sábado, 8 de novembro de 2008

O Cristão e o Código de Barras


O Código de Barras, que muitos cristãos consideram o sinal da besta, por enquanto é apenas um extraordinário sistema de catalogação. Ao passar no caixa do supermercado, por exemplo, a máquina leitora identifica o produto, dá baixa no estoque, registra o preço e facilita a vida de todos, a começar daqueles que estão na fila.
No entanto, como toda máquina, a leitora de Códigos de Barras, a tal pistola, tem inteligência limitada na sua programação. Se alguém substituir o selo do Código de Barras de uma caixa de cereais pelo selo de um produto mais barato, como farinha, a máquina faz a leitura como se o produto fosse, de fato, um saco de farinha. A máquina leitora não faz a comparação entre o selo do Código de Barras e o produto. E, nesse caso, uma caixa de cereais sai do supermercado disfarçada de saco de farinha.
Se entendo bem o Evangelho, a máquina leitora do Código de Barras que existe no portão do céu é muito mais inteligente do que a que existe no caixa do supermercado. A pistola do céu é capaz de compatibilizar o selo com o produto e verificar a coerência entre a identificação visível e o produto em si.
Samuel, o profeta, foi instruído quanto aos critérios de julgamento divino. Aprendeu que Deus não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, mas Deus vê o coração. Em outras palavras, o homem vê o Código de Barras, mas Deus enxergar o que tem dentro da caixa.
Por esta razão, Jesus disse que “nem todo o que me diz : Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que estás nos céus”. Coreografia, declarações verbais e placas sinalizadoras podem impressionar as massas, mas não têm nenhum valor aos olhos de Deus. O Evangelho implica transformação de dentro para fora. Tornar-se cristão não é apenas uma questão de confissão de fé ou de passar a acreditar em algumas coisas, mas de relacionamento dinâmico e conseqüente com Deus, por intermédio de Jesus, sob a ação constante do Espírito Santo.
Sou cristão por que nasci de novo e, em Cristo, sou nova criatura, nova pessoa. Hoje experimento o processo através do qual o Espírito Santo de Deus vai me transformando de glória em glória, até que a imagem de Cristo seja formada em mim.
Que ninguém se iluda. A corrida aos templos em busca de socorro circunstancial não quer dizer absolutamente nada em termos de multiplicação de cristãos. Nem mesmo os favores eventualmente recebidos são evidência de conversões genuínas. Afinal, Deus faz o sol nascer sobre maus e bons, faz chover sobre justos e injustos, e entre dez leprosos curados pelo favor de Deus, apenas um experimentou salvação em resposta a sua fé.
A salvação em Cristo não implica apenas novo status de relacionamento diante de Deus – do tipo filho em vez de criatura, ou justificado em vez de injusto. A salvação em Cristo implica necessariamente nova vida a partir deste novo relacionamento. Cristo não veio para que tivéssemos nova verdade ou novas bênçãos. Ele veio para que tivéssemos vida. Conhecimento da verdade e bênçãos são a moldura em que o relacionamento com Deus acontece, mas esse relacionamento é na essência a participação da vida de Deus fazendo-nos pessoas absolutamente distintas daquelas que éramos antes da fé em Cristo.
Há, portanto, pelo menos dois evangelhos na praça. O primeiro convoca pessoas para que supliquem o favor divino e vejam sua vida mudar de fora para dentro, sendo que, na maioria das vezes, as coisas mudam apenas do lado de fora – e quando mudam de fato. Este promete mundos e fundos para quem não é bobo, está sofrendo ou deseja viver mais confortavelmente. O outro evangelho é aquele que convoca pessoas ao arrependimento e à fé, que resultam em transformação de dentro para fora. Este é o caminho estreito, apelo para que se tome a cruz. O primeiro é caminho que ao homem parece direito, mas ao fim se mostrará caminho de morte. O segundo é caminho de cruz, que convive com glória prometida a todos aqueles que perderam sua vida por amor de Jesus.
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Referência Bibliográfica:
KIVITZ, Ed René. Outra Espiritualidade: fé, graça e resitência. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2006.


2 comentários:

Eliseu Antonio Gomes disse...

Parabéns pela seleção do artigo.

É muito bom este texto de Ed René, nos mostra que a religiosidade, às vezes, é só a etiqueta de barras e que para haver intimidade com Deus é necessário possuir qualidade espiritual dentro da embalagem.

Abraço.

Eliseu Antonio Gomes
http://belverede.blogspot.com

Junior disse...

Paz Eliseu!

E como temos em nossas igrejas hodiernas farinha com código de caixa de cereal.
Lamentável nossos tempos.

Em Cristo,
Junior

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