de setembro de 2008

Amar a Deus com liberdade

O livro de Jó parece se concentrar na questão do sofrimento. No fundo, um problema diferente está em jogo: a doutrina da liberdade humana. Jó teve de suportar um sofrimento imerecido a fim de demonstrar que o Senhor está, na verdade, interessado no amor demonstrado em liberdade.
A disputa travada entre Deus e Satanás não foi um exercício trivial. A acusação feita por Satanás de que Jó só amava o Senhor por que “puseste uma cerca em volta dele” é um ataque ao caráter divino. Implica que Deus não é digno de amor por si mesmo; as pessoas fiéis só o seguiriam mediante “suborno”. A reação de Jó depois que todos os sustentáculos da fé fossem removidos comprovaria ou descartaria o desafio de Satanás.
Para entender essa questão da liberdade humana, talvez o melhor seja imaginar um mundo em que todos obtêm aquilo que merecem. Esse mundo imaginário tem uma certa atração. Seria justo e consistente e todos saberiam com clareza o que Deus esperava. A justiça reinaria. Há, no entanto, um enorme problema com um mundo assim tão organizado: ele não tem nada a ver com o Deus pretende realizar na terra. Ele quer de nós o amor, amor ofertado em liberdade. E não ousemos subestimar a recompensa que Deus associa a esse amor. O Senhor lhe atribui tamanha importância que permite ao nosso planeta ser um câncer de maldade no seu universo – por algum tempo.
Se o mundo funcionasse de acordo com regras fixas, justas e perfeitas, não haveria liberdade real. Agiríamos certo por causa do nosso ganho imediato e motivações egoístas infestariam cada gesto de bondade. As virtudes cristãs descritas na Bíblia, pelo contrário, se desenvolvem quando escolhemos Deus e seu caminho apesar da tentação ou dos impulsos para fazer o contrário.
Na Bíblia inteira, uma analogia que ilustra o relacionamento entre o Senhor e seu povo salta aos olhos o tempo todo. Deus, o marido, é retratado tentando atrair a noiva para si mesmo. Ele quer seu amor. Se o mundo fosse construído de forma que cada pecado recebesse um castigo e cada boa ação, um prêmio, o paralelo não resistiria. A analogia mais próxima a esse relacionamento seria uma mulher mantida em cativeiro, mimada, subordinada e trancafiada em um quarto de forma que o amante pudesse estar seguro de sua fidelidade. Deus não “prende” seu povo. Ele nos ama, oferece-se para nós e espera ansioso por nossa livre reação.
O Senhor quer que optemos por amá-lo de livre e espontânea vontade, mesmo que essa opção envolva dor, por estarmos comprometidos com Ele, não com sensações e recompensas que nos façam sentir bem. Ele quer que permaneçamos fiéis a Ele, como fez Jó, inclusive quando tivermos todos os motivos do mundo para negá-lo com veemência. Jó se apegou à justiça de Deus no momento em que se tornou o melhor exemplo da história da aparente injustiça divina. Não procurou o Presenteador por causa do presente; pois quando todos os presentes foram removidos, ele ainda O buscava.

8 comentários:

José Rinaldo de Santana disse...

Graça e paz, Caro Irmão Junior,
maravilha de post. Satanás ver o sofrimento como uma grande oportunidade para derrubar a fé dos servos de Deus. Ele aceitou o desafio de tentar destruir a fé de Jó. Depois, ele foi tão ousado que desafiou o próprio Jesus, usando todas as tentações imagináveis para o vencer (Mateus 4:1-11). podemos ter certeza que o diabo está torcendo para que tropecemos e afastemos de Deus. (1Pedro 5.8), o apostolo nos orienta a ser sóbrios e vigilantes.

Dc. José Rinaldo de Santana

www.rinaldoeapalavra.blogspot.com

Martins - Cabeça de Crente disse...

Bom dia meu caro Júnior,
Essa acusação de satanás contra a vida de Jó pareceria muito coerente hoje se manifestada a respeito da vida de muitos adeptos da Teologia da Prosperidade, aqueles que como na música Vaidade (João Alexandre)estão "exigindo prosperidade por serem o filhos do Rei"

Espero sinceramente que estes irmãos não estejam querendo viver, por vaidade, um reino aqui na terra. E que a "teologia" que seguem não os impeça de passar por uma "prova de Jó".
Pois mesmo que toda "prosperidade" se vá, ainda teremos o mais importante: o amor do Pai para conosco.

Martins

Junior disse...

Amado José Rinaldo,

Assim como Satanás vê o sofrimento como estratégia para nos vencer, Deus usa os mesmos sofrimentos para nos aproximá-los dEle.
O sofrimento é uma grande dádiva divina para demonstrarmos nosso amor por Ele.

No amor dAquele que nos amou primeiro.

Junior disse...

Grande Martins,

Muito bem colocada as suas palavras.
Nesse contexto de prosperidade e outros modismos mais, dificilmente algum adepto desta famigerada teologia declararia: "temos recebido o bem de Deus, e não receberíamos também o mal?"

Abraços

Martins - Cabeça de Crente disse...

Completando seu comentário ao José Rinaldo:
O deserto é como uma escola para os crentes.
Ou como diria Sulvio Santos:
"Com crise se cresce". Ele não disse no mesmo contexto que aplicamos aqui, mas a frase se encaixa bem ao tema.

Junior disse...

Muito boa Martins!

Como diz nosso irmão Lázaro: "Se tú és crente então por que toda essa dor... por que o deserto é a escola do Senhor"

Paz!

Martins - Cabeça de Crente disse...

Júnior,
Foi exatamente essa música que inspirou meu comentário.

Junior disse...

Martins,

Então estamos na mesma sintonia...rsrsrs

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