sábado, 27 de agosto de 2011

Às vezes

Às vezes, tenho vontade de gritar para o mundo ouvir que Jesus Cristo é o Senhor. Mas, logo vêm os desbravadores do evangelho-fácil e roubam de mim o fervor.

Às vezes, me surgem alguns pensamentos triunfalistas de que “se Jesus venceu, eu também vencerei”. Porém, logo me vem à mente que Jesus não tinha nem onde reclinar a cabeça – pobre, manso e humilde. Me envergonho.

Às vezes, me angustio com a situação e comportamento da igreja evangélica brasileira. Todavia, alguns bons amigos me fizeram lembrar que Jesus buscará uma Igreja dentro da igreja – como diz a brilhante parábola da colheita (Mt 13.24-30).

Às vezes, perco o sono com meus conflitos interiores, vendo-me impotente para mudar o rumo da igreja. Portanto, me recordo da ilustração do beija-flor, que no afã de apagar o grande incêndio da floresta, jogava água no fogo com seu pequeno bico, como em conta-gotas.
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Às vezes, sou chamado de pessimista. Logo, quando sou confrontado com as páginas sagradas, vejo que a tendência é só piorar.

Às vezes, sou tentado a acreditar nos profetas modernos que jogam bênçãos avanço ao povo. Entretanto, olho para os profetas veterotestamentário e vejo quão distante estão os seus respectivos ministérios.

Às vezes, me comparo com àqueles discípulos a caminho de Emaús, onde não conseguiam enxergar o Mestre devido às circunstâncias desfavoráveis que os judeus passavam. Contudo, será que sou eu que não contemplo Jesus, ou Jesus não está sendo encontrado em alguns de nossos templos suntuosos?
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Às vezes, olhando para os relatos da Reforma Protestante, penso que poderíamos passar por algo semelhante em nossas igrejas. Porém, devido aos tempos pós-modernos, seria algo humanamente impossível – os “Luteros” estão se corrompendo.

Às vezes, faço minhas orações acreditando que todas elas serão atendidas por Deus. Logo, lembro-me de umas das cartas paulinas endereçadas aos irmãos de Filipos (Fp 4.6,7), onde Ele não promete realizar meus desejos e caprichos, mas sim, a paz em nossos corações.
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Às vezes, sinto vontade de vociferar contra as mazelas da liderança eclesiástica. Mas, logo atento para dentro de mim, e contemplo o homem corrupto que habita em mim, com igual ou maior número de mazelas do que os líderes religiosos.

Às vezes, olho para o caos que se encontra nosso sistema religioso, tentando entender “por que isso Senhor?!”, e ouço Deus responder em meu coração: “Eu sou Soberano sobre todas as coisas filho, tudo está patente aos meus olhos, faça a sua parte”. Então, quase sempre saio constrangido, entendendo que a boa mão de Deus, há de nos mostrar a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve (Ml 3.18).

sábado, 6 de agosto de 2011

Oh! Inaudita Graça

Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras. Tito 2.11-14


Desde a antiguidade, a vontade de Deus era separar um povo para si. Israel rejeitou esse convite e então a igreja de Cristo assumiu o papel de povo eleito e nação santa. Ao enviar Seu Filho Jesus, Deus manifestou ao mundo o único caminho pelo qual o homem chegaria à salvação. Através desta tão grande graça, os homens deixariam de viver uma vida insana e pecaminosa e abraçaria a fé no Filho de Deus para redenção de seus pecados. Que promessa maravilhosa!

Devemos deixar para trás toda vida de impiedade e concupiscência, aguardando o grande retorno triunfal de Jesus Cristo nas nuvens. Essa é nossa maior esperança. Num piscar de olhos, quando menos esperarmos, chegará o dia de nossa redenção. O dia que o justo juiz julgará o mundo com suas más obras e resgatará para si um povo santo e imaculado. Graças ao sacrifício de Jesus na cruz, hoje podemos entrar na presença de Deus com ousadia. Nossos pecados foram perdoados e toda iniquidade foi dissipada de nossas vidas. Somos uma geração eleita para anunciar e proclamar as maravilhas da salvação, praticando sempre as boas obras que nos darão galardões da eternidade.

Por isso, estejamos prontos para o dia que a trombeta tocar e num abrir e fechar de olhos não estaremos mais com esses corpos corruptíveis, e sim, habitando em corpos incorruptíveis, adorando o Senhor na glória, tributando a Ele toda majestade e domínio pelo século dos séculos. Portanto, permaneçamos firmes, por que esse lindo dia chegará, e nenhuma das promessas que o Senhor decretou a nosso respeito cairá por terra. Tomemos posse! Pois a vitória é nossa pelo sangue de Jesus!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Viva o Evangelho



“Porque o nosso evangelho não chegou até vós tão-somente em palavra, mas, sobretudo, em poder, no Espírito Santo e em plena convicção, assim como sabeis ter sido o nosso procedimento entre vós e por amor de vós”. 1 Tessalonicenses 1.5

A vida terrena de Jesus foi marcada por muitos discursos e ensinamentos importantes. Porém, Jesus prometeu que o Consolador viria em seu lugar para nos mostrar coisas mais excelentes. Paulo destaca aos irmãos de Tessalônica que as boas novas de salvação não tinham chegado até eles somente com palavras bonitas tentando persuadi-los, mas Paulo também exerceu um ministério de muitos sinais, prodígios e maravilhas, para que eles pudessem ver que as promessas de Jesus, onde disse que faríamos coisas maiores do que Ele estava se cumprindo na vida de Paulo.

Todos nós temos o acesso ao poder de Deus para testemunhar o Evangelho com ousadia e operando sinais entre os ímpios para que a pregação do Evangelho não seja apenas por palavras, mas com poder e fé. Por isso, precisamos tomar posse destas lindas promessas que estão à nossa disposição. Vivamos uma vida de bom procedimento cristão, testemunhando as maravilhas que Cristo operou em nossa vida, pois, agindo desta forma, a autoridade de Deus para operar milagres estará sobre nós e o mundo verá que Jesus Cristo é o Senhor da Terra.

Não nos cansemos de anunciar a sã doutrina de Deus através de nosso testemunho e proceder, pois, testemunhando o amor de Deus para o pecador, estaremos demonstrando que Deus também o ama. Portanto, cuidemos para que nossas palavras não sejam conversas vazias e sem edificação, mas de poder e autoridade do Espírito Santo, pois, somente Ele tem a autonomia de convencer o pecador e fazer a obra regeneradora de redenção. Logo, devemos ser pregadores do poder de Deus, por que agindo assim, ao abrir nossa boca, nossas palavras serão as palavras de Deus.

sábado, 28 de maio de 2011

Entrevista com Rafael Hiran

Em uma entrevista bastante edificante, o jovem pastor Rafael Hiran vem ao Reflexões do Reino para nos fazer refletir sobre os principais desafios da igreja moderna. Depois de aproximadamente 3 meses de espera...felizmente a entrevista. Curtam, reflitam e comentem.



Reflexões do Reino: Quem é Rafael Hiran?

Rafael Hiran: Um Carioca nascido em 18/02/1977, casado com a Goiana, Lorena Cavalcante de Oliveira Morett.
Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB). Formado em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também fez sua Licenciatura na mesma área.
Trabalhou na Pesquisa Nacional da Reforma Agrária na Educação, através da FIPE, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, durante os anos de 2004 e 2005.

Durante o ano de 2010 foi Monitor da matéria de Didática Especial das Ciências Sociais II na Faculdade de Educação da UFRJ.
Trabalhou como professor no Seminário Teológico Shalom (STS) durante 7 anos, lecionando as matérias de Antropologia, Sociologia, Teologia Contemporânea e Novo Testamento I e II.
Foi Pastor auxiliar na Igreja Batista Central em Niterói (IBCN), durante 6 anos. Encerrou suas atividades como Pastor em Abril deste ano, para um “período Sabático”.
Atualmente mora em Brasília-DF, onde desfruta do seu período Sabático e prossegue com seus estudos acadêmicos, fazendo Pós-graduação em Segurança Pública pela UDF.

Reflexões do Reino: Em sua opinião, qual o maior desafio da liderança da igreja para este século XXI?

Rafael Hiran: O saudoso Pastor presbiteriano Richard Halverson, que além de atuar na Igreja, trabalhou durante 14 anos como capelão do Senado dos Estados Unidos, certa feita disse:
"No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se numa filosofia. Depois, chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura. E, finalmente, chegou à América e tornou-se um negócio".
Creio que o maior desafio é voltar a ser um grupo de homens e mulheres centradas no Cristo Vivo.

Reflexões do Reino: Você teme que daqui há algumas décadas a igreja institucional seja irrelevante para a sociedade e até mesmo deixe de ser freqüentada?

Rafael Hiran: Em algumas Sociedades isso já é um fato social. Já é possível encontrarmos nas prateleiras, livros, como por exemplo, “Gente cansada de Igreja”. Não tenho medo disso, analiso o fato com um olhar sociológico, o que me ajuda a entendê-lo como conseqüência de alguns atos insanos de pregadores mercenários, que insiste em colocar preço no que é inegociável.
Para esclarecer, compartilho um pouco do que tenho vivido aqui no Cerrado (Brasília-DF). Estou afastado de minhas atividades pastorais por um tempo, o que chamo de período sabático, mas não afastado de Deus, das pessoas ou dos amigos; O objetivo é fazer uma “auto-reciclagem”, dedicando mais tempo para eu mesmo, para a minha esposa e para os amigos mais chegados. Pois bem, neste curto tempo em que estou aqui, os “mais chegados” sem vínculos com igreja, expressaram o desejo de comunhão, de conhecer mais da Palavra de Deus e de estreitar os laços com Ele.
Toda e qualquer Igreja deveria ser capaz de proporcionar isso a qualquer indivíduo, porém, não é o que acontece. O que me alegra é ver Igrejas relevantes, servindo às suas comunidades com total eficácia.

Reflexões do Reino: Como a Antropologia e a Sociologia lhe ajudam no convívio da igreja e na comunhão com Deus?

Rafael Hiran: Permitam-me antes, contar como a Teologia me ajudou na formação em Ciências Sociais.
Estava no primeiro ano do curso, na UFRJ, no final de uma aula de Sociologia brasileira, o professor pediu a resenha de um livro para a semana seguinte, a turma entrou em desespero, todos eram novatos, muitos não faziam idéia de como escrever uma resenha, lembro de ter ficado sentado, assistindo o alvoroço e agradecendo a Deus por ter passado pelo Seminário antes, pois, escrever resenhas era uma constante lá.
Nas Ciências Sociais estão compreendidas a Antropologia, Sociologia e a Ciência Política, as quais me ajudaram sim não só no convívio com a Igreja e com Deus, como também a desenvolver uma percepção crítica do mundo a minha volta, ou seja, não aceito qualquer palha dourada. Como Pastor, minha formação contribuiu para compor mensagens cada vez mais contextualizadas e relevantes para a vida dos que me cercam.



Reflexões do Reino: No meio da literatura, seja ela protestante, sociológica, antropológica ou até mesmo a brasileira, existe algum autor que lhe influencia? Fale um pouco de suas principais obras.

Rafael Hiran: A resposta para essa pergunta seria longa se eu a escrevesse por completo, porém para evitar o enfado e a canseira nos leitores, vou citar apenas alguns.
A Bíblia em primeiro lugar, pois ela é o “fiel da balança” de tudo o que leio, por conta de sua beleza e Graça.
Todos os clássicos de todas as áreas devem ser lidos. Existem também coleções que são indispensáveis à leitura, como por exemplo, “Os Pensadores”, que reúne as principais obras dos clássicos das mais diversas áreas.
Para se entender a sociedade pós-moderna através de uma perspectiva sociológica, é preciso ler Zygmun Bauman, que possui mais de 20 livros publicados e que cunhou o termo, “pós-modernidade líquida”.
Ainda na Sociologia, existem alguns autores que aprecio, como, Max Weber, com sua obra: “A ética protestante e o Espírito do Capitalismo.”
Para os iniciantes e os que desejam saber sobre Antropologia, Roque Laraia e seu livro, “Cultura” é uma excelente opção.
Para os que desejam um estudo aprofundado sobre o Evangelho de João: “A Comunidade do discípulo amado.”. Conheci este livro através do meu querido professor Luiz Roberto, de Novo Testamento e eu o usei durante as aulas que ministrei de NT no Shalom.
Para uma introdução ao Novo Testamento, sempre usei o do Broadus.
Não podemos deixar de lado os periódicos, tais como: Carta Capital, Folha de São Paulo (principalmente a coluna dos colaboradores de Domingos, como Frei Beto e Gilberto Dimenstein), Lê Monde Diplomatique (Uma revista em forma de tablóide), Caros Amigos.
Para aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre Filosofia com um toque de brasilidade, uma excelente autora é a Filosofa da USP, Marilena Chauí.
“Icabode” de Rubem Amorese é também uma leitura indispensável para os dias de hoje.
A poesia também ajuda a adoçar a vida e a alegrar a alma, por isso é importante ler e ouvir as melodias dos poetas, não só os mais celebrados, mas também os menos conhecidos. Alguns preferidos, Pablo Neruda, Paulinho Pedra Azul, Fabrício Carpinejar, Mario Quintana, Clarisse Lispector, Zélia Gattai e alguns outros...

Vamos ao ping-pong:
Reflexões do Reino: Rafael Hiran...

Rafael Hiran: “Copeiro do Rei”

RR: Jesus Cristo

RH: Amigo melhor.

RR: Igreja

RH: koinonia, martyria e Kerygma.

RR: Esposa

RH: Companheira, cúmplice!

RR: Família

RH: Importantíssima.

RR: Amor

RH: Essência da Vida.

RR: Arrebatamento

RH: Acontece...

Reflexões do Reino: Gostaria de agradecer sua presença aqui no RR e dizer que foi um prazer bater um papo com o jovem pastor. Deixe um recado para os nossos leitores.

Rafael Hiran: Comam, bebam e folguem, porém não se esqueçam do teu Criador.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Carta de Despedida à IBCN

Abaixo, segue a carta do Pr. Rafael Hiran escrita em caráter de despedida em função de sua mudança para Brasília. Em breve, aqui, uma entrevista edificante que ele nos concedeu sobre os desafios da igreja contemporânea.

"IBCN 13/02/2011

Oração de gratidão a Deus pela Igreja Batista Central em Niterói.

Entendi que o melhor recurso a ser usado hoje seria o registro de meus sentimentos traduzidos em palavras, pois temo ser traído pela emoção, devido ao amor que sinto por todos vocês, Igreja Batista Central em Niterói.

O que segue a baixo é um Diálogo com Jesus, onde relembro alguns dos muitos bons momentos vividos aqui na IBCN, que agora rememorados, logo enchem o meu coração de gratidão a Deus pela vida de cada um.

Jesus, já faz mais de cinco anos que estou na IBCN! Outro dia me peguei lembrando de como vim parar aqui. Não havia nenhum convite formal para pastorear, pelo contrário, resolvi atravessar a “poça d`água” , digo, a Ponte Rio - Niterói, justamente por entender que o convite para ser pastor auxiliar na Igreja Batista da Esperança não era o que eu almejava, pelo menos naquele momento, pois pastorear uma igreja na qual eu cresci, onde boa parte era de pessoas conhecidas, não representava nenhum desafio, e isso era o que eu mais queria, alçar vôo, estar com pessoas novas, me deixar conhecer e também conhecer ao próximo, novos ambientes, novas realidades, novos desafios. Recordo que quando aqui cheguei, carinhosamente fui recebido por Sandra Helena, Tadeu e seus rebentos, meus padrinhos de casamento, que logo me tratavam pela alcunha de “Barbudo mal encarado” , devido aos trajes alternativos, a barba imensa e por sentar no último banco do templo, segundo eles, sempre sisudo.

Com o passar do tempo, outros se aproximaram e tornaram-se muito amigos, especialmente os adolescentes, fui conquistado por eles e acho que também conquistei a confiança deles. Nos últimos meses tenho revisto as fotos da IBCN e uma dose cavalar de saudosismo me acertou em cheio, ao relembrar nossos encontros para estudo bíblico, nossas programações extra culto, nossas viagens para Rio das Ostras e as conversas particulares, onde as crises eram compartilhadas; foi quando me dei conta de que todos cresceram, não só fisicamente, mas também espiritualmente. Pai obrigado por me deixar fazer parte da vida desses seus filhos tão amados! Continue a estender a tua boa mão sobre cada um deles.

Não tem muito tempo, Jesus, que eu durante um sermão afirmei: “A IBCN é uma igreja saudável!". Ainda que o Senhor não manifeste o teu poder sobre os enfermos, eu continuo enxergando essa tua igreja dessa forma, pois creio que “o Teu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Eu que o diga! Ah se não fosse o Senhor sustentando a minha vida, renovando a Tua graça sobre mim, eu até aqui não teria chegado.

Sabe Mestre, aprendi através da tua Palavra que uma igreja saudável não é simplesmente aquela em que o Senhor derrama a sua cura, seu poder ou manifesta a sua Glória, mas sim, aquela em que é possível ver literalmente o Senhor glorificado através de gestos simples do dia a dia, eu vejo isso na IBCN. Houve um tempo na História da tua igreja, o período de perseguição, em que a fé do seu povo era medida pela capacidade de morrer, hoje, acredito eu que a nossa fé é mensurada pela capacidade de vivermos para o Senhor.

Pai, eu te agradeço por me permitir estar nesta Igreja quando o Senhor falou claramente que o teu propósito era fazer missões o ano inteiro e eles te atenderam prontamente, fazendo missões urbanas, apoiando financeiramente e cobrindo com orações o projeto missionário Esperança na Praça Cruz Vermelha, como também a jovem igreja em Copacabana, pastoreada pelo Remi; a Igreja na Praia Vermelha e o Pastor João, que este seu povo aprendeu a amar e a servir; a dedicação e o desprendimento com que servem também ao Lar Amar, suas crianças e também funcionários. Como foram boas as nossas idas a Santa Cruz da Serra! As inúmeras vezes que este púlpito foi cedido a missionários Nacionais e Mundiais, a fim de apresentarem seu chamado e o convite para a igreja participar ativamente. Além desses episódios missionários, que caracterizam o desejo desta igreja de te servir, testemunhei o teu mover entre os de casa, quando fizeram valer a tua Palavra revelada na carta aos Gálatas, que diz:

“E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”.

Esta sua igreja, Senhor, não se cansa de fazer o bem, pois deu uma casa de presente, resgatando a dignidade de uma serva tua, assim como também exerceu misericórdia, perdão e amor com aqueles que vacilaram durante a caminhada.

É Senhor, enquanto aqui estive, casei com Lorena, minha Flor do Cerrado, ou como bem falou o Pastor Valdemar durante a celebração da cerimônia, que Lorena era como a Raquel do Antigo Testamento, acolhedora. Ela realmente tem me acolhido! Bem como eu e ela fomos acolhidos por Rosa e Almir, nossos padrinhos de casamento.

Jesus, muitas outras histórias eu relembrei com alegria no coração e poderiam ser perfeitamente escritas aqui e compartilhadas com o teu povo, porém, quero me concentrar no que venho vivendo nos últimos meses.

Sabe Senhor, se eu pudesse resumir os últimos fatos em uma única palavra, eu escolheria TURBULÊNCIA! Aquele momento em que o avião enfrenta mudanças bruscas na velocidade do vento, fazendo entrar em ação a flexibilidade das asas e exigindo dos passageiros nervos de aço para suportar os solavancos. Falando nisso, Deus guarda a Lorena hoje a tarde durante o vôo de Brasília pra cá, que ela não passe por nenhuma turbulência, pois ainda estamos nos recuperando das últimas, peço que ela possa chegar bem e estar aqui com a gente logo mais a noite no culto.
Mestre permita-me nomear algumas das turbulências que nos abateram recentemente. A dificuldade de adaptação da Lorena à Cidade Maravilhosa, agravada por sérias questões de trabalho, relações interpessoais bem difíceis e péssima administração nos hospitais que desencadearam num total desrespeito, materializado no atraso do baixo salário por mais de cinco meses.

Quando essas e outras turbulências no ambiente de trabalho da Lorena nos abatiam, encontrávamos forças no Senhor, através da oração e da leitura da tua Palavra. Lembro bem o dia em que Lorena chegou em casa depois de um turbulento plantão e chorando falou que queria mudar de profissão, que estava no limite e que não suportava mais tanto descaso das autoridades públicas de saúde. Com ela ainda chorando em meus braços, o Senhor foi me dando forças para suportar a pressão e palavras sábias para confortá-la e convence-la a não desistir da vocação, do dom que o Senhor a deu, que é salvar vidas pequeninas, frágeis, recém chegadas ao mundo. Eu creio que isso verdadeiramente é um talento dado pelo Senhor e não pode ser enterrado! Obrigado Pai, porque o Senhor nos deu livramento!

Depois de muito orarmos e buscarmos a tua direção. O Senhor agiu de forma inovadora, criativa e surpreendente. Eu te louvo por isso!
Sempre que a turbulência se apresentava, Lorena buscava conversar com suas amigas contemporâneas da Faculdade, especialmente uma que está em Brasília e que o Senhor a usou para nos abençoar.

Tudo começou em caráter experimental, eu dizia para a Lorena que era preciso primeiro conhecer a realidade, para depois, decidirmos. A proposta era continuarmos no Rio de Janeiro. Assim começou a nova jornada de trabalho dela, trabalhando uma vez por semana em Brasília e me incentivando a estudar para mais uma prova de mestrado aqui, já que eu não havia passado em nenhuma das anteriores e também em nenhum concurso aqui, enquanto que nas duas provas de concursos que fiz em Brasília, passei, mesmo não sendo chamado, comecei a meditar sobre esses fatos e a orar em relação a minha vida, pedindo direção. Eu te agradeço, pois o Senhor não me deixou a deriva, mas como já disse, agiu de forma criativa, dando-me direção, fazendo questionar os desejos do meu coração, pois, “ enganoso é o coração do homem, a resposta certa vem do Senhor ” , lembro das vezes que sentei para ler os textos para a prova do mestrado e percebi que não estava em paz, era como se estivesse forçando a “ barra ” em algo que não era para ser feito, ou melhor, que era tempo de deixar o Senhor falar ao meu coração, através do profeta Isaías:

"Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos”.

Senhor, eu amo a tua Palavra! A tua palavra me livra de tropeçar! Pode entrar, meu coração está aberto! Tua palavra é Jesus!

Confesso que tomar essa decisão de ir embora para Brasília não foi fácil, pois sair da zona de conforto é um processo doloroso, deixar familiares, amigos, alunos, praia, cachoeira...

Reconheço que o desenraizamento mais difícil é este de deixar o púlpito da IBCN, o ministério pastoral no qual o Senhor me lapidou. Deixo-o com o sentimento de dever cumprido e não porque tenho outra proposta ou convite ministerial. Na verdade Senhor, não estou preocupado com isso, nem quero estar e não pretendo me apresentar a Convenção Batista do Distrito Federal pleiteando uma igreja para pastorear. Estou preocupado em não perder a cadência da caminhada contigo e isso independe de estar pregando num púlpito, contudo me torna cada vez mais dependente da ação do teu Santo Espírito.

Obrigado Jesus por me encorajar a dar esse salto no escuro, como bem definiu Kierkegaard à respeito da fé.

O que eu mais quero é continuar vivendo pela fé! Pensando nisso, lembrei de um louvor que traduz muito bem meus sentimentos.

"Não tenhas sobre ti Um só cuidado Qualquer que seja, Pois um, somente um Seria muito para ti. É meu somente meu Todo trabalho, E o teu trabalho É descansar em mim. Não temas quando enfim Tiveres que tomar decisão, Entrega tudo a Mim Confia de todo coração".

Em nome de Jesus, Amém!"
Pr. Rafael Hiran ... <><

sábado, 14 de maio de 2011

Algumas "certezas duvidosas"



Estou convencido que o movimento evangélico brasileiro vive uma crise ética desmedida – os discursos destoam na prática. Urge que a nova safra de líderes atentem para a formação de seus carateres; o nome de Jesus tem sido difamado, e a culpa é exclusivamente nossa.

Estou convencido que quando Jesus falou de igreja nos relatos neotestamentários, se referia a pessoas e não instituições, porém, com o advento da pós-modernidade seria quase impossível a não-institucionalização da igreja – pena que junto com a institucionalização veio enraizada a prática do nepotismo.

Estou convencido que o discipulado deve ser encarado como a fase mais importante da vida cristã, mas muitos insistem que as experiências extravagantes já nos bastam para sermos líderes, pastores e apóstolos, mesmo sendo ainda neófitos na seara de Deus.

Estou convencido que a mídia evangélica brasileira tem realizado um grande trabalho de evangelização nacional e até mesmo mundial, porém, junto com a propagação do nome de Jesus é acrescido uma gama de ensinamentos recheados de heresias, que se propagam junto com um amontoado de jargões, que no final das contas, Jesus não é mais encontrado no meio de nós. Fica uma pergunta: Será que essas “conversões” em massa têm sido relevantes para uma sociedade melhor?

Estou convencido de que a lei nos serviu como aio, ou seja, nos pegou pela mão, mostrou nossos erros e nos conduziu a Cristo, entretanto, muitos ainda insistem em cumprir ordenanças da lei como mandamentos imprescindíveis para salvação. Pobre de mim...

Estou convencido que uma vida de contemplação e meditação como forma de comunhão com Deus tem me transformado em uma pessoa melhor, porém, segundo um tele-evangelista que diz que “quem não faz barulho está com defeito de fabricação” a forma de se chegar mais próximo de Deus é em meio aos berros e a glossolalia. Infelizmente, existiu um tempo que dava crédito ao tele-pregador, entretanto, me via cada vez mais alienado em dialogar com o mundo – hoje meu testemunho é muito mais visível aos de fora dos arraiais evangélicos e apesar de ser pentecostal e receber de Deus o dom de variedades de línguas, utilizo-me deles para edificação pessoal e da comunidade cristã a qual faço parte.

Estou convencido que a diabólica teologia da prosperidade tem devastado muitas igrejas, inclusive as tradicionais. Tais adeptos têm transformado a igreja em empresas, onde impera o nepotismo e o narcisismo, e por sua vez, o Reino de Deus é lançado na sarjeta por não ser fonte de lucro para os mercadejantes da fé.

Estou convencido que a Graça de Deus contrapõe toda e qualquer religião, mas muitos persistem em esmerar esforços para entrar no Seio de Abraão; estipulam regras e condições desmerecendo todo arcabouço da graça que as Escrituras conceitua de favor imerecido.

Estou convencido que Jesus Cristo é Deus que se fez homem em prol da humanidade caída, porém, os “avivalistas” perseveram em afirmar que Jesus é fonte de bênçãos e vitórias.

Estou convencido que as Escrituras possuem tudo que o homem precisa para suas necessidades espirituais, entretanto, existe uma série de hereges que teimam em propagar novas revelações e experiências mirabolantes que com o passar do tempo se tornam doutrinas inegociáveis em seus “impérios”.

Estou convencido que meus escritos são junções de palavras emaranhadas que com muito esforço tento dar algum sentido para elas. Sei das dificuldades deste dom, mas insistirei como um analfabeto na arte do vernáculo, que um dia aprenderei a discorrer com maestria com os dedos no teclado.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

União Homoafetiva



Por Marcelo Facchinetti


Como sabem, o STF garantiu a legalidade da união entre homosexuais, por unanimidade. Mas vejam só que interessante: o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), aquele ex-BBB, que está sendo um dos mentores dessa investida, mostrou, finalmente, sua verdadeira cara. Vejam o que foi publicado no Terra, sobre a declaração dele, após o resultado da votação:

"Fundamentalistas foram derrotados", diz Willys sobre união gay.

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), que acompanhou o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o reconhecimento da união estável homoafetiva, comemorou nesta quinta-feira, em sua página na rede de microblogs Twitter, a decisão favorável aos homossexuais. "É hoje, dia de vitória, não vamos dar ouvido à tagarelice dos canalhas, ignorantes, fundamentalistas e cínicos. Eles foram derrotados!", escreveu.

O parlamentar disse que, apesar da vitória no Judiciário, a "grande luta" pelos direitos dos casais gays será no Congresso Nacional. "Viajo agora com a alma em festa pela decisão do STF. Espero que os princípios soberanos da Constituição Cidadã triunfem também na Câmara!", escreveu. "Que todos os deputados possam se lembrar de que, no da dia posse, juraram defender a Constituição e o Estado Democrático de Direito!", completou.. veja aqui

É deveras interessante notar o rumo que as coisas estão tomando neste país: ninguém pode mais falar absolutamente nada contra os homossexuais, sob o risco de ser preso; no entanto, qualquer homossexual pode, livremente, falar qualquer coisa sobre qualquer heterossexual, sem o menor problema. É enriquecedor ver que o nobre deputado, que conclama a seus pares lembrarem-se de seu juramento de "defender a Constituição e o Estado Democrático de Direito!", se esqueça, ele mesmo, deste mesmo Estado Democrático de Direito, ao referir-se àqueles que dele discordam, denominando-os por "canalhas, ignorantes, fundamentalistas e cínicos"; e, aos seus argumentos, por "tagarelices".

Senti-me tremendamente ofendido por este comentário licencioso, discriminatório, e heterofóbico; no entanto, nos dias de hoje, até o fato de eu ter me ofendido pode ser enquadrado como homofobia e eu ser processado e preso.

Sinal dos tempos...

E isto é um alerta para nós, para nos lembrar de que os dias estão passando e, cada vez mais, a vinda do Senhor está se aproximando. É hora de conserto; é hora de entrega; é hora de oração e jejum. O Povo do Senhor tem que estar atento, não aos sinais, que são inevitáveis; mas a si mesmos, para que não sejamos pegos em falta, no Dia do Senhor!

E àqueles que procrastinam o seu consertar, perante o Senhor, fiando-se de que o Dia do Senhor está longe, pois os sinais revelados no Livro do Apocalipse ainda não se cumpriram, trago-lhes uma palavra para pensar:

"Mas, daquele Dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai. Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo." (Mc 13.32, 33)

Muitas vezes pensei sobre tudo o que está escrito na Bíblia sobre a volta do Senhor Jesus; e que desde o tempo de Atos dos Apóstolos, o que se deu logo após a ascenção do Senhor, os apóstolos já preparavam o povo para a volta de Cristo. E todo aquele povo, incluindo os apóstolos, morreu! Teriam sido enganados? Passaram toda a vida de cristãos se preparando para a volta do Senhor e morreram sem vê-la? Vejamos:

"Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?" (Lc 12.20)

Vivemos na imponderabilidade; ou seja, não se pode pesar ou avaliar o que vai nos acontecer na vida, nem a sua duração. É a vida uma circunstância indefinível, sobre a qual não temos o menor controle. Uma vez finda a vida, estando nós diante da morte, que pode nos acometer de modo e forma inesperados, nada mais há a fazer. Acabou o nosso tempo. Para este, o momento da volta do Senhor chegou!

"Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1Ts 4.13-17)

Ou seja: os que dormem (os que morreram), ressuscitarão sob o chamado do Senhor, na Sua vinda! Por que será que Paulo usou o sono como uma analogia para a morte? Como é que nós dormimos? É quase como um "desligar da tomada", né? Num momento é noite e, num piscar de olhos, ao acordarmos, já é dia. Não notamos o tempo passar quando dormimos. Assim será na morte, como afirma Paulo: dormiremos e acordaremos diante da convocação do Senhor, sem consciência do tempo que tenha passado, podendo ser dias, décadas, ou milênios!

É por isso que precisamos nos consertar com o Senhor dentro do espaço da nossa vida; mas, como não sabemos quanto tempo ela durará... é melhor que seja agora, não? Vai que daqui a pouco acontece algo... eu, hein?

E quanto àqueles que, agora, estão se alegrando com o que chamam de sua "vitória", que estão tripudiando sobre o povo de Deus, nós bem sabemos o que os espera, não é mesmo? Mas nunca nos esqueçamos:

"Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia." (1Co 10.12)

Que Deus vos abençoe!

sábado, 7 de maio de 2011

Que grande amor!!!

Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Romanos 5.8-9.
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Coisa linda é saber que Deus não se manteve inerte com relação a história da miséria humana. Em um ato louvável de puro amor, Deus resolveu enviar Seu único Filho para viver no meio dos homens, sofrer, padecer e morrer nas mãos dos governantes e das autoridades religiosas de sua época. Tal sacrifício fez com que nossos pecados fossem totalmente anulados, apagados e pregados junto com Cristo na cruz do Calvário.


É Importante ressaltar, que a morte de nosso Senhor e Salvador se deu quando ainda éramos todos pecadores, salientando ainda mais o verdadeiro amor de Deus por nós.

Necessitamos lembrar todos os dias que o sacrifício de Jesus simboliza também a morte do velho homem que habitava em nós. Quando olhamos para cruz e reconhecemos nossos erros e limitações, a justiça de Deus se revela sobre nós e automaticamente somos considerados justos diante de nosso acusador e inimigo. É através do sangue carmesim de Jesus Cristo derramado no madeiro que alcançamos misericórdia e nos tornamos livres da culpa e da ira de Deus.

Por isso, somos vitoriosos em saber que a cruz foi o maior triunfo adquirido por Deus a nosso favor, pois, a cruz era nosso lugar e Cristo carregou as nossas ofensas para nos dar a maior vitória de nossas vidas: a nossa salvação.
Portanto, permaneçamos firmes nas promessas de Deus, pois a vitória da salvação nos faz sermos livres da ira vindoura onde nada nos separará do amor de Deus que está em cristo Jesus nosso Senhor.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O motivo da nossa esperança

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. Rm 5.1-2

A justificação pela fé é uma das mais fascinantes doutrinas bíblicas do Novo Testamento. Nela, temos a certeza de que nossos pecados são justificados e a condenação que seria nos imputada foi cancelada em razão da fé que depositamos no sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo.

Através da fé e da justiça do Senhor, recebemos a paz de Deus que é uma grande virtude do fruto do Espírito que nos conduz a uma vida de amor ao próximo e a Deus. Após a morte de nosso Senhor Jesus na cruz do Calvário o véu que fazia a separação entre o Santo dos Santos e o resto do templo foi rasgado fazendo alusão de que agora o caminho e acesso para Deus não dependiam mais do sacrifício anual do sacerdote, mas por meio da fé naquele ato de Jesus Cristo no madeiro morrendo em seu lugar.

Por isso, necessário é que permaneçamos firmes nesta graça a qual fomos chamados para vencer. Graça esta denominada como um favor imerecido a nosso respeito, pois, nada merecíamos, a não ser a condenação, mas, Deus movido de íntimo amor por nós pecadores, enviou Seu Filho para morrer em nosso lugar.

Portanto, lembre-se que se existe algo para nos gloriarmos, gloriemo-nos nesta tão grande esperança da glória de Deus, aguardando o dia que irá se manifestar a segunda vinda do Filho de Deus e sermos exaltados com Ele na glória. Permaneçamos firmes, por que a fé que move montanhas, nos justificará naquele lindo dia que nos ares Cristo buscará os vencedores que creram em seu nome.

sábado, 26 de março de 2011

Creia contra a esperança


Como está escrito: “Eu o constituí pai de muitas nações”. Ele é nosso pai aos olhos de Deus, em quem creu, o Deus que dá vida aos mortos e chama à existência coisas que não existem, como se existissem. Abraão, contra toda esperança, em esperança creu, tornando-se assim pai de muitas nações, como foi dito a seu respeito: “Assim será a sua descendência”. Rm 4.17-18 (NVI)

Deus inicia a história da redenção da humanidade chamando um homem para que através deste, pudesse constituir a nação de onde viria o Messias. Pai da fé, assim é chamado Abraão, que acreditou que Deus pudesse cumprir com a promessa de fazer, a partir dele, uma grande e numerosa nação.
Para tal, era preciso Abraão largar sua parentela e ir para uma terra distante.

Assim começava a história da nação de Israel, e talvez possa ter alguma breve semelhança com sua vida. Deus te chamou para viver uma vida santa, separada e consagrada do sistema mundano e quer fazer de você uma pessoa de muita fé. Para isso, é necessário crer que Deus é poderoso e capaz de criar situações onde a lógica e os pensamentos humanos não alcançam.

Assim como o pai da fé Abraão, é importante crer contra todas as possibilidades que Deus tem uma grande obra a realizar em sua vida. Assim como Ele foi com Abraão e os grandes heróis da fé, será contigo também. Basta acreditar e crer contra todas as esperanças que Deus abençoará toda sua descendência. Deus conta com você para testemunhar aos ímpios o que Ele fez e fará em sua vida. Mostre a todos que você é uma pessoa de fé.

Creia que Deus pode te dar uma descendência abençoada para mostrar ao mundo que o Senhor é o dono da vida e quando quer chama a existência as coisas que ainda nem foram criadas para mostrar o quanto Ele é Deus forte e poderoso para abençoar aqueles que nele crê.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Justificados pela Fé


E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras: Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Senhor jamais imputará pecado. Rm 4.6-8

Como é feliz o homem que tem seus pecados perdoados. Assim declarou o rei Davi que foi considerado um homem segundo o coração de Deus. Depois de receber o perdão de Deus pelo pecado de adultério e assassinato, o salmista reconhece que Deus o tornou justo pelo ato de fé no Senhor.

Assim como o salmista, um dia tivemos que dar um passo de fé em direção ao perdão divino e, por isso, somos reputados como bem-aventurados. Nos encontrávamos cheio de iniqüidades, porém, num ato justificador de Deus, foi-nos atribuído a justiça de Deus pela fé, independentemente da prática de boas obras. O salmista exalta que a fé na existência de Deus nos torna dignos e justos e que nossos pecados são apagados para sempre.

Nossos pecados de uma vida promíscua foram lançados em um grande abismo e o Senhor deles não se lembra mais. Por isso, não devemos ter o sentimento de culpa por nossos erros do passado. O Senhor já nos perdoou e requer de nós somente a fé no seu poder justificador.

Lembre-se, você é um bem-aventurado por que não existe nenhuma culpa sobre ti, pois, seus pecados foram apagados e perdoados naquele grande dia em que o Filho de Deus foi pendurado no madeiro, expiando assim, os pecados de toda a humanidade.

Portanto, receba o perdão de Deus e seja incluso no rol dos bem-aventurados, pois, feliz é aquele que tem suas transgressões anuladas pelo Senhor.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Caminho da Graça


Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Rm 3.23-24

Desde a queda da humanidade no Jardim do Éden, o homem sempre buscou meios de se aproximar novamente da ligação que tinha com Deus no princípio da criação. Durante toda a história, rituais e formas religiosas foram criadas para restabelecer o elo perdido com o criador. As Escrituras Sagradas declaram que toda a humanidade pecou em Adão e, por isso, estamos afastados e carentes da glória de Deus.

O pecado é definido como transgressão à Lei divina e o apóstolo Paulo salienta que o pecado não anda em conformidade com a glória de Deus. Para tanto, Deus providenciou gratuitamente a história da redenção do homem caído, dando Seu único Filho para morrer por nossos delitos e pecados. Saiba que por meio do sacrifício de Jesus Cristo, temos acesso direto ao Pai das luzes, e a vida de miséria que levávamos por conta de nossas transgressões, foi substituída por uma vida vitoriosa em Cristo Jesus.

Passamos do banco dos réus para sentarmos em lugares altos, e onde havia condenação, há justificação. Pelo simples ato de fé no sacrifício expiatório de Jesus Cristo nos tornamos justos e podemos desfrutar das maravilhas de sermos declarados inocentes. Devemos dar graças a Deus todos os dias, pois, através de Seu amor por nós, alcançamos gratuitamente, mediante a fé na redenção de nosso Senhor Jesus Cristo, a graça que nos propiciou a reconciliação com o Criador.

Portanto, tomemos posse da tão grande vitória sobre o pecado e sobre a morte que foi alcançada ao nosso favor por Jesus Cristo na cruz e experimentemos o prazer de sermos ligados novamente à comunhão com esse Pai maravilhoso que tanto nos ama.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Caminhos e descaminhos do Centenário da AD


No jargão do futebol, quando um time completa cem anos, comemora-se o chamado “centenário”. Contudo, o que as torcidas rivais mais gostam é quando o time em questão, em pleno ano do centenário, não consegue nenhum título. Esses torcedores rivais passam então a usar um neologismo: “cente-nada!” A Assembleia de Deus está numa encruzilhada histórica: sua escolha definirá sua sobrevivência: centenário ou “cente-nada”?

Os descaminhos estão cada vez mais perigosos:

Descaminhos são atalhos da fé. A ideia perigosa de que caminhos mais curtos são sinais das bênçãos de um facilitador divino.

Descaminhos são espécies de tendências do mal: opções pelas rotas da facilidade, que permitem o “abraço de urso” na antiética duvidosa do “jeitinho”.

Descaminhos são opções dos que perderam o senso de que sem raízes profundas os frutos (se vierem) serão condenados à irrelevância.
Descaminhos são síndromes de Geazi: gente que, em nome das riquezas, engana e mente, esquecendo-se que Deus julga motivações do coração.

Quais são os principais descaminhos que a Assembleia de Deus deve evitar no perigoso pós-centenário?

I - A perda da identidade: o descaminho da demonização (Lc. 8. 30, 38, 39)

Uma coisa tem me preocupado sobremaneira como assembleiano: a Assembleia de Deus tem se transformado numa assembleia de deuses.
A enfermidade dos títulos, a paranoia das honras, tem assaltado corações. A ditadura da hereditariedade tem engessado alguns campos eclesiásticos, e a tendência é essa quimera crescer...
No texto de Lucas 8, há duas poderosas lições:
a) No versículo 30, Jesus pergunta o nome dos demônios que possuíam o Gadareno, contudo, não respondem com um nome, mas com uma função: legião, um destacamento do exército romano. Uma vocação militar. Um serviço.

Rubem Alves desenvolve uma ideia muito interessante: o diabo odeia o próprio nome. Na cultura judaica, o nome evoca as essências, os começos. Para o diabo, pensar em seu próprio nome é relembrar suas origens e consequente queda, portanto, ele odeia o nome. Por isso não responde com um nome, mas com uma função! Esconde-se atrás dos títulos. Na Bíblia, seu nome é sempre dito por terceiros, nunca por ele mesmo. Essa lição sinaliza um grave perigo: o de nos escondermos atrás de vocações. Se minha credencial valer mais do que minha identidade, abro um processo de demonização às vezes irreversível!

b) Nos versículos 38 e 39, o Gadareno, já liberto, implora a Jesus que o deixe segui-lo. Jesus recusa-se terminantemente. Jesus estava libertando-o completamente. É como se Jesus dissesse: “Não vou possuí-lo. Não vou trocar de lugar com os demônios. Vou libertá-lo para a intimidade dos seus”. A grande lição aqui é a que precisa ser redescoberta com urgência: não possuímos ninguém. O pastor não possui as ovelhas, ele as protege!

II - A tentação da mistura: o descaminho das contradições (Mc. 10. 17-23)
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A Assembleia de Deus – aos cem anos – resolveu imitar o adolescente movimento neopentecostal. Estamos abraçando mediocridades: atos “proféticos”, quando deveríamos abraçar Atos dos apóstolos! Cantando mantrazinhos gospel de quinta categoria, quando temos em nossa história “os mais belos hinos e poesias” escritos na senda da “rude cruz”. Percebo uma Assembleia de Deus semelhante a um velho cansado encantado com o brinquedo tecnológico do neto.

O texto de Marcos 10, o “jovem rico", aponta para o perigoso descaminho da mistura: ele vai até Jesus com uma teologia pronta. Costumo brincar dizendo que o jovem rico era neopentecostal: religião demais, piedade de menos! “Bom Mestre”: a opção enganosa de seguir a Jesus pelos motivos errados: mestre ao invés de Senhor!
Esse jovem chegou até Jesus carregado de teologia pronta, e saiu de perto de Jesus com o peso de suas riquezas. A palavra aramaica para “riquezas” é Mamóm, que vem da mesma raiz da palavra amém! O dinheiro tem dito o “amém” na vida de muita gente nessa centenária igreja.

III - A doença do sucesso: o descaminho da falsa glória (Dn. 4. 29-34)

O sucesso é a droga mais consumida do século XXI. É o elixir dos delírios que faz brilhar os olhos dos pregadores adeptos da homilética do bombardeio. Sua composição básica é feita com as toxinas que inflam o ego. A Assembleia de Deus, que antes era a igreja do povo simples, está cada dia que passa, transformando-se numa igreja do sucesso, numa vitrine eclesiástica das celebridades instantâneas.

É a síndrome de Nabucodonosor, do texto de Daniel 4: a falsa glória. O excelso que desrespeita o efêmero. Quando a criação passa a ser adorada ao invés do Criador alimenta-se de doses monstruosas de falsa glória, entrando no caminho sem volta da overdose de glamour, caindo na tentação de viver num mundo sem Deus e numa igreja sem dono.

A Assembleia de Deus tem muito o que celebrar, mas tem muito mais a refletir. Afinal, os próximos cem anos, se o Senhor assim permitir, estão só começando. Como diz o slogan das comemorações: “pelos séculos dos séculos”.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Estou cansado!


Cansei! Entendo que o mundo evangélico não admite que confesse o meu cansaço. Conheço as várias passagens da Bíblia que prometem restaurar os trôpegos. Compreendo que o profeta Isaías ensina que Deus restaura as forças do que não tem nenhum vigor. Também estou informado de que Jesus dá alívio para os cansados. Por isso, já me preparo para as censuras dos que se escandalizarem com a minha confissão e me considerarem um derrotista. Contudo, não consigo dissimular: eu me acho exausto.

Não, não me afadiguei com Deus ou com minha vocação. Continuo entusiasmado pelo que faço; amo o meu Deus, bem como minha família e amigos. Permaneço esperançoso. Minha fadiga nasce de outras fontes.

Canso com o discurso repetitivo e absurdo dos que mercadejam a Palavra de Deus. Já não aguento mais que se usem versículos tirados do Antigo Testamento e que se aplicavam a Israel para vender ilusões aos que lotam as igrejas em busca de alívio. Essa possibilidade mágica de reverter uma realidade cruel me deixa arrasado porque sei que é uma propaganda enganosa.

Cansei com os programas de rádio e tv em que os pastores não anunciam mais os conteúdos do evangelho; gastam o tempo alardeando as virtudes de suas próprias instituições. Causa tédio tomar conhecimento das infinitas campanhas e correntes de oração; todas visando exclusivamente encher os seus templos. Considero os amuletos evangélicos horríveis. Cansei de ter de explicar que há uma diferença brutal entre a fé bíblica e as crendices supersticiosas.

Canso com a leitura simplista que algumas correntes evangélicas fazem da realidade. Sinto-me triste quando percebo que a injustiça social é vista como uma conspiração satânica, e não como fruto de uma construção social perversa. Não consideram os séculos de preconceitos nem que existe uma economia perversa privilegiando as elites há séculos. Não agüento mais cultos de amarrar demônios ou de desfazer as maldições que pairam sobre o Brasil e o mundo.

Canso com a repetição enfadonha das teologias sem criatividade nem riqueza poética. Sinto pena dos teólogos que se contentam em reproduzir o que outros escreveram há séculos. Presos às molduras de suas escolas teológicas, não conseguem admitir que haja outros ângulos de leitura das Escrituras. Convivem com uma teologia pronta. Não enxergam sua pobreza porque acreditam que basta aprofundarem um conhecimento “científico” da Bíblia e desvendarão os mistérios de Deus. A aridez fundamentalista exaure as minhas forças.

Canso com os estereótipos pentecostais. Como é doloroso observá-los: sem uma visitação nova do Espírito Santo, buscam criar ambientes espirituais com gritos e manifestações emocionais. Não há nada mais desolador que um culto pentecostal com uma coreografia preservada, mas sem vitalidade espiritual. Cansei, inclusive, de ouvir piadas contadas pelos próprios pentecostais sobre os dons espirituais.

Cansei de ouvir relatos sobre evangelistas estrangeiros que vêm ao Brasil para soprar sobre as multidões. Fico abatido com eles porque sei que provocam que as pessoas “caiam sob o poder de Deus” para tirar fotografias ou gravar os acontecimentos e depois levantar fortunas em seus países de origem.

Canso com as perguntas que me fazem sobre a conduta cristã e o legalismo. Recebo todos os dias várias mensagens eletrônicas de gente me perguntando se pode beber vinho, usar “piercing”, fazer tatuagem, se tratar com acupuntura etc., etc. A lista é enorme e parece inexaurível. Canso com essa mentalidade pequena, que não sai das questiúnculas, que não concebe um exercício religioso mais nobre; que não pensa em grandes temas. Canso com gente que precisa de cabrestos, que não sabe ser livre e não consegue caminhar com princípios. Acho intolerável conviver com aqueles que se acomodam com uma existência sob o domínio da lei e não do amor.

Canso com os livros evangélicos traduzidos para o português. Não tanto pelas traduções mal feitas, tampouco pelos exemplos tirados do golfe ou do basebol, que nada têm a ver com a nossa realidade. Canso com os pacotes prontos e com o pragmatismo. Já não agüento mais livros com dez leis ou vinte e um passos para qualquer coisa. Não consigo entender como uma igreja tão vibrante como a brasileira precisa copiar os exemplos lá do norte, onde a abundância é tanta que os profetas denunciam o pecado da complacência entre os crentes. Cansei de ter de opinar se concordo ou não com um novo modelo de crescimento de igreja copiado e que vem sendo adotado no Brasil.

Canso de explicar que nem todos os pastores são gananciosos e que as igrejas não existem para enriquecer sua liderança. Cansei de ter de dar satisfações todas as vezes que faço qualquer negócio em nome da igreja. Tenho de provar que nossa igreja não tem título protestado em cartório, que não é rica, e que vivemos com um orçamento apertado. Não há nada mais desgastante do que ser obrigado a explanar para parentes ou amigos não evangélicos que aquele último escândalo do jornal não representa a grande maioria dos pastores que vivem dignamente.

Canso com as vaidades religiosas. É fatigante observar os líderes que adoram cargos, posições e títulos. Desdenho os conchavos políticos que possibilitam eleições para os altos escalões denominacionais. Cansei com as vaidades acadêmicas e com os mestrados e doutorados que apenas enriquecem os currículos e geram uma soberba tola. Não suporto ouvir que mais um se auto-intitulou apóstolo.

Sei que estou cansado, entretanto, não permitirei que o meu cansaço me torne um cínico. Decidi lutar para não atrofiar o meu coração.

Por isso, opto por não participar de uma máquina religiosa que fabrica ícones. Não brigarei pelos primeiros lugares nas festas solenes patrocinadas por gente importante. Jamais oferecerei meu nome para compor a lista dos preletores de qualquer conferência. Abro mão de querer adornar meu nome com títulos de qualquer espécie. Não desejo ganhar aplausos de auditórios famosos.

Buscarei o convívio dos pequenos grupos, priorizarei fazer minhas refeições com os amigos mais queridos. Meu refúgio será ao lado de pessoas simples, pois quero aprender a valorizar os momentos despretensiosos da vida. Lerei mais poesia para entender a alma humana, mais romances para continuar sonhando e muita boa música para tornar a vida mais bonita. Desejo meditar outras vezes diante do pôr-do-sol para, em silêncio, agradecer a Deus por sua fidelidade. Quero voltar a orar no secreto do meu quarto e a ler as Escrituras como uma carta de amor de meu Pai.

Pode ser que outros estejam tão cansados quanto eu. Se é o seu caso, convido-o então a mudar a sua agenda; romper com as estruturas religiosas que sugam suas energias; voltar ao primeiro amor. Jesus afirmou que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Ainda há tempo de salvar a nossa.


Por Ricardo Gondim

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Isso tem que acabar!


Não sou saudosista. Mas devo admitir que foi-se o tempo em que o púlpito não era palco nem palanque, e a congregação não era platéia, nem tampouco o pastor era considerado um showman. Foi-se o tempo em que cantores que se dedicavam a louvar a Deus não tinham fã clube, e nem sabiam o que significa tietagem após sua apresentação. Mesmo porque, não havia performance, e sim, culto. Todos os holofotes eram voltados para Cristo. E os únicos aplausos que esperava ouvir vinham dos céus.

O sonho de conquistar o mundo para Cristo foi substituído pelo sonho de tornar-se num mega-star gospel.

O dinheiro antes investido para enviar missionários ao campo, agora é usado para pagar vultuosos cachês a estas estrelas, que além disso, ainda exigem regalias, tais como, hotel cinco estrelas, carro de luxo com chofer, comidas requintadas (eu disse, requintadas, não requentadas!), etc.

Mas tudo isso está prestes a acabar. O mercado gospel está ficando saturado. Ninguém suporta mais patrocinar os projetos megalomaníacos dessas estrelas.

Cada vez mais, os cristãos estão se conscientizando de que seu papel não é o de manter esta indústria religiosa, que se apresenta como ministérios, e sim, de trabalhar pela transformação do mundo.

Chega de fogueiras santas! Chega de fogueiras de vaidade!

Chega de estratégias evangelísticas mirabulantes. Que o importante seja o que é certo, e não o que dá certo.

Chega de busca por títulos e fama. Que se busque servir em vez de ser servido.

Voltemos ao velho e bom Evangelho, sem invencionices. Voltemos ao discipulado, sem a pressão pela multiplicação. Deixemos que Ele acrescente em número, enquanto nós focamos a qualidade de nossa vivência cristã.

E que os milagres aconteçam em ambientes domésticos e seculares, no dia-a-dia, e não à granel, no atacado, como tem sido anunciado nos programas neo-pentecostais.

Está chegando o tempo em que o Evangelho será espalhado por toda a Terra, não através de eventos extraordinários, marchas, cruzadas, mas através de gente anônima, ilustres desconhecidos, que ofuscarão o brilho daqueles que se acham indispensáveis na expansão do Reino de Deus, e isso, sem chamar a atenção para si.

Viva o novo tempo!
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Por Hermes Fernandes

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sobre a Oração


Ocorreu-me certo dia que, embora me preocupe em saber se sinto ou não a presença de Deus, pouco me interesso em saber se Deus sente ou não minha presença. Quando me aproximo de Deus em oração, costumo revelar meus segredos pessoais mais profundos? Só quando fizer isso revelarei meu verdadeiro eu, aquilo que sou, pois somente a luz de Deus, nada mais, pode revelar isso. Sinto-me desnudo perante essa luz, vendo uma pessoa muito diferente da imagem que cultivo para mim mesmo e para todos os que me rodeiam.

Somente Deus conhece os motivos egoístas por trás de cada um de meus atos, o emaranhado de luxúria e ambição, as feridas mal curadas que, paradoxalmente, me fazem parecer sadio. A oração convida-me a apresentar a Deus minha vida inteira, de modo que ele possa purificá-la e restaurá-la. A auto-exposição nunca é facil, mas quando a pratico aprendo que, por baixo das camadas de entranhada sujeira, há uma obra de arte que Deus anseia restaurar.

"Não podemos tornar Deus visível para nós, mas podemos nos tornar visíveis para ele", diz Abraham Joshua Heschel. Faço minha tentativa com hesitação, vergonha e medo, mas, quando o faço, sinto que aqueles constrangimentos se dissolvem. Meu medo da rejeição cede ao abraço de Deus. De alguma forma, podendo eu apenas confiar sem compreender, a apresentação dos detalhes íntimos de minha vida é prazerosa para Deus.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Jesus, os Fariseus e o Livre-Arbítrio


Para muitos, hoje em dia, é intrigante que Jesus coloque tal valor nos direitos soberanos da liberdade eletiva de Deus, a ponto de falar da maneira como o faz àqueles que O rejeitam. Ele fala de maneira a impedi-los de vangloriarem-se, como se pudessem anular os propósitos últimos de Deus.

Em João 10.25-26, por exemplo, Jesus respondeu aos céticos que exigiam mais e mais provas: “Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas”. Pense nisto por um momento. Pense acerca do que significa e no fato que Jesus proferiu tais palavras a pessoas incrédulas.
Imagine-se como um fariseu ouvindo a mensagem de Jesus e dizendo a si mesmo: se Ele pensa que eu vou ser sugado para dentro desse movimento junto com coletores de impostos e pecadores, está louco. Eu tenho vontade própria e poder para determinar o meu próprio destino. Em seguida, imagine Jesus, sabendo o que se passa no seu coração e dizendo: “Você se vangloria em seu íntimo porque acha que tem o controle de sua própria vida. Você pensa que pode frustrar os planos máximos de meu ministério. Você imagina que os grandes propósitos de Deus na salvação são dependentes de sua vontade vacilante. Em verdade, em verdade eu lhe digo que a razão final pela qual você não crê é porque o Pai não o escolheu para estar entre as minhas ovelhas”. Em outras palavras, Jesus está dizendo: “O orgulho final da incredulidade é destruído pela doutrina da eleição”. Aqueles a quem Deus escolheu, Ele também os deu ao Filho; e aqueles a quem Ele deu ao Filho, o Filho também os chamou; e para aqueles que foram chamados, Ele deu sua vida; e para esses Ele deu alegria eterna na presença de sua glória. Este é o prazer do Pai.
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Por John Piper (Os Prazeres de Deus)
(Portland, Multnomah, 1991), p. 137-139.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Fé e soberania de Deus


Recentemente terminei uma série de estudos na carta de Paulo aos Romanos. Como sempre acontece, a leitura de Romanos instigou o pensamento dos crentes, fazendo-os contemplar com maior clareza o Deus soberano que os salvou, bem como o modo como ele salva.

Um dos pontos de tensão na carta é a aparente dualidade entre a fé e a soberania de Deus, tanto que alguns escritores evangélicos, na tentativa de conciliar a fé (do homem) e a soberania (de Deus), acabam por optar pelo sinergismo, que é a crença de que o homem pode cooperar com Deus para a sua salvação. Definitivamente, não creio assim. Estou convencido de que a soberania de Deus não deixa nenhum espaço para a glorificação humana.

A aparente tensão somente surge quando ignoramos o fato de que a fé (do homem) é também a fé de Deus. Senão, vejamos:

Primeiramente devemos perceber que a fé é um dom de Deus. Isso está claro em passagens como Filipenses 1.29 (onde está escrito que a nós foi concedido crer), em Hebreus 12.2 (onde Cristo é o autor e consumador da nossa fé), e de um modo muito especial em Efésios 2.8, onde a salvação de graça e por meio da fé aparece claramente como um dom de Deus. Poderíamos ainda mencionar Pedro, quando este diz que Deus, por seu divino poder, nos concedeu “tudo que diz respeito à vida e a piedade” (2Pd 1.3) e também Tiago, quando afirma que toda “boa dádiva e dom perfeito vem de Deus” (Tg 1.17), mas creio que estas referências são suficientes.

O segundo ponto que quero aclarar é que a fé, sendo um dom de Deus, é irrevogável. Isso encontramos em Romanos 11.29, onde Paulo diz que “os dons de Deus e o seu chamado são irrevogáveis”. Sendo assim, podemos afirmar que um crente verdadeiro pode apresentar uma fé fraca ou forte, mas ele sempre terá fé. No entanto, não ignoro que alguns, tendo conhecido o evangelho, se distanciam, aparentando perder a fé. Estes, na realidade, apenas aparentavam fé, pois nunca a tiveram (1Jo 2.19).

Em terceiro lugar, gostaria de esclarecer que nem todas as pessoas possuem fé salvífica. Obviamente existe um tipo de fé comum a todos os homens, como a fé nos ídolos ou em si mesmos, mas nem todos possuem fé para a salvação. Paulo aos Tessalonicenses disse que “a fé não é de todos” (2Ts 3.2), e isso pode ser percebido também quando observamos ao nosso redor e fatalmente constatamos que nem todos se salvam. Ora, por alguma razão Deus decidiu não conceder a fé, que é um dom dEle, a todos os homens.

Agora, a razão porque Deus escolheu dar a fé a alguns homens não pode ser a bondade do próprio homem (pois assim a salvação seria por obras), nem mesmo algo intrínseco ao homem (porque neste caso a glória seria do homem). Por isso afirmamos que a única razão coerente porque Deus decidiu dar a fé a alguns homens é a sua livre vontade, ou soberania.

Nosso quarto ponto visa responder a seguinte pergunta: “Uma vez que a fé é um dom de Deus, irrevogável e não é de todos, então a quem Deus dá a fé?”. A resposta a esta pergunta é que somente os escolhidos de Deus terão fé. Veja, por exemplo, o modo como Paulo começa a escrever sua carta a Tito: “Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus (...)” (Tt 1.1). Observe aqui que a fé é um presente de Deus aos que ele escolheu. Também Lucas, em Atos dos Apóstolos, narra que “creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (At 13.48). Somente aqueles que estavam ordenados para a vida eterna puderam crer.

A suma destas coisas é que, sabendo que a fé que o homem exerce é um dom de Deus, não convém repetir o já desgastado jargão “Salvação: Soberania de Deus; decisão sábia do homem”, uma vez que a salvação não é um projeto com participação humana, antes, é um projeto de Deus e uma decisão soberana de Deus que redundou em uma resposta humana. Também não devemos supor que nossa fé é a causa da eleição, pois primeiro foi a eleição (Ef 1.4), e depois veio a fé.


Por Leonardo Gonçalves do Blog Púlpito Cristão

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Engana que eu gosto


As culturas devem ser lidas nas linhas e entrelinhas. As linhas falam da coisa em si. As entrelinhas falam do espírito da coisa. As entrelinhas podem distorcer e até mesmo destruir o que está dito nas linhas.

Com a cultura cristã não é diferente. Veja o exemplo da assinatura da Igreja Universal do Reino de Deus, a saber, Jesus Cristo é o Senhor. De acordo com o Novo Testamento, isso significa que devemos viver como escravos dos propósitos de Jesus Cristo: ele manda e a gente obedece, ele propõe e a gente executa, ele dirige e a gente segue, pois afinal de contas, Ele é o Senhor. Mas na cultura da IURD, e de boa parte do movimento evangélico, as entrelinhas dessa afirmação fazem com que ela signifique que Jesus pode realizar todos os seus desejos, afinal de contas Ele é o Senhor. A relação fica invertida: você clama e ele responde, você reivindica e ele atende, você pede com fé e ele lhe dá o que foi pedido, você participa da corrente de oração e se submete aos 318 pastores e Jesus faz a sua vida próspera e confortável, pois Jesus Cristo é o Senhor e você é “filho do rei”, de modo que não há qualquer motivo para que você continue nessa vida miserável, daí a segunda convocação da IURD: “para de sofrer”.

Percebe como as linhas dizem uma coisa e as entrelinhas dizem outra?

O movimento evangélico é mestre em fazer confusão e promover distorção do Evangelho em virtude desse jogo de linhas e entrelinhas. Um exemplo disso é a mensagem VAI DAR TUDO CERTO, que recebi outro dia.

Eis a mensagem:

SALMO 22
VAI DAR TUDO CERTO

DEUS me pediu que te dissesse que tudo irá bem contigo a partir de agora. 
Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos.
Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória. 
Esta manhã bati na porta do céu e DEUS me perguntou… 
’Filho, que posso fazer por você ?’ 
Respondi: 
’Pai, por favor, protege e bendiz a pessoa que está lendo esta mensagem’.
DEUS sorriu e confirmou: ‘Petição concedida’. 
Leia em voz baixa… 
’Senhor Jesus : 
Perdoa meus pecados. 
Amo-te muito, te necessito sempre, estás no mais profundo de meu coração, cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos’. 
Passe esta oração a 5 pessoas, no mínimo. 
Receberás um milagre amanhã. 
Não o ignore.

Deus tem visto suas Lutas.
Deus diz que elas estão chegando ao fim.
Uma benção está vindo em sua direção.
Se você crê em Deus, por favor envie esta mensagem para 20 amigos.
Se acredita em Deus envia esta mensagem a 20 pessoas,
se rejeitar lembre Jesus disse:
“se me negas entre os homens, te negarei diante do pai” Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa.

Deixo de lado a crítica gramatical e o péssimo uso da lingua portuguesa. Dedico minha atenção ao conteúdo da mensagem que, travestida de cristã, é absolutamente anti-cristã: mentirosa, fantasiosa, desprovida de qualquer sentido bíblico, desalinhada com o todo do ensino e experiência de Jesus, seus apóstolos, e seus primeiros seguidores, totalmente alinhada com os dircursos baratos da auto-ajuda e da enganação religiosa, enfim, uma versão barata e piedosinha da superstição sincrética do espiritualismo popular.

A afirmação “vai dar tudo certo”, lida de acordo com as linhas do Novo Testamento, significaria, por exemplo, que os propósitos de Deus prevalecerão, a marcha da igreja de Jesus Cristo contra os poderes do mal será vitoriosa, a vontade de Deus será um dia feita na terra como o céu. Mas também significaria que os seguidores de Jesus seriam sempre ovelhas em meio aos lobos [Mateus 10.16], odiados pelo sistema sócio-político-econômico anti-reino de Deus, ameaçados de morte, rejeitados, caluniados, e perseguidos por causa do nome de Jesus [Mateus 5.10-12], e passariam por muito sofrimento e tribulação antes de receberam a vitória plena no reino leterno de Deus [Atos 14.22]. Isto é, antes de dar tudo certo, daria tudo errado.

A convicção de que “em Cristo somos mais que vencedores” [Romanos 8.37], e que “em Cristo Deus sempre nos conduz em triunfo” [2Coríntios 2.14], é também acompanhada de uma profunda compreensão a respeito dos custos de se colocar ao lado de Deus e do reino de Deus, em oposição à injustiça e aos agentes promotores e mantenedores da morte no mundo: ”Porque me parece que Deus nos colocou a nós, os apóstolos, em último lugar, como condenados à morte. Viemos a ser um espetáculo para o mundo, tanto diante de anjos como de homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são sensatos em Cristo! Nós somos fracos, mas vocês são fortes! Vocês são respeitados, mas nós somos desprezados! Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo” 
[1Coríntios 4.9-13].

Fica, portanto, muito evidente que quando os cristãos do Novo Testamento diziam que “vai dar tudo certo” estavam afirmando coisas completamente diferentes dessas afirmadas na mensagem que recebi pela internet, que diz:

”Tudo irá bem contigo a partir de agora”; “Você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos”; “Nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória”; “Cobre com tua luz preciosa a minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos”; “Receberás um milagre amanhã”; “Uma benção está vindo em sua direção”; “Dentro de 4 minutos te dirão uma notícia boa”.

Meu amigo, minha amiga, não é verdade que “tudo irá bem contigo a partir de agora”, e também não é verdade que “você tem sido destinado para ser uma pessoa vitoriosa e conseguirá todos teus objetivos”. Não se iluda, pois não é verdade que “nos dias que restam deste ano se dissiparão todas as tuas agonias e chegará à vitória”. Preste atenção: o compromisso cristão não suplica que Deus cubra com sua luz “minha família, minha casa, meu lugar, meu emprego, minhas finanças, meus sonhos, meus projetos e a meus amigos”. Na verdade, o compromisso cristão exige que você deixe de viver para seus sonhos, seus planos e seus projetos e passe a viver para Deus, pois, como ensina a Bíblia, “o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou“ [2Coríntios 5.14,15], e justamente por isso é que quem deseja seguir a Jesus deve lmebrar o que Jesus disse:

”Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?” [Mateus 16.24-26].

Também não é verdade que “receberás um milagre amanhã” e que “dentro de quatro minutos te dirão uma notícia boa”.

Pelo amor de Deus, jogue fora esse evangelho açucarado, que promete o que Deus jamais prometeu, e gera falsas esperanças nas pessoas. Respeite o sofrimento e a dor das milhares de pessoas que, apesar de sua fé, e talvez justamente por causa de sua fé, passam fome, não têm mínimas condições de sobrevivência, sofrem as consequências de tragédias pessoais e fatalidades naturais, são vítimas de um sistema político e econômico cruel, que as condena à escravidão e a uma vida sem futuro. Lembre dos cristãos que vivem na África, na Índia, na América Latina, e nos rincões miseráveis do Brasil. Seja solidário com as minorias: os negros escravizados, as mulheres violentadas, as crianças abusadas, as populações indígenas dizimadas, os refugiados de guerra, os perseguidos políticos, os desaparecidos. Respeite a grandeza dos cristãos perseguidos e mortos sob a tirania do fundamentalismo terrorista islâmico (diferente do Islã) e dos regimes políticos ateístas. Pense um pouco se essa mensagem “vai dar tudo certo, todos os seus sonhos se realizarão, você vai receber um milagre amanhã” faz algum sentido na ala infantil do Hospital do Câncer, no campo de refugiados (mutilados) de Angola, ou nos casebres secos do sertão brasileiro.

Construa sua fé sobre um alicerce mais sólido. Por exemplo, o Salmo 22, aviltado com essa mensagenzinha “vai dar tudo certo”. Aliás, é bom lembrar que Bíblia não é um livro que pode ser manuseado por qualquer pessoa, de qualquer jeito. Da mesma maneira que não é qualquer pessoa que pode dar palpite a respeito do direito, de medicina, da engenharia, ou do marketing, também a teologia exige um mínimo de preparo, senão, muito preparo mesmo. Digo isso porque talvez o autor dessa mensagenzinha não saiba que o Salmo 22 é um dos Salmos messiânicos, que profetiza o sofrimento e o fracasso do Messias, que foi (1) abandonado por Deus e pelos homens [Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra], (2) rejeitado [Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo], (3) insultado [Caçoam de mim todos os que me vêem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim], (4) dilacerado pela dor que lhe foi brutalmente imposta [Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte. Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés], e por fim (5) cuspido na cara e crucificado como impostor.

Para esse Messias não deu nada certo. Ele não recebeu uma boa notícia quatro minutos após sua agonia no Getsêmani, e também não recebeu um milagre no dia seguinte. No dia seguinte foi crucificado.

Mas esse Messias, apresentado pelo profeta como “homem de dores, que sabe o que é padecer” [Isaías 53], “Deus exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” [Filipenses 2.9-11]. Isso sim é dar tudo certo.
Provavelmente alguém vai dizer que é isso o que a mensagenzinha quis dizer. Mas não foi. Nas linhas, pode ter sido. Mas no contexto da religiosidade popular e da subcultura evangélica, a mensagenzinha sugeriu que “os seus sonhos e os seus projetos” darão certo, e que você pode esperar para amanhã aquela resposta milagrosa de Deus para resolver seus problemas e dificuldades particulares, e que em quatro minutos você vai receber uma notícia boa, muito provavelmente trazendo a você uma benção na forma de conforto e prosperidade.

Em síntese, a mensagenzinha pode ser interessante, pode trazer uma esperança e um conforto para quem está lutando contra um sofrimento ou uma dificuldade medonha, e pode até mesmo trazer um alívio do tipo “eu sei que não é bem assim, mas é bom pensar que é, ou acreditar que pode ser”. Mas definitivamente essa mensagenzinha não tem nada a ver com o Evangelho de Jesus Cristo.
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Por Ed René Kivitz

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