sábado, 11 de abril de 2009

Deus


Creio em Deus e em sua onipotência; creio em sua soberania e onisciência. Embora a revelação das Escrituras sobre Deus não seja exaustiva, considero-a verdadeira e suficiente. Acredito que Deus guia e controla a história de acordo com o seu propósito. Não isolo ou exalto nenhum atributo de Deus acima de outros. Entretanto, acredito que Ele criou mulheres e homens com a nobre virtude da liberdade. Aceito que Deus considera as ações humanas e as respeita. Não concordo com a teologia da “apatia” divina. Não aceito o determinismo dogmático da teologia.

Aceito o relato bíblico de que Deus, soberanamente, criou o mundo onde pessoas são livres para rejeitar seu conselho e vontade. Para mim é um acinte a religião considerar que Deus, em tempos imemoriais, criou algumas pessoas com o propósito de torná-las cidadãs do céu e outras só para jogá-las no inferno. Assim, não creio na predestinação, nem no sacrifício parcial (Cristo teria morrido apenas pelos eleitos) de Cristo na cruz, nem posso aceitar que a história, com todas as suas idiossincrasias, tenha sido, nos mínimos detalhes, escrita e determinada pelo Senhor.

Para mim, repensar conceitos teológicos da Idade Média sobre onisciência não anula a onisciência divina; re-qualificar o que se entendeu por soberania numa época em reis eram déspotas não anula a soberania bíblica; falar de percepções do tempo e do espaço de quando se aprendeu física quântica não invalida o que a Bíblia ensina sobre aleatoriedade e contingência.

Extraído do livro "Eu creio, mas tenho dúvidas".
Ricardo Gondim

Um comentário:

Clóvis disse...

Junior,

Infelizmente o Ricardo Gondim pulou o corguinho da ortodoxia. Não estou dizendo que ele é arminiano, pois estes se mantém dentro do consenso cristão histórico. Estou dizendo que onde os arminianos fizeram a curva, ele tocou direto, saindo da estrada. A sua teologia nada mais é do que o embolorado socianismo com ares de modernidade.

Quando ele diz que não cre na predestinação, deixa aberta a questão do que fazer com as passagens bíblicas que dizem, literalmente, que Deus predestinou. Mas nem é aqui que reside o maior problema das dúvidas do Gondim.

O real problema está na sua redefinição da doutrina da onisciência divina. Quando se ensina que Deus não determina o futuro, isso pode até ser discutido dentro dos muros do cristianismo verdadeiro. Mas quando se diz que Deus não conhece o futuro, então saímos da trilha da fé bíblica para se embrenhar no matagal da heresia.

Nada contra ter dúvidas, eu as tenho de sobra. O problema é crer no que é antibíblico. Sobre a onisciência divina, eu escrevi:

"...causa-me estranheza que alguém avente a possibilidade de Deus não conhecer o futuro de forma exaustiva. A Bíblia é inquestionável ao afirmar a onisciência de Deus, e antes dos neoteístas ninguém que merecia ser levado a sério tinha ousado limitar o conhecimento divino de todas as coisas reais e possíveis (os socinianos e testemunhas de jeová não contam como sérios)." ()

Em Cristo,

Clóvis

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