segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O poder da Graça

E ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. 2 Coríntios 12.9

A palavra graça é abundante no NT, sobretudo, nas epístolas de Paulo. Porém, esse termo em nossa língua também é sinônimo de beleza ou elegância, de algum dito que provoca riso, nome de uma pessoa, agradecimento, simpatia ou afinidade espontânea por alguém etc. Apesar de tantos significados, o coração dessa palavra, sem dúvida aponta para o favor ou o dom gratuito da vida eterna concedido por Deus, mediante o sacrifício de Jesus Cristo, a todos aqueles que crêem no Evangelho. Por meio da dolorosa experiência de Paulo (“espinho na carne”), Deus nos ensina como encarnarmos a Sua vontade e enfrentarmos as lutas do cotidiano, ou seja, fortalecidos pela Sua graça.
A força que precisamos para servir a Deus emana da graça de Cristo.

I – “A minha graça te basta” – A graça é o coração e o motivo do Evangelho. A resposta que Cristo deu à oração de Paulo no revela que Sua graça nos é suficiente nos combates do dia-a-dia. Pela graça redentora de Cristo, conhecemos o amor do Pai e desfrutamos a comunhão do Espírito.
Precisamos discernir a graça de Deus de uma “pseudograça” existente no meio da cristandade. A graça barateada pelo homem possui dois extremos: 1) Os liberais que excluem toda responsabilidade do homem, alegando subjetivamente que “a carne é fraca”, e que Deus quer apenas o “espírito que é forte”, desprezando com isso o poder transformador e santificador do Evangelho. 2) Os legalistas, que abandonam a dádiva da graça, substituindo-a por todo tipo de esforço humano: costumes, jugo de proibições e o denominacionalismo exacerbado.
Não precisamos de mais nada para vencer o combate da fé. Somente quem reconhece a sua debilidade, busca o socorro de Deus, e é fortalecido. Paulo declarou que Deus escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte, afim de que ninguém se apoiasse em aparentes vantagens da carne para ser salvo, mas unicamente em Sua graça.

II – “O poder se aperfeiçoa na fraqueza” – Quando Jesus cita o termo fraqueza, Ele está se referindo às nossas limitações e dependência que temos um do outro, sobretudo de Deus. Quem julga ser auto-suficiente poderá ser quebrantado por meio de um “espinho na carne” qualquer, que Deus empregará para ensinar preciosas lições de humildade e de completa dependência Dele.
A resposta de Cristo diante da fraqueza de Paulo, nos revela o segredo de como podemos triunfar nas lutas e de como transbordar em realizações proveitosas no Seu Reino. O poder da graça se revela, sobretudo, na purificação dos nossos pecados e em tornar apropriado para o ministério ou serviço do Senhor.
Nossa fraqueza se torna evidente diante dos espinhos de todo tipo que nos sobrevêm na caminhada cristã. O termo “fraqueza”, do grego “asthenéia”, aponta para a fraqueza de modo geral, debilidade física ou orgânica, como também para timidez. Em outras palavras, nossas fraquezas colocam em destaque nossa incapacidade de enfrentar certas situações e dá ocasião para o agir de Deus.

III – Precisamos do poder de Cristo para viver a Palavra de Deus.
Quanto mais percebemos as nossas limitações, tanto mais precisamos nos encher do Espírito Santo, pois Ele é o detentor e o comunicador do poder de Jesus à Igreja. E esse maravilhoso poder nos é conferido, pela graça de Deus, mediante uma busca sincera.
Podemos ter o desejo de viver segundo a vontade de Deus, porém, a capacidade para tal provêm de Cristo. Por essa razão, Paulo declara que nas suas debilidades há ocasião para que sobre ele repouse o poder de Cristo. O termo “repouse” vem do grego “episkênose”, que significa habitar, residir, morar, e é possível que o apóstolo esteja fazendo uma referência ao Tabernáculo do deserto, onde se manifestava a shekinah de Deus. O poder de Deus faz a Sua morada em nossos corações na pessoa do Espírito Santo.
Sendo fracos ou nos esvaziando de qualquer pretensa força humana, o poder de Deus nos leva a testemunhar com ousadia de um Jesus Cristo vivo, atuante, como faziam os apóstolos no início da Igreja. Além disso, o poder de Deus nos ajuda a perseverar na graça ou no Evangelho sem desviar ou decair da fé.
Pelo poder da graça nós servimos a Deus alegremente, com gratidão e sempre de modo agradável, com reverência e santo temor. Ela também nos motiva e capacita a cumprirmos nossa missão de adoradores e disseminadores das boas novas ao mundo perdido. A bem da verdade, dependemos da graça para tudo e em todo tempo.

Curiosamente, as últimas palavras da Bíblia são: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Ap 22.21). Estas palavras encerram o desejo de Deus de salvar o pecador, ao mesmo tempo em que apresenta a maneira dos salvos se fortalecerem e santificarem suas vidas durante o tempo da peregrinação.

2 comentários:

Formiga disse...

A Paz do Senhor Querido,

Bela reflexão! A graça do nosso Senhor nos ajuda a reconhecer que sem Ele nada podemos fazer! E que por mais que estudemos e debatemos sobre as questões do Reino, sempre atingiremos o mesmos pontos. Soberania e a Graça de Deus!

Fique na Paz!

Junior disse...

Grande Leandro!!

Feliz por vê-lo por aqui.
Tem razão sobre estes pontos basilares da fé cristã. Em brve postarei algo sobre a soberania divina.

Abraços e volte mais vezes.
Junior

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