quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu era então copeiro do rei


As notícias sobre a tragédia em Niterói continuam a vender jornais, ocupando as manchetes, contabilizando o número de mortos, de casas, bens perdidos e o quanto será necessário para reconstruir. Alguns buscam os culpados, iniciando uma verdadeira “caça as bruxas”, o que tenta se defender discursa contraditoriamente, causando indignação na população que se expressou durante a semana de forma pacífica através de um protesto comovente.

Outros descrevem os possíveis motivos que contribuíram para o ocorrido, falando de mudanças nos ciclos hidrológicos causadas pelo aquecimento das águas do Atlântico, tragédia climática associada à tragédia social e ainda a falta de "profetas da ecologia". Há verdade nessas reflexões e creio que devemos nos conscientizar sobre o que está acontecendo ao nosso redor, contudo afirmo que no momento precisamos ir além do que os jornais informam, do que alguns buscam e outros descrevem.

O tempo é de partirmos para ação, arregaçarmos as mangas em Viçoso Jardim, Morro do Céu, Novo México e onde mais o Espírito nos levar, servindo e definindo bem quem somos no meio desse caos, assim como Neemias ao receber notícias sobre o resto do seu povo que sobrou do exílio e que vivia em grande miséria e humilhação, com as muralhas de Jerusalém em ruínas e as portas da cidade destruídas pelo fogo, ele senta, chora enlutado e clama diante de Deus para obter êxito em prol de seu povo, sendo ele copeiro do rei; acredito que esta frase revela sua profissão, como também sua postura diante do que estava a sua volta, Neemias tinha clareza que seu papel naquele momento era servir. Temos nós a mesma clareza de que somos copeiros do Rei Jesus?

Por Rafael Hiran Morett Ramos <><
Pr. da Igreja Batista Central em Niterói

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Devocional - O poder do Evangelho


"Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”." (Rm 1.16,17 - NVI)


Podemos dizer que o apóstolo Paulo resume as boas-novas do nosso Senhor Jesus Cristo nestes dois versículos acima citado, fazendo nos lembrar que Deus escolheu primeiramente o povo judeu para ser a nação que carregaria em sua identidade a marca da promessa de ser a raça eleita.

Hoje, fazemos parte da geração eleita, a nação santa, o sacerdócio real, povo de propriedade exclusiva, a igreja adornada de Cristo, que assumiu o lugar do povo judeu, por estes rejeitarem o Messias prometido. Por isso, como parte integrante do povo que herdará o céu, não podemos nos envergonhar de anunciar as boas-novas que recebemos de nossos antepassados, pois, foi através do poder transformador do Evangelho que adquirimos nossa salvação e a garantia de sermos cidadãos do céu.

Somos tentados todos os dias pela nossa consciência a acharmos que nossa salvação será adquirida por nossos méritos humanos ou obras da lei, porém, Paulo nos evidencia que na morte e ressurreição de Cristo estava sendo revelada a justiça de Deus, que desde o gênese da criação, implantou nos corações dos grandes heróis da fé do Antigo Testamento que a promessa da vinda do Messias seria cumprida na plenitude dos tempos.

Portanto, fomos justificados por Deus, através do sacrifício de Jesus na cruz, não por nossos esforços, para que desfrutemos, por meio da fé, dessa tão grande, rica e poderosa salvação.

Por fim, nós que cremos na justiça de Deus revelada na morte e ressurreição de Seu Filho Jesus, viveremos por meio da fidelidade de Deus, e só assim, seremos reputados como justos diante de Deus e dos homens naquele grande dia que reinaremos com
Cristo.

sábado, 17 de abril de 2010

Igreja Universal ganha ação por difamação de um site de notícias


Justiça determina que o “Rondoniaovivo.com” indenize a igreja por danos morais

A Igreja Universal do Reino Deus (IURD) ganhou ação movida contra a CMP Comunicação e Assessoria Ltda., responsável pelo site de notícias “Rondoniaovivo.com”, que publicou, em 2007, a reportagem “Chicote de Cristo para os mercadores da fé”. A matéria acusa os integrantes da Universal de extorquirem seus seguidores e usar o dinheiro de doações para “engordar contas bancárias”.

A juíza Rosemeire Conceição dos Santos Pereira de Souza, da 6ª Vara Cível de Porto Velho, capital de Rondônia, julgou procedente a ação movida pela IURD, que pediu indenização por danos morais por ter sofrido, segundo a própria magistrada relatou na sentença, um “profundo abalo em sua moral e imagem como entidade religiosa, diante da publicação irresponsável e sensacionalista do artigo”.

De acordo com a gerente jurídica da Universal, Adriana Guerra, a igreja terá que receber do grupo de comunicação rondoniense R$ 6 mil. “A quantia é insignificante, mas o que vale é a Justiça ter reparado um dano que a IURD estava sofrendo. Além disso, essa decisão abre um precedente contra outras publicações tendenciosas e preconceituosas que são feitas contra a Universal”, disse a advogada.

Fonte: Arca Universal


Comentário do Reflexões do Reino: Coitado de nós, Blogueiros subversivos. Se essa moda pega, os Blogs apologéticos sofrerão repreensão por falarem a verdade. Cá entre nós, adorei o título do texto do Rondoniaaovivo.com. Em tempos angustiosos, os blogs e sites que denunciam os vendilhões têm sido verdadeiros profetas da web. E não foi para isso que os profetas veterotestamentários apareciam no cenário de Israel, onde sacerdotes e reis corrompidos enganavam o povo? Não podemos nos calar. O setor jurídico da Universal terá que gastar uma baba para processar todos os que lhes denunciam as falcatruas.

No amor de Cristo,
Junior

terça-feira, 6 de abril de 2010

Percepções


Percebi que a igreja evangélica anda a passos largos para uma decadência igual ou superior a acontecida na Europa nos idos do séc. XIX, todavia, creio nas Escrituras quando falam dos sete mil joelhos remanescentes que não se dobrarão a esse paganismo pós-moderno.

Percebi que a má formação da liderança evangélica é uma das maiores causas dessa crise desmedida em nossos guetos eclesiásticos, portanto, urge que as novas safras de líderes que se levantam sejam mais prudentes em seus ensinos e pregações, colocando a Bíblia no seu devido lugar – como primazia.

Percebi que o movimento pentecostal tem se enveredado por um misticismo exacerbado com uma junção de espiritismo carregado de feitiçaria, por isso, é mister que os pentecostais “cheios do poder” dêem menos importância ao dom de línguas e busquem diligentemente o vínculo da perfeição que é o amor. Quando isso acontecer, teremos menos gritaria em nossos cultos e mais manifestações das virtudes do fruto do Espírito.

Percebi que não agüento ficar mais de dez minutos em ambientes cúlticos de muito barulho e gritaria. Talvez, nessa minha peregrinação tenho me simpatizado mais com o tradicionalismo histórico do que pelo movimento pentecostal, porém, não sou cessacionalista, creio na manifestação contemporânea dos dons espirituais.

Percebi que o cristão que exala o bom perfume de Cristo não é aquele cheio dos dons espirituais, mas sim, aquele que é cheio do Fruto. Portanto, faz-se necessário que ensinemos aos neófitos a buscarem menos poder, fama e sucesso, pois essa trindade maldita começa pela busca desenfreada dos dons espirituais sem propósito de edificação.

Percebi que o exercício da contemplação e meditação são fontes mais eficazes de intimidade e relacionamento com Deus – pena que muitos insistem em um relacionamento (relacionamento?!) de barganha, troca e mercantilização das benesses de Deus. Enquanto isso, os mercadejantes da fé se apropriam da emotividade do povo leigo fazendo com que voltemos a Idade das Trevas onde se acreditavam que no tilintar de uma moeda no gazofilácio, uma alma era liberta do purgatório para o céu.

Percebi que os desbravadores da fé nos lançam no inferno se não retirarmos o “melhor” de nossas carteiras nos chamando até mesmo de trouxas quando ofertamos com amor e sem sentimento de toma-lá-dá-cá. Segundo os “profetas” da prosperidade, temos que dar e exigir que Deus nos retribua em dobro. Receio que a Bíblia apócrifa deles esteja isenta das palavras de Paulo aos coríntios quando diz que o nosso generoso ato de ofertar deve ser sempre voluntário, com alegria e segundo a prosperidade de cada um.

Enfim, necessário é que nossas percepções estejam cada vez mais aguçadas para que não caiamos nas sutilezas dos lobos travestidos de pastores, pois o que Jesus disse sobre matar, roubar e destruir (Jo 10.10) nada tem a ver com o diabo e sim com os mercenários, ladrões e salteadores da fé.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Páscoa


Estamos nos aproximando da Páscoa. Essa data nos recorda muitos chocolates. Mas seu verdadeiro significado não está no coelhinho nem nos chocolates.

Quando chegamos perto desta data tão festiva para os judeus, somos levados a relembrar daquelas intervenções divinas feitas por Yahweh no êxodo do Egito para uma terra que manava leite e mel.

Para nós, igreja hodierna, a Páscoa tem um significado parecido com a comemoração dos hebreus – libertos do mundo (Egito) para serem livres para Deus. E quando nos retratamos para esta data, a ressurreição de Cristo é o ápice de toda esta história. Uma manhã de domingo muda a história da humanidade.

Penso que se Cristo apenas morresse e não ressuscitasse, seus ensinamentos de nada valeriam. Seria apenas um mártir como Martin Luther King Jr., Mahatma Gandhi e outros que revolucionaram a história de suas nações. Mas como bem disse Paulo: “E, se Cristo não ressuscitou logo é vã a nossa pregação, e também é vã a nossa fé”.

Mas quando olhamos para aquilo que se transformou a Páscoa em nossos dias, fico perplexo como a mídia faz um chamariz para a venda de produtos que nada tem haver com aquilo que significa minha libertação de um mundo tenebroso. Na verdade, bem que a mídia tentou reproduzir esses seus simbolismos para dentro do cristianismo, mas infelizmente para eles (mídia), não colou. Esses símbolos nada reproduzem os mistérios do novo nascimento. Dizem que o ovo fala da existência da vida, que logo está intimamente ligado ao nascimento. Pura balela.

Já os coelhinhos, representam animais com capacidade de gerar grandes ninhadas; sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de produzir novos discípulos constantemente.

Bem, se fosse essa a intenção da mídia em fazer esses paralelos, poderia até que surtisse algum efeito para o cristianismo. Mas a mensagem central do Evangelho de Cristo está sendo apagada por uma mentalidade brasileira, que tudo que vem de fora é acrescido a nossa cultura. Recebemos uns "enlatados" do exterior que se reflete até em nossas mensagens, sermões e pregações.

Portanto, voltemos logo à mensagem central do Calvário. Lembremos daquela manhã de domingo quando o sepulcro de Jesus já estava vazio. Lembremos daquelas palavras dos varões com roupas reluzentes às mulheres no sepulcro: “Por que buscais o vivente entre os mortos? Não está aqui, mas ressuscitou.”

quarta-feira, 24 de março de 2010

Estou no meu limite

Gosto da coragem com que o Pr. Ricardo expressa seus sentimentos e dilemas. Falta-nos, em tempos hodiernos, profetas como ele. O texto abaixo salienta aquilo que há de mais nebuloso em nossos arraiais e expressa o sentimento deste humilde editor do Reflexões do Reino.

"Sei que existem pessoas sérias entre os evangélicos. Estou consciente de que mais de sete mil profetas ainda não se dobraram a Baal. Não esqueço o nobre testemunho dos que me precederam na militância da fé. Mas sinceramente, não dá...

Não dá para ver o avanço de vigaristas e charlatões prometendo cura divina, prosperidade financeira, solução de problemas conjugais, em troca de ofertas. Não suporto assistir a três minutos de programa de rádio ou de televisão. Sinto náusea com a postura arrogante de falsos profetas que oscilam entre camelôs religiosos e doces professores de Bíblia.

Não dá para lidar com a falta de responsabilidade humana dos fundamentalistas que celebram desastres naturais como sinais inequívocos do pecado ou do fim do mundo. Não tenho mais estômago para ouvir professores de teologia, forjados em seminários de segunda linha, criticando livros que nunca leram ou teólogos que não conseguem citar duas obras. Tenho medo quando discursam na defesa da “reta doutrina”.

Não dá para lidar com a inveja de sacerdotes que voam como abutres à espera de que alguém tropece. O mundo evangélico está repleto de líderes que jamais conseguiriam sobreviver no mundo empresarial, mas vivem de condenar os outros. Preguiçosos e despreparados, adoram praticar tiro ao alvo. Incompetentes, carregam a marca de Caim. Os piores, mimetizam comportamentos moralistas, copiam afirmações heterodoxas e se especializam na defesa das tradições denominacionais.

Não dá para lidar com o ufanismo das falsas onipotências. Na corrida pelos primeiros lugares no Olimpo dos ungidos, sobram narcisistas. Não agüento as empreitadas mundiais, os projetos, as campanhas, que “vão mudar o mundo”. Esses falsos heróis instumentalizam o povo em nome de suas megalomanias. Usam e abusam da boa-fé de quem quer fazer alguma coisa pela humanidade. Só que os recursos doados com sacrifício acabam diluídos na máquina, sugados pela volúpia de poder e investidos em mais propaganda para alardear como são especiais.

Não dá para lidar com a repetição enfadonha de chavões. Cansam as frases prontas, os conceitos batidos e repetidos, que já não transmitem valor algum. A grande maioria dos púlpitos evangélicos é de uma mesmice estupidificante. Os hinos reciclam poesias gastas; os sermões começam e terminam com a promessa de bênção.

Já escrevi que andava cansado com o meio. Já pedi para não ser classificado como “evangélico”. Agora não sei mais o que dizer. Talvez precise continuar batendo na mesma tecla, não dá, não dá, não dá..."

quinta-feira, 18 de março de 2010

21 mil acessos


Glórias a Deus nas alturas!!!

O Blog Reflexões do Reino completou 2 aninhos na web e estamos profundamente felizes pela marca que atingimos neste fim de semana.

Chegamos a um score de 21 mil acessos. Essas visitas compreendem irmãos de todas as localidades do Brasil e do mundo – e o que iniciou como indignação ao sistema evangélico brasileiro, tornou-se um hobby prazeroso.

Salientamos a presença maciça dos portugueses, americanos, japoneses, alemães, angolanos, italianos, suíços, franceses, romenos e peruanos, encabeçando a lista dos 10 países que mais nos visitam por esse mundão a fora.

Tratamos dos assuntos mais diversos possíveis, passando pela política, mídia, religião e humor, fazendo sempre links com a espiritualidade cristã.

Neste mundo da blogosfera muitos amigos virtuais foram feitos e nos edificamos mutuamente com os blogs parceiros. Aprendi a lidar com a opinião contrária e principalmente respeitar os que não concordam com nossos posicionamentos.

Prêmios diversos foram recebidos em forma de selos carinhosos como prova de que nosso trabalho não tem sido vão diante do Senhor.

Vale ressaltar que o mundo da blogosfera é muito vasto e o Reflexões do Reino não tem intenção nenhuma de angariar acessos por competitividade, mesmo porque, 21 mil acessos é muito pouco levando em consideração os catedráticos blogueiros que conseguem em apenas um dia mais de mil visitas.

Somos apenas uma gotinha no oceano da blogosfera e isso já nos deixa motivados em contribuir para o Reino de Deus escrevendo e protestando contra as mazelas que acontecem no meio dos que se dizem cristãos.

Longe de mim apresentar-me para nosso leitor como um puritano, mas de uma coisa tenho certeza: Caráter não pode faltar. Talvez a imagem que passamos ao leitor que não nos conhece é de um rebelde agressivo, portanto, são somente impressões.

Amo meu Senhor Jesus o qual me redimiu e me deu vida, e quanto mais vejo as atrocidades que fazem com a igreja de meu Senhor, mais indignado fico, e as reflexões ficam sempre mais picantes e apimentadas.

Agradecemos a você, blogueiro, internauta, cristão ou não, que dispõe de seu tempo para caminhar lado a lado conosco sempre acompanhando nossa odisseia cristã em busca de um relacionamento mais sincero com o Autor da vida.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ensaio sobre o Neopentecostalismo


Um historiador já afirmou que o poder não convive com o vácuo, mas com o vazio. Foi exatamente isso que ocorreu com a Igreja Evangélica Brasileira no fim dos anos 80 e início dos 90. O pentecostalismo explodia, seus templos se multiplicavam pelo país e atraiam verdadeiras multidões. Estavam colocadas as condições para o surgimento de uma nova liderança, voluntariosa, de homens prontos para fazer a obra do Senhor.

Alguns desses novos líderes haviam saído da Assembléia de Deus, tinham uma base sólida, pois haviam crescido através da oração. Mas entre eles também contavam-se homens que converteram-se há pouco, estavam fora e foram atraídos pelo crescimento extraordinário do Evangelho. Queriam fazer parte disso e aí decidiram criar seus próprios ministérios. Movimentos como a ADHONEP (Associação dos Homens de Negócio do Evangelho Pleno) serviram de plataforma para projetá-los. O aparecimento dessa nova liderança coincide com uma importante mudança ocorrida no fim dos anos 80. Até então havia uma concentração de fiéis nas classes menos favorecidas (C, D e E). Com o surgimento dos neopentecostais, o Evangelho começa a ter penetração também nas classes A e B.

Inicia-se aí um processo, por assim dizer, de elitização da fé. Essa mudança é sintomática, uma vez que a partir desse instante uma corrente doutrinária especial vai se tornando prevalente, cuja ênfase vai estar exatamente na bem-aventurança material do crente e na pregação do sucesso como intrínseco à condição de filho de Deus. Surgida na esteira do crescimento dos pentecostais, a nova liderança precisou disputar espaço com a estrutura tradicional de poder da Igreja Evangélica Brasileira. A velha liderança, contudo, não estava preparada para absorvê-la nem aceitar seus métodos. Via com desconfiança esses “crentes” vindos de fora, impactados pela mensagem do Evangelho, desejosos de por fogo no mundo, mas sem paciência para aprender. Sem se intimidar, os novos líderes não perderam tempo: iniciaram ministérios, abriram suas próprias igrejas e foram para a mídia. Assim teve início a ascensão meteórica dos neopentecostais.

O que, afinal, há de errado com essa nova liderança? Embora honestos em sua fé, seus representantes não se livraram dos vícios sincréticos da cultura brasileira. Daí seus ministérios serem sincréticos, com uma pregação também sincrética. Pentecostais no discurso, pregam parte das ênfases evangélicas, mas pagam tributo à herança católica e espírita populares. Carecem de ciência teológica para separar as coisas. Os que identificam no discurso neopentecostal a união espúria entre fé e superstição, denunciam como heréticos seus propagadores. Escandalizados, batem a porta na cara deles. E declaram: “Vamos parar por aí, isso já passou dos limites”. Os que assim agem falam a partir do conhecimento que possuem da história e da teologia da Igreja Evangélica Brasileira. O que os preocupa é menos a polêmica do que a integridade da fé; mais a defesa do Evangelho do que a prerrogativa de ser histórico.
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Talvez nenhum outro país tenha um caldo cultural tão complexo quanto o Brasil. Somos miscigenados. Uma raça que é todas e nenhuma. O efeito desse mosaico de traços culturais díspares revela-se mais fortemente em nossa religião, acentuadamente sincrética. Esta é uma constatação assustadora. No Brasil, afirma Ricardo Gondim, em seu livro O Evangelho da Nova Era, “negros, europeus e nativos deixaram de ser africanos, brancos e índios para assumirem simplesmente uma nova identidade”. E completa: “Se esta peculiaridade ajudou para que o Brasil tivesse uma só língua, uma só cozinha, contribuiu também para que nascesse uma religião nova, autenticamente nacional”.

O movimento neopentecostal se fortalece precisamente desse sincretismo religioso, desse ambiente indistinto, no qual as “verdades” não se excluem, antes se reforçam. Numa religião sincrética o Evangelho ganhará todos e nenhum sentido na boca de católicos, espíritas e evangélicos. É a fé a la carte! Todos os componentes místicos autênticos do Cristianismo como que se diluem, perdem sua força em contato com elementos espúrios que tem apelo menos à razão do que ao coração, capturam mais a imaginação do crente do que sua capacidade de pensar. A superstição toma o lugar da fé, o transcendente dá lugar ao esotérico, o espiritual confunde-se com o oculto. Entramos na esfera do sobrenatural, mas não necessariamente na presença de Deus.

Extraído do livro "É tempo de refletir" de Ariovaldo Ramos e Ricardo Bitún.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tudo isso me incomoda


Taí um texto que gostaria de ter escrito. Essa doce inspiração veio de nosso caro Ricardo Mamedes, adaptado com outro título.
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Algo me incomoda muito nas igrejas evangélicas. E me incomoda em particular na minha igreja, a qual congrego. É certamente difícil falar sobre o assunto, pois alguns membros dessa minha igreja leem este blog. O que fazer? Paciência...

Gosto de primar pela verdade sem subterfúgios, sem meias palavras. É bom explicitar que o que direi não revela qualquer crítica aos pentecostais de qualquer denominação, mesmo porque essa diferenciação entre pentecostais e tradicionais se não é inexistente está bem tênue. Por exemplo, sou batista tradicional, porém, a igreja em que congrego é muito mais pentecostal do que muitas pentecostais hoje tidas como históricas, a exemplo da Assembléia de Deus. Isso é bom? Não sei. Só penso que não é muito ético querer desmontar as bases de uma denominação centenária, implodindo-a, a fim de impor uma nova liturgia. Mais fácil seria mudar de denominação e tanto mais ético, uma vez que gozamos de plena liberdade de escolha nesse sentido.

Todavia, ainda não entrei no assunto que aqui me traz. 'Voilá'! Afiem as espadas tantos quantos queiram debater (brincadeira)! Incomodam-me certas atitudes, alguns costumes inseridos na igreja a pretexto da busca de uma espiritualidade "diferenciada", uma espiritualidade "real", sinônimo do "verdadeiro" sobrenatural de Deus. Essa tal espiritualidade é evidenciada e materializada por poucos dentro da igreja, mas facilmente verificável pela altissonante maneira com que dão "glórias a Deus" e "aleluias". Não que eu tenha qualquer tipo de preconceito contra essas manifestações. É que o incômodo se manifesta quando observo que são sempre "os mesmos". Nesse momento tais atitudes podem levar-me a pecar, uma vez que no meu íntimo não consigo apreender qualquer autenticidade nas tais manifestações...

Incomoda porque é algo como uma "ave maria" rezada ou recitada por católicos: não transmite verdade. Incomoda mais ainda quando observo que, além de ser sempre os mesmos, as mesmas figurinhas carimbadas, são também os que vendem uma grande espiritualidade para os irmãos. Os mesmos que vão aos "montes" para "interceder", materializando uma verdadeira proximidade física com o Criador, a exemplo daqueles que inauguraram a "babel". O meu medo é que Deus imploda as suas "torres"...

Esses irmãos "ungidos" - eles querem ser vistos assim - desfilam pela igreja como se fossem seres semi-celestiais. Quando se assenhoreiam do microfone e postam-se no púlpito, como que sofrem uma transfiguração: assumem um novo brilho, uma nova tonalidade de voz, até certos "sotaques" diferenciados. Em suma, ficam mesmo irreconhecíveis.

Incomoda, ah como isso incomoda...

Normalmente os tais ungidos são também aqueles mesmos que abraçam todas as novidades "doutrinárias", especialmente se com "tonalidades" neopentecostais. Buscam novos "sinais e prodígios", mas pouco sabem da Palavra inerrante. Necessitam da emoção, do arrepio, do êxtase, sob pena de não se reconhecerem como "movidos pelo espírito". Consideram-se muito mais espirituais do que aqueles que apenas reconhecem no Criador o Todo-Poderoso, o Senhor de suas vidas, o motivo das suas miseráveis existências, pois "estes tais" são apenas "crentes racionais", frios.

Tudo isso incomoda, confesso...

São esses mesmos que escancaram as portas das igrejas e denominações (mesmo históricas) para as "novidades": atos proféticos, evangelhos da autoajuda, autoestima, triunfalismo, prosperidade, etc. E eles nunca aprendem, ainda quando vivem o erro que se torna manifesto; ainda quando as suas condutas pretéritas se transformam em nada no futuro. Mesmo quando o "profeta" é desmascarado eles ainda querem o "mover", buscando esse "avivamento" insaciável, porque a Palavra já não mais lhes basta. A Espada da Verdade não causa arrepios, tremores, rugidos, sons ininteligíveis.

A busca é mesmo incessante, já é preciso ver, ao invés de sentir somente. Necessitam "materializar" a fé em "óleos" para ungir, como se Deus estivesse naquela substância; querem a luta dualista com satanás e seus demônios, lutando nessa guerra titânica, onde são plenamente "observados" pelos irmãos e reconhecidos como uma quase "casta" superior.
Incomoda, sim, incomoda...

Tenho falado com a minha esposa que chegará o dia, infelizmente, em que será difícil congregar em uma igreja realmente comprometida com a Verdade bíblica. Uma igreja que, para buscar os dons, não tenha que se conspurcar com a mentira ; uma igreja em que a pregação do Evangelho de Cristo seja a centralidade e não o marginal, seja a essência e não o complemento.
O que me consola e ainda me sustenta é saber que a Igreja de Cristo, a invisível, está além das paredes, está em cada coração tocado pela graça irresistível, em cada vida transformada, em cada atitude de veneração autêntica; sem mostras, sem palavreados patéticos, sem fleumas no púlpito, sem o culto da aparência para receber o brilho dos holofotes.

Essa Igreja invisível, Corpo de Cristo, não me incomoda, mas, ao contrário, me alimenta com alimento sólido e substancial.

A todos aqueles que fazem parte deste Corpo, desta Igreja, recebam o meu abraço, sintam-se irmanados e em verdadeira comunhão naquEle que nos salvou!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Deus depois do Haiti: a pedagogia do bagaço


A teologia depois do Haiti precisa mudar! Não podemos mais enxergar Deus cuspindo ódio soberano sobre humanos indefesos num encontro mortal de placas tectônicas, mas sim, enxergá-lo em cada debilitado que vence assombrosamente o tempo e sai, com vida, dos escombros. Precisamos ver Deus na vida, não no desespero teológico, fantasmagórico, das milhares de mortes. Não precisamos que pessoas morram para que nossa teologia se fortaleça. Se nossa teologia se legitima na desgraça dos outros, não é teologia, é sadismo.

É preciso destruir a teologia da confusão. Confundir a justiça de Deus com vinganças rasteiras de seres "humanos" mesquinhos em seu fundamentalismo alienante é subestimar o caráter de Deus. Confundir o desastre haitiano com "julgamento" divino por causa da religiosidade (leia-se expressão religiosa) é abortar o amor - e com isso - o próprio ser de Deus, pois a Bíblia afirma que "Deus é amor" (I Jo. 4. 8). Con-fundir Deus com a teologia da igreja é o cúmulo da pretensão. É a ignorância institucional.

Nossa teologia não define Deus: define o que pensamos (e queremos desesperadamente que seja verdade) sobre Deus. Uma teologia burocratizada e neurotizante tenta esboçar um Deus "amoroso" apenas enquanto andamos sob suas rédeas. Aliás, rédeas que a própria igreja (sempre a instituição) faz questão de inventar e fornecer. Daí vem nossa monstruosa incapacidade para lidar com quem falha, erra, fracassa, perde, peca, pisa na bola; com os hereges, os oprimidos, os desajustados, os falsos, os impostores. Fica absurdamente difícil colocar no mesmo abraço o Deus da teologia sufocante da igreja com a liberdade intrigante dos homens. O Éden ainda é um passeio distante. É nosso insistente problema com a graça.

Depois do Haiti, Deus não pode mais ser teologizado na masmorra da verborragia. Ou Deus é encarnado nas fúrias da vida, ou não é Deus (pelo menos, não é o bíblico). Não podemos mais nos satisfazer em pregar sermões belíssimos de uma oratória sem desdobramentos práticos, nos púlpitos confortáveis de nossas catedrais. É preciso sujar os pés nos escombros da história. Já não se trata de teologia, mas de pedagogia! É aprender de Deus, com os filhos de Deus, no mundo de Deus.

É preciso olhar por uma outra teologia: talvez uma ecoteologia. É a luta pela preservação do meio ambiente (luta que o "mundo" já faz). É a prevenção das tragédias. A minimização do que, às vezes, é inevitável. É enxergar Deus não apenas evitando o inevitável, em suas demonstrações abusivas de poder, mas ajudando-nos no esforço humano das re-construções, demonstrando seu amor. Ecoteologia é o não-desperdício da água e dos outros recursos naturais. É a denúncia furiosa do consumismo e do materialismo. A denúncia da corrupção. Da maldição do plástico nos rios e mares.

Que fique sob os escombros do Haiti todas as (des)construções teológicas de um Deus tirano, cruel, vingativo, mesquinho e burocrata. Que fique sob os escombros do Haiti toda a hipocrisia dos que se dizem cristãos mas não querem ter o coração do Cristo. Que fique no passado aquela teologia maldosa (via Pat Robertson) que descaracteriza o rosto belo de Deus, aquele que Zilda Arns mostrou tão bem.

O futuro é agora.

Até mais...


Por Alan Brizotti

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Caio Fábio fala sobre "a queda" de peito aberto

O Rev. Caio Fábio fala pela primeira vez , de peito aberto, sobre o episódio que ficou conhecido no meio evangélico como "a queda".

Caio vai direto ao ponto, sem rodeios, e não busca escamotear o erro.



Para todos os que viveram e acompanharam este episódio marcante, esta gravação encerra um ciclo com a declaração do HOMEM diante das suas limitações. Eu confesso que me emocionei com o relato. Na declaração de fragilidade eu vi a força de um gigante em humanidade, coragem e honestidade.

Contudo, não foi por isto apenas que eu publiquei esta gravação.

A minha motivação segue na mesma direção do autor: O alerta para os perigos da desHUMANIZAÇÃO dos servos de Deus e a nossa tendência a nos gloriar em homens.
Reservem um tempo hoje para orar pela vida de seus pastores e de suas famílias.
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Fonte: Genizah

sábado, 23 de janeiro de 2010

Um Jó contemporâneo


Em tempos angustiosos onde nossos púlpitos evangélicos só se propagam vitórias e triunfalismos baratos, deixo para meus leitores uma saga de um sofredor extraída do livro "Decepcionado com Deus" de autoria de Philip Yancey, que certamente nos fará enxergar a vida de um forma bem diferente.

"Enquanto trabalhava neste livro, tomei o cuidado de me encontrar freqüentemente com pessoas que se sentiram traídas por Deus. Enquanto eu escrevia, desejava ter constantemente diante de mim rostos de verdade, de pessoas decepcionadas e em dúvida. Quando chegou a hora de escrever sobre o Livro de Jó, decidi entrevistar uma das pessoas cuja vida mais faz lembrar a de Jó, um homem a quem chamarei de Douglas.

Para mim Douglas parece "justo" no mesmo sentido de Jó: naturalmente não é perfeito, mas é um modelo de fidelidade. Depois de anos de estudo teórico e prático em psicoterapia, abriu mão de uma lucrativa carreira para poder iniciar um ministério urbano. Os problemas de Douglas tiveram início alguns anos atrás quando sua esposa descobriu um tumor no seio. Médicos operaram-na e removeram aquele seio, mas dois anos depois o câncer tinha-se espalhado para os pulmões. Douglas assumiu muitas tarefas domésticas e maternais à medida que sua esposa lutava contra os efeitos debilitantes da quimioterapia. Algumas vezes ela não conseguia segurar comida alguma no estômago. Perdeu o cabelo. E sempre se sentia cansada e vulnerável ao medo e à depressão.

Certa noite, no meio dessa crise, quando Douglas estava descendo uma rua da cidade, ao volante do carro e tendo junto a esposa e a filha de doze anos de idade, um motorista bêbado, em sentido contrário, veio ziguezagueando pela rua e bateu frontalmente neles. A esposa de Douglas ficou bastante chocada, mas não se feriu. A filha teve um braço quebrado e cortes profundos no rosto por causa do vidro do pára-brisa. O próprio Douglas experimentou o pior, recebeu uma fortíssima pancada na cabeça.

Depois do acidente, Douglas nunca sabia quando podia ter um ataque de dor de cabeça. Ele não conseguia trabalhar um dia todo, e às vezes ficava desorientado e esquecido. Pior ainda, o acidente afetou permanentemente sua visão. Um dos olhos se movia sem controle, recusando-se a focalizar. Passou a ter visão duplicada e mal podia descer um lance de escadas sem ajuda. Douglas aprendeu a conviver com todas as suas limitações à exceção de uma: ele não conseguia ler mais do que uma ou duas páginas de cada vez. A vida inteira ele tinha amado os livros. Agora estava preso aos livros gravados, produzidos para cegos.

Quando telefonei para o Douglas para solicitar uma entrevista, ele sugeriu que nos encontrássemos para um café da manhã; e, quando o dia marcado chegou, eu me preparei para uma manhã difícil. Até então eu tinha entrevistado uma dúzia de pessoas e tinha ouvido todo o tipo de desilusão com Deus. Se alguém tinha o direito de estar irado com Deus seria Douglas. Exatamente naquela semana sua esposa havia recebido um relatório desanimador do hospital: uma outra mancha surgira em seu pulmão.

Enquanto serviam-nos a comida, nós nos familiarizamos um com o outro, contando detalhes de nossas vidas. Douglas comia com grande concentração e cuidado. Óculos espessos corrigiam parte dos seus problemas de visão, mas era necessário muito esforço em focalizar apenas para poder levar o garfo à boca. Eu me forcei a olhar diretamente para ele enquanto conversávamos, tentando ignorar a distração do seu olho rebelde. Finalmente, quando terminamos a refeição e fizemos sinal à garçonete para pedir mais café, descrevi meu livro sobre decepção com Deus.

— O que você teria a dizer sobre a sua própria frustração ou desilusão? — perguntei. — O que você aprendeu que possa ajudar outra pessoa que esteja atravessando um período difícil?
Douglas esteve em silêncio pelo que pareceu um longo tempo. Cofiou sua barba grisalha e seu olhar se perdeu na distância. Por um instante fiquei imaginando se ele estava tendo um "branco" mental. Finalmente disse:
— Para dizer a verdade, Philip, não senti qualquer desilusão com Deus.

Fiquei surpreso. Douglas, de forma marcantemente honesta, sempre havia rejeitado fórmulas fáceis, como os testemunhos do tipo "Conte a bênção" que aparecem em programas religiosos na televisão. Esperei que explicasse.

— A razão é a seguinte. Aprendi, primeiramente com a enfermidade da minha esposa e então especialmente com o acidente, a não confundir Deus com a vida. Não sou nenhum herói. Fico tão perturbado com o que me aconteceu como qualquer outra pessoa ficaria. Eu me sinto livre para amaldiçoar a injustiça da vida e para dar vazão a toda minha tristeza e ira. Mas creio que Deus sente a mesma coisa quanto àquele acidente — entristecido e irado. Não o culpo pelo que aconteceu. Douglas prosseguiu:
— Aprendi a ver além da realidade física deste mundo. Vejo claramente a realidade espiritual. Nossa tendência é pensarmos: "A vida deve ser justa porque Deus é justo." Mas Deus não é a vida. E, se eu confundo Deus com a realidade física da vida — ao esperar, por exemplo, constante boa saúde — então me coloco na posição de ter uma decepção enorme. A existência de Deus, até mesmo seu amor por mim, não depende de minha boa saúde. Com toda franqueza, tive mais tempo e oportunidade para desenvolver meu relacionamento com Deus durante esse tempo de limitações físicas do que antes.

Havia uma profunda ironia naquela cena. Por meses eu estivera absorto com os fracassos na fé, tendo saído em busca de histórias de pessoas desapontadas com Deus. Eu havia escolhido Douglas como o meu Jó contemporâneo, e havia esperado dele uma amargurada explosão de protesto. A última coisa que eu esperava era um curso superior de aperfeiçoamento na fé.

— Se desenvolvermos um relacionamento com Deus independente das circunstâncias de nossa vida — disse Douglas —, então poderemos ser capazes de ficar firmes quando a realidade física se desmoronar. Podemos aprender a confiar em Deus apesar de toda a injustiça da vida. Não é essa a lição principal de Jó?

Embora a separação rigorosa que Douglas fazia entre a "realidade física" e a "realidade espiritual" me incomodasse, achei intrigante essa sua idéia. Durante os momentos que se seguiram trabalhamos juntos percorrendo a Bíblia, testando suas idéias. No deserto do Sinai as garantias divinas de sucesso físico — saúde, prosperidade e vitórias militares — nada fizeram para ajudar o desempenho espiritual dos israelitas. E a maioria dos heróis do Antigo Testamento (Abraão, José, Davi, Elias, Jeremias, Daniel) passaram por tribulações muito parecidas com as de Jó. Para cada um deles, eventualmente a realidade física com certeza parecia apresentar Deus como o inimigo. Mas cada um conseguiu apegar-se a uma confiança nele apesar das dificuldades. Com isso sua fé deixou de ser uma "fé contratual" — seguirei a Deus se ele me tratar bem — para ser um relacionamento que podia transcender qualquer dificuldade.

De repente Douglas deu uma olhada no relógio e percebeu que já estava atrasado para um outro encontro. Apressadamente vestiu o casaco e se pôs em pé para sair, e então se inclinou e disse um último pensamento:
— Desafio você a ir para sua casa e ler de novo a história de Jesus. A vida foi "justa" com ele? Para mim, a cruz acabou definitivamente com a crença enraizada de que a vida será justa.

Quando cheguei a casa, segui o conselho de Douglas e mais uma vez percorri os Evangelhos, imaginando como Jesus teria respondido à pergunta: "A vida é injusta?" Em lugar algum o encontrei negando a injustiça. Quando Jesus encontrava uma pessoa enferma, jamais fazia uma palestra do tipo "aceite a vida como ela é"; ele curava quem quer que o procurasse. E suas palavras incisivas quanto aos ricos e poderosos de sua época mostram claramente o que pensava das desigualdades sociais. O Filho de Deus reagiu à injustiça da vida de modo bem parecido como qualquer outra pessoa. Quando encontrava uma pessoa sofrendo, ficava profundamente tocado. Quando seu amigo Lázaro morreu, ele chorou. Quando o próprio Jesus se defrontou com o sofrimento, retraiu-se, três vezes perguntando se havia alguma outra saída.
Deus respondeu à pergunta sobre a injustiça não com palavras, mas com uma visita, uma Encarnação. E Jesus oferece uma prova de carne e osso de como Deus se sente quanto à injustiça, pois ele vestiu a "matéria" da vida, a realidade física no que tem de mais injusto. (Ocorreu-me, enquanto lia os Evangelhos, que, se todos nós da Igreja gastássemos nossas vidas tal como ele fez — ministrando aos doentes, alimentando os famintos, resistindo aos poderes do mal, consolando aqueles enlutados e levando as Boas Notícias de amor e perdão — então talvez a pergunta "Deus é injusto?" não fosse feita hoje em dia com tanta urgência.)"

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Auréolas tortas

Um homem entrou no escritório do medico e disse:

— Doutor, tenho uma terrível dor-de-cabeça que nunca vai embora. O senhor poderia me receitar alguma coisa para ela?
—Sim — disse o médico, — mas quero checar algumas coisas antes.
Diga, você bebe muita bebida alcoólica?
—Álcool? — disse o homem, indignado. — Nunca chego perto dessa porcaria.
—Fuma, então?
—Acho cigarro nojento. Nunca na minha vida provei um.
—Fico meio constrangido de perguntar isso, mas... sabe como alguns homens são... você vive aí pela noite?
—Claro que não! Quem o senhor acha que eu sou? Estou na cama toda noite antes das dez.
—Diga-me uma coisa — pediu o médico. — Essa sua dor-de-cabeça é de um tipo agudo e penetrante?
—Isso mesmo — disse-lhe: uma dor aguda e penetrante.
—Então é simples, meu caro. Seu problema é que a sua auréola está apertada demais. Só precisamos soltá-la um pouquinho.

O problema com nossos ideais é que, se vivermos de acordo com todos eles, nos tornamos pessoas com as quais é impossível se conviver. A auréola torta do pecador salvo é vestida com folga e com graça fluente. Descobrimos que a cruz realizou muito mais do que revelar o amor de Deus. O sangue do Cordeiro aponta para a verdade da graça: o que não podemos fazer por nós mesmos Deus fez por nós. Na cruz, de alguma forma, de alguma maneira, Cristo levou sobre si nossos pecados, assumiu nosso lugar, morreu por nós. Na cruz, Jesus desmascara o pecador não apenas como mendigo, mas como criminoso diante de Deus. Jesus Cristo tomou sobre si nossos pecados e levou-os embora. Não somos capazes de lavar a mancha de nossos pecados, mas ele é o Cordeiro que tira o pecado do mundo. O pecador salvo pela graça é assombrado pelo Calvário, pela cruz e especialmente pela pergunta: Por que ele morreu? Uma indicação vem do Evangelho de João 3:16: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna".
Outra indicação da declaração de Paulo em Gálatas: "[ele] me amou e a si mesmo se entregou por mim". A resposta está no amor.
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Extraído do livro "O Evangelho Maltrapilho"
Brennan Manning


sábado, 16 de janeiro de 2010

Aprenda a interpretar

Chegou a sua vez de aprender a interpretar! Conheça o livro digital INTERPRETARE.
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Por meio de vídeos, áudios, interatividade, você se tornará hábil e competente na interpretação de diversos tipos e gêneros textuais.

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Desejamos um bom aprendizado.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Chamados para julgar


Cristo diz para nós: “Não julgueis, para que não sejais julgados, por que com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mc 7.1,2).

Todavia, o que Ele quis dizer com essas palavras? Será que teve a intenção de afirmar que fazemos um favor a nós mesmos não fazendo nenhum julgamento visto que tais julgamentos voltarão contra nossa própria vida? É claro que não!

Podemos estar certos de que Jesus não estava ensinando que não devemos fazer julgamentos! Dizer como alguns, que deveríamos levar “ao pé da letra” e nutrir um espírito de unidade e apaziguamento é não seguir os ensinamentos de Cristo; dizer que deveríamos ter uma atitude tolerante, que nunca expresse opiniões sobre o que os outros crêem e fazem é não seguir os ensinamentos de Cristo.

O argumento que declara ser a unidade mais importante que a verdade e o amor mais importante que a doutrina correta, está errada em seu âmago.

Considere o contexto imediato das palavras de Jesus: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem” (v.6). Como podemos obedecer a estas instruções, a menos que saibamos reconhecer os cães e os porcos?

Jesus estava fazendo uma declaração poderosa sobre a necessidade de discriminação, a fim de distinguir entre o que é limpo e o que é sujo, e avaliar o que é sábio e o que é tolo. Tudo isso pressupõe que devemos fazer BONS JULGAMENTOS.

Agora olhe para o contexto mais remoto: “Acautelai-vos porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (v.15).

Como podemos nos precaver dos falsos profetas, a menos que possamos identificá-los? Supõe-se que procuremos certas marcas distintivas dos falsos mestres de modo que possamos evitá-los e advertir aos outros.

Apenas alguns versículos mais adiante, Jesus fez uma observação mais surpreendente: “Nem todo que me diz Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? E, em teu nome não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (vs 21-23).

Aqui, temos uma forte declaração sobre a presença de falsos profetas que aparentemente fazem milagres maravilhosos, porém, não entrarão no céu no dia do julgamento.

Podemos estar errados em muitas coisas, mas não erremos acerca dos falsos mestres e suas doutrinas perniciosas!!

Paulo, o escritor de muitos livros do Novo Testamento, concordava com Jesus sobre a necessidade de fazer julgamento. Quando os crentes em Corinto não disciplinaram um homem imoral, o apóstolo disse que ele tinha julgado o transgressor, e que a igreja faria bem em excluí-lo da congregação, “para que o espírito seja salvo no dia do Senhor” (1 Co 5.4). Como a igreja pode exercer tal autoridade a menos que se façam julgamentos?

No capítulo seguinte, Paulo ensinou que os crentes não deveriam processar seus irmãos em Cristo na presença de juízes mundanos, por que os líderes da própria igreja deveriam tratar tal disputa. Ele escreveu: “Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por nós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1 Co 6.2,3). Mas adiante o apóstolo afirma que eles deveriam ficar envergonhados por não poderem julgar sabiamente tais questões.

Isso aconteceu por quê? Porque abandonaram a Palavra. Infelizmente, em muitos casos, os cristãos nem mesmo tentam voltar-se para a Palavra de Deus; simplesmente a ignoram.

Numa época em que homens se auto-proclamam apóstolos; numa época em que o misticismo invadiu o evangelicalismo; numa época em que a igreja está cheia de superstições; numa época em que o dinheiro se tornou o deus e a busca das pessoas nas igrejas; as pessoas dizem que não devemos julgar???

Se há uma época em que precisamos de instrução sobre fazer julgamentos, essa época é HOJE!!!

Então o que Jesus quis dizer quando declarou: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt 7.1). Dizendo em poucas palavras, Ele estava ensinando que não devemos fazer julgamentos hipócritas. Não devemos ser fariseus, que, por gostar de julgar, julgavam as coisas erradas; ou até quando faziam julgamentos certos, os faziam pelas razões erradas. Eles exibiam um tom cheio de si mesmo em tudo que faziam e diziam. Poderíamos dizer que Jesus está nos advertindo: “Não sejais fariseus, mas façais julgamentos justos”.

Como podemos nos precaver do farisaísmo, de um lado, e da credulidade descuidada e tola de nossos dias? Como saber o que deve ser julgado e como os julgamentos devem ser feitos? Quais os parâmetros a nos guiar? Estas questões devem ser tratadas. Lembre-se de que a palavra JULGAR significa exercer discernimento; às vezes pode significar condenar; e outras vezes, ambas as idéias estão presentes. Porém, é evidente que Jesus não está ensinando que todo julgamento é errado.

JULGAMENTO, OU DISCERNIMENTO, ACHA-SE NO ÂMAGO DA VIDA CRISTÃ.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Estou convencido


Estou convencido que o movimento evangélico brasileiro vive uma crise ética desmedida – os discursos destoam na prática. Urge que a nova safra de líderes atentem para a formação de seus carateres; o nome de Jesus tem sido difamado, e a culpa é exclusivamente nossa.

Estou convencido que quando Jesus falou de igreja nos relatos neotestamentários, se referia a pessoas e não instituições, porém, com o advento da pós-modernidade seria quase impossível a não-institucionalização da igreja – pena que junto com a institucionalização veio enraizada a prática do nepotismo.

Estou convencido que o discipulado deve ser encarado como a fase mais importante da vida cristã, mas muitos insistem que as experiências extravagantes já nos bastam para sermos líderes, pastores e apóstolos, mesmo sendo ainda neófitos na seara de Deus.

Estou convencido que a mídia evangélica brasileira tem realizado um grande trabalho de evangelização nacional e até mesmo mundial, porém, junto com a propagação do nome de Jesus é acrescido uma gama de ensinamentos recheados de heresias, que se propagam junto com um amontoado de jargões, que no final das contas, Jesus não é mais encontrado no meio de nós. Fica uma pergunta: Será que essas “conversões” em massa têm sido relevantes para uma sociedade melhor?

Estou convencido de que a lei nos serviu como aio, ou seja, nos pegou pela mão, mostrou nossos erros e nos conduziu a Cristo, entretanto, muitos ainda insistem em cumprir ordenanças da lei como mandamentos imprescindíveis para salvação. Pobre de mim...

Estou convencido que uma vida de contemplação e meditação como forma de comunhão com Deus tem me transformado em uma pessoa melhor, porém, segundo um tele-evangelista que diz que “quem não faz barulho está com defeito de fabricação” a forma de se chegar mais próximo de Deus é em meio aos berros e a glossolalia. Infelizmente, existiu um tempo que dava crédito ao tele-pregador, entretanto, me via cada vez mais alienado em dialogar com o mundo – hoje meu testemunho é muito mais visível aos de fora dos arraiais evangélicos e apesar de ser pentecostal e receber de Deus o dom de variedades de línguas, utilizo-me deles para edificação pessoal e da comunidade cristã a qual faço parte.

Estou convencido que a diabólica teologia da prosperidade tem devastado muitas igrejas, inclusive as tradicionais. Tais adeptos têm transformado a igreja em empresas, onde impera o nepotismo e o narcisismo, e por sua vez, o Reino de Deus é lançado na sarjeta por não ser fonte de lucro para os mercadejantes da fé.

Estou convencido que a Graça de Deus contrapõe toda e qualquer religião, mas muitos persistem em esmerar esforços para entrar no Seio de Abraão; estipulam regras e condições desmerecendo todo arcabouço da graça que as Escrituras conceitua de favor imerecido.

Estou convencido que Jesus Cristo é Deus que se fez homem em prol da humanidade caída, porém, os “avivalistas” perseveram em afirmar que Jesus é fonte de bênçãos e vitórias.

Estou convencido que as Escrituras possuem tudo que o homem precisa para suas necessidades espirituais, entretanto, existe uma série de hereges que teimam em propagar novas revelações e experiências mirabolantes que com o passar do tempo se tornam doutrinas inegociáveis em seus “impérios”.

Estou convencido que meus escritos são junções de palavras emaranhadas que com muito esforço tento dar algum sentido para elas. Sei das dificuldades deste dom, mas insistirei como um analfabeto na arte do vernáculo, que um dia aprenderei a discorrer com maestria com os dedos no teclado.

Finalizo meus convencimentos citando Henri Nouwen que diz que
“ministério e espiritualidade nunca podem estar separados. Ministério não é emprego das 9h às 17h, mas essencialmente um modo de vida [...] Há hoje uma grande fome por uma nova espiritualidade, que é uma nova experiência com Deus em nossas vidas. Esta experiência é essencial para cada ministro, mas não pode ser encontrada fora dos limites do ministério. Deve ser possível encontrar as sementes desta nova espiritualidade bem no centro do serviço cristão. Oração não é preparação para o trabalho nem uma condição indispensável para um ministério eficaz. Oração é vida; oração e ministério são a mesma coisa e não podem estar divorciados um do outro. Se estiverem, o ministro se torna como um eletricista ou um encanador, e o ministério passa a ser apenas outro modo de suavizar as dores da vida diária”.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Quando penso em desistir


Em minha curta caminhada cristã, já vi muitos casos acontecerem com os supostos “filhos de Deus”. Casos estes que se acontecessem no “mundo”, com os supostos “filhos das trevas”, seriam atitudes bem normais. Mas como o Reino de Deus é formado por homens falíveis e a graça inaudita do Senhor superabunda nossas falhas e limitações, ainda penso em não desistir.

Bem... desistir de quê? Desculpe a falta de explicação inicial, mas é que ando cansado das atrocidades cometidas pelos “bispos”, “apóstolos” e “semideuses”, em nome de Deus.

Quando olho para a mídia radiofônica e televisiva me angustio diante de tanto melodrama para arrecadações de mundos e fundos para o suposto “reino de deus”.

Quando vejo um pai de família retirar o leite da boca de seu filho para dar à igreja por que o apóstolo ou bispo disse que se não contribuírem serão amaldiçoados, vejo o reflexo da falta de estrutura bíblica desses líderes que gostam tanto de retroceder, que querem sempre trazer a estrutura judaizante para o seio da igreja.

Pregar sobre Malaquias 3.10 é o que mais sabem, ou melhor, não sabem, pois suas "eisegeses" são melancólicas. Bem dizia Deus através do profeta Oséias: O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento.

Quando olhamos para aquilo que se chama evangélico no país, fico enojado.

Jesus disse a uma certa igreja da Ásia que eles tinham fama de estarem vivos, mas estavam mortos. (Ap 3.1)

Diante dessa minha perplexidade, quero fazer alguns diagnósticos.

A Igreja brasileira do século XXI sofre de alguns fenômenos que classifico como: nominalismo, sincretismo, pandemonismo, simonia e por aí vai descendo a ladeira.

Porém, quando somos diagnosticados, recebemos a receita médica para a cura. Mas, sem querer ser nenhum curandeiro, pois já temos o Médico dos médicos, proponho algumas soluções:

Resgatar a primazia do ser em detrimento do ter e do fazer; resgatar a capacidade de ouvir verdades, principalmente quando elas estiverem contra nós e resgatar o conceito bíblico de santidade.
.
Temos atividades de dia e de noite. Nunca se fez tanto em nossas igrejas modernas. Um ativismo exacerbado. Mas nunca fomos tão insípidos em toda a História da Igreja. Somos o maior país cristão do mundo (católicos e evangélicos) em população numérica, porém somos o país mais corrupto do mundo. Somos a maior população carcerária do planeta. O maior consumidor de psicotrópicos do mundo; 30 milhões de pessoas morrem de fome; 60% da população padece de depressão e a cada dia 5 pessoas se suicidam. Aumenta-se o número de cristãos, mas não aumenta o fruto do cristianismo. Cadê a influência da igreja?

Bem...quando penso que também sou igreja de Cristo me decepciono, pois digito essas palavras olhando para o monitor como se fosse um espelho lançando todas essas verdades em meu rosto. Mas quando penso em desistir reflito na Graça... a voz embarga e olho para uma congregação situada dentro de uma comunidade carente chamada Guerenguê, onde Deus tem me ensinado a conviver com outra realidade. Lá me sinto igreja, noiva e imaculada. Desempenho não só minhas obrigações ritualísticas, mas me sinto parte integrante daquele corpo e por isso penso em não desistir.

Aos Novos Convertidos da comunidade deixo o meu abraço carinhoso, pois quando penso em desistir, lembro que existem vidas que dependem da vocação que Deus me delegou. Vidas estas que me fazem crescer e ser mais humano em ver e conviver com realidades opostas das mega-empresas religiosas que vemos no cenário religioso brasileiro.

Não, não vou desistir, não abandonarei minha comunidade de fé e nem desistirei de minha vocação. Posso não saber ainda para onde vou, mas estou cada dia mais certo dos caminhos por onde não devo ir.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Carta aberta aos subversivos de Jesus


Queridos amigos de indignação, paz!

Robinson Cavalcanti escreveu: "Um mundo novo é possível; uma igreja nova é imprescindível". Eis a ânsia que nos une. Resolvi escrever essa carta (e não a velocidade impessoal do e-mail e seu internetês) porque cartas despertam aquela nostalgia deliciosamente clássica que parece ter sumido dos nossos dias, também porque precisamos cada vez mais estarmos juntos. Nossa força vem do nosso abraço. Nossa unidade é o megafone que potencializa nosso grito.

Algumas pessoas insistem em questionar nosso criticismo (ao invés de questionar seu alvo), então respondo: criticamos não porque vivemos encarcerados numa espiritualidade azeda (ainda que alguns de nós assim estejam), mas porque somos parte do corpo (I Co. 12. 12-27), e o que dói no corpo afeta nossa alma. Criticamos porque não conseguimos olhar para o ambiente eclesiástico com uma irresponsabilidade tatuada de piedade e tolerância, mas sim com a inquietação aprendida do olhar de Jesus: "Vendo ele as multidões"; em Jesus, o olhar constrói.

Tenho percebido que nossas críticas produzem algumas feridas. Contudo, se Jesus Cristo é o "médico dos médicos", então, o melhor que temos a oferecer são justamente nossas feridas, principalmente quando são geradas pela adocicada fúria do amor: "Fiéis são as feridas feitas pelo que ama, mas os beijos do que odeia são enganosos" (Pv. 27. 6). Nossas feridas não matam, aliás, nem mesmo são feridas, são apenas paradoxos benditos: machucam para sarar.

Ouso fazer um apelo: amigos subversivos, jamais nos esqueçamos da essência da nossa subversão: a centralidade de Cristo acima das ideologias (II Co. 10. 5), a santidade de Deus (Is. 6. 1-7), a prática da oração (I Ts. 5. 17), a meditação nas Escrituras (Sl. 119. 101-106), o cuidado no discipulado que forma o caráter (II Tm. 2) e a afirmação da Cruz de Cristo (I Co. 1. 18). Esse é o nosso baluarte! Essa é a nossa gloriosa herança!

Por favor, meus amigos de gemido, nossa causa é a mais nobre de todas as causas: a luta pela regeneração da igreja! Não se trata de arrogância intelectualóide, mas de temor e tremor. Apenas captamos o chamado do Espírito e adestramos nossas fúrias, canalizando-as para a defesa fiel dos valores do Reino.

Aos empresários da fé, paipóstolos, malandros de púlpito, vagabundos da celestialidade bandida, um aviso: não vamos parar! O que nos une é a certeza feliz de que sempre tem alguém ouvindo e respondendo ao nosso grito!

Por uma igreja verdadeiramente Igreja...
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Por Alan Brizotti

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O palácio maravilhoso


Este post é dedicado àqueles que não decidiram se são pastores ou arquitetos, e ainda confundem templo com igreja.

Conta-se que o rei Hiamir chamou, certa vez, o seu digno ministro Idálio e disse-lhe:

– Quero fazer, ó vizir, uma longa e demorada excursão a uma das regiões mais longínquas do meu reino. Formei o desejo de visitar e percorrer o país de Tiapur, na fronteira. Estou informado, porém, de que essa província, sobre ser pobre e triste, é árida e sem conforto. Daqui partirás, pois, alguns meses antes de mim, levando os recursos que forem necessários. Logo que chegares a Tiapur mandarás, sem demora, construir um magnífico palácio, com largas varandas de marfim e pátios floridos. Nesse palácio ficarei hospedado, durante uma temporada, com tranqüilidade e conforto.

Respondeu o vizir, beijando a terra entre as mãos:

– Escuto e obedeço, ó rei, a vossa ordem estará sempre diante de meus olhos e de meu coração.

Cinco dias depois, uma poderosa caravana, sob a chefia do grão-vizir, partia da capital em demanda dos oásis verdejantes de Tiapur. Os numerosos camelos carregados de ouro e ricas alfaias deixavam sulcos bem fundos na areia branca do deserto. A fila era tão extensa que a caravana, ao parar, sob a inclemência do sol, parecia um arabesco escuro traçado no areal sem fim.

– Que vai fazer, tão longe, o vizir? – indagavam os beduínos. – Por Alá! Com que fim conduz ele tantas riquezas?

O chamir – guia da caravana – procurava saciar aquela sede de curiosidade, derramando uma torrente de indiscrições:

– O vizir vai construir, em Tiapur, um palácio maravilhoso para o rei! O palácio terá varandas de marfim e pátios cheios de flores! Uassalã!

A imensa caravana conduzia, realmente, entre os seus viajantes, o talentoso Benadin, o arquiteto de mais prestígio daquele tempo.

Ao chegar, porém, ao país de Tiapur, o vizir Idálio ficou desolado com o estado de pobreza e de abandono em que se achava a população. Encontrou, pelas estradas, crianças famélicas, nuas, que mendigavam tâmaras secas; em casebres de palha, centenas de infelizes, abatidos pelas febres, morriam de inanição; mulheres cobertas de andrajos, com os filhinhos nos braços, deixavam-se ficar, esquálidas, no pátio da velha mesquita, aguardando os pedaços de pão que eram ali atirados por beduínos supersticiosos.

Os quadros de miséria e sofrimento que se desenrolavam, a cada passo e a todo instante, torturavam o coração do poderoso ministro. E ele trouxera, por ordem do rei, mais de 30 mil dinares, que seriam gastos na construção de um grandioso palácio!

Que fez o vizir do rei?

Levado por um impulso irresistível de bondade, em vez de executar a ordem do poderoso soberano, deliberou gastar o dinheiro que trazia, beneficiando a infeliz população de Tiapur. Mandou, pois, construir abrigos para os desamparados; distribuiu víveres entre os mais necessitados; determinou que todos os enfermos fossem, sem demora, medicados; forneceu vestes aos que estavam nus e pão, em abundância, aos que padeciam fome. Por sua ordem foi construído um grande asilo para os órfãos; mandou, ainda, reformar a mesquita, que se achava quase em ruínas, e ao lado do velho templo fez erguer um magnífico hospital, onde recolheu os cegos e aleijados.

Ao fim de alguns meses, notava-se uma transformação completa da cidade. Os homens haviam voltado, cheios de entusiasmo, ao trabalho, e por toda parte reinava a alegria; as crianças brincavam nos pátios e as mulheres cantavam nas portas das tendas.

E do palácio maravilhoso, que o rei encomendara, nada existia...

Um dia, afinal, como já estava combinado, o rei Hiamir, acompanhado de grande escolta, deixou a bela cidade em que vivia para jornadear pelas terras fronteiriças de seu reino.

O vizir Idálio foi ao encontro do soberano e aguardou a chegada da régia caravana ao oásis de Cobo, que fica a três horas de jornada de Tiapur.

– Estou ansioso, ó vizir – exclamou o rei –, por admirar o belo monumento que aqui vieste construir! A fadiga da longa viagem convida-me ao repouso, mas só saberia descansar na varanda de marfim de meu belo palácio!

Quando o rei Hiamir chegou a Tiapur, foi recebido por uma indescritível manifestação de júbilo da população.

– Sinto-me feliz – confessou o monarca ao seu primeiro-ministro – por saber que sou sinceramente estimado pelos meus dedicados súditos. A satisfação com que todos aqui me recebem é um indizível conforto para o meu espírito.

E, muito intrigado, perguntou:

– Mas onde está, ó vizir, o palácio de Tiapur?

– Rei poderoso! – respondeu o vizir Idálio. – Antes de vos falar do palácio que aqui vim erguer, segundo vossa determinação expressa, tenho um pedido muito sério a fazer-vos. Segundo as vossas leis, aquele que desobedecer ao rei, praticando conscientemente um abuso de confiança, deve ser condenado à morte. Houve, ó rei, um homem de vossa confiança que praticou o grave delito da desobediência. Espera que determineis, sem demora, a execução do culpado.

– Quem é o acusado? – indagou o monarca. – Como se chama? Não é curial que exijas de mim sentença de morte contra um réu que desconheço!

– O criminoso sou eu, ó rei – respondeu o vizir.

E, sem ocultar aos olhos do soberano a menor parcela da verdade, descreveu, em poucas palavras, o estado deplorável em que encontrara o povo daquela terra. Falou do abandono em que se achavam os enfermos, das criancinhas famintas que mendigavam e da miséria inenarrável que torturava as pobres mães. E confessou, afinal, que ele, penalizado diante de tanto sofrimento, em vez de construir o palácio real, resolvera despender todos os recursos da caravana real em socorrer e mitigar a triste sorte da população.
E, ajoelhando-se aos pés do monarca, exclamou o bom vizir:

– Não cumpri, ó rei, como acabei de confessar, a ordem que me destes. Desobedeci ao meu amo e senhor! E aguardo, humilde, o castigo de que me fiz merecedor. Que seja contra mim lavrada a sentença de morte!

– Levanta-te! Dá-me a tua mão, meu amigo – ordenou, emocionado, o rei. – Não poderá pesar jamais sobre tua consciência a culpa da menor desobediência. O palácio, de cuja construção, em boa hora, foste por mim encarregado, acha-se construído com incomparável arte e invejável talento. E posso, deste lugar, abrangê-lo em suas linhas suntuosas, em seu conjunto soberbo; em sua cúpula radiosa e eterna.

E, erguendo o rosto como se fitasse algum monumento fantástico, exclamou, cheio de entusiasmo e comoção:

– Que palácio maravilhoso! Como é lindo e deslumbrante! Vejo as torres cintilantes nas fisionomias alegres das crianças que foram por ti socorridas; admiro as largas varandas de marfim no sorriso radiante dos meus súditos; reconheço os pátios floridos no olhar de gratidão das mães felizes! Como é majestoso e belo, ó vizir, o palácio que a tua bondade fez erguer nas terras de Tiapur! Alá seja exaltado!

Reparai, meu amigo! A verdade não deve ser ofuscada!

Grande fora, sem dúvida, o ministro Idálio, ao praticar, com risco de sua vida, aquele ato de caridade; maior, porém, demonstrara o rei ter sido ao aprovar imediatamente, com intensa alegria, a generosidade de seu vizir.

O palácio maravilhoso do rei Hiamir tinha os seus alicerces inabaláveis na terra; mas estendia suas torres deslumbrantes até o céu.


TAHAN, Malba. Os melhores contos. 23 ed.
Rio de Janeiro: Record, 2007. p.109-114.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Dizem por aí


Dizem por aí, que Deus é tão soberano, a ponto de excluir a liberdade humana para fazer o que propôs em Seu coração. Visto que não existiria amor sem liberdade, não me vejo a acreditar nestes pressupostos conceitos de “soberania”.

Dizem por aí, que incondicionalmente, Deus escolhe seus eleitos para vida eterna e outros para perdição. Visto que as condições impostas por Deus em toda Bíblia dão sempre opções de dois caminhos ao homem (obedecer ou desobedecer), não me vejo a acreditar neste suposto conceito de “incondicionalidade”.

Dizem por aí, que Deus é responsável por tudo que acontece de bom e de ruim. Visto que esse conceito irrevogável da responsabilidade de Deus o coloca culpado de tudo, não me vejo a acreditar neste fatalismo “muçulmano”.

Dizem por aí, que todos aqueles que disserem “sim” a um apelo de aceitar a Cristo como seu Salvador, terá sua morada garantida no céu. Visto que nem todos que dizem “sim” ao apelo passam realmente por uma metanóia, me vejo a não acreditar nestas supostas conversões em massa que temos visto em tempos modernos.

Dizem por aí, que Jesus Cristo foi apenas um grande homem iluminado. Visto que a transformação de minha vida se deu única e exclusivamente pelo poder de sua ressurreição, me vejo a acreditar que Jesus Cristo foi tanto um homem iluminado, como o Deus único e verdadeiro.

Dizem por aí, que "quem tem promessa não morre". Visto que o escritor aos hebreus salienta que “todos estes (os heróis da fé do AT), tendo sido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa”, me vejo a não acreditar nestes clichês dos pregadores atuais.

Dizem por aí, que "quem não faz barulho está com defeito de fabricação". Visto que não consigo enxergar o apóstolo Paulo, ou até mesmo Jesus, gritando, "sapateando" ou "marchando no poder", me vejo a acreditar que muitos pentecostais foram fabricados por pseudolíderes que apresentam distúrbios em suas exegeses bíblicas.

Dizem por aí, que dinheiro, fama e sucesso, são sinais da benção de Deus. Visto que Jesus foi pobre e não tinha onde reclinar a cabeça, me vejo a não acreditar nas supostas profecias destes profetas da famigerada teologia da prosperidade.

Dizem por aí, que se o Espírito Santo fosse retirado da igreja, 90% das atividades eclesiásticas iriam continuar a acontecer normalmente como se nada tivesse ocorrido. Visto que isso é algo estarrecedor, sou obrigado dar crédito a este dado, orando em todo tempo, para que tenhamos sensibilidade de perceber isso quando ocorrer em nossas vidas.

Tantas coisas dizem por aí, mas prefiro ficar com o Evangelho genuíno apresentado nas páginas das Escrituras.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

10 coisas que odeio em você, igreja


Li essa semana uma slongan bastante interessante que revela o quanto a igreja esta em baixa nos últimos tempos: ODEIO A IGREJA, NÃO JESUS!
A lista abaixo relacionada é direcionada à igreja institucional, à igreja-empresarial, ao clube de entretenimento, assim falsificada e vendida ao poder temporal. Não me refiro absolutamente à igreja verdadeira, ao remanescente fiel que muitas vezes está contido nessa igreja caricata dos nossos dias.
Compartilho aqui o sentimento de inconformação de Davi quando disse a Deus: Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem? e não abomino os que se levantam contra Ti? Aborreço-os com ódio consumado, para mim são inimigos de fato.
O que eu odeio em ti, igreja do nosso tempo?
1. A TUA PRETENSÃO OSTENSIVA de tu te veres superior a tudo e a todos, e com esse orgulho besta, deixas de ser reconhecida como voz de Deus e agência do Reino no mundo. Ao contrário, deverias te afastar pra bem longe dessa vaidade luciferiana e cair em si, voltando a servir humildemente ao mundo ao qual foste enviada.
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2. QUANDO INFLEXÍVEL, IMPÕES O DETESTÁVEL LEGALISMO COMO FORMA DE CAMINHADA CRISTÃ com regras insuportáveis que mantém teus membros eternamente cativos a infantilidade na fé, ao invés de conduzi-los à maturidade cristã que alcança a essencial liberdade consciente e anda maduramente nas pegadas de Jesus de Nazaré.
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3. A TUA CEGUEIRA REDUCIONISTA que não discerne claramente o Reino além de tuas limitadas fronteiras, expandindo a visão para ver e aceitar outras formas de expressão, de serviço cristão, de culto e de obras que também glorificam a Deus e contribuem para a expansão do Reino na terra.
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4. A TUA FORMA DE JULGAR SUMARIAMENTE as pessoas, se são merecedoras do céu ou do inferno, como se coubesse a ti essa prerrogativa divina de seleção. Deveria tu saber que essa é uma ação exclusiva de Deus.
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5. A TUA DISCIPLINA CORRETIVA que sempre exclui e joga fora todo aquele que desgraçadamente tropeça por algum motivo, levando invariavelmente o “disciplinado” ao abandono, e ferido, a morrer a míngua.
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6. A TUA FORMA ANTIBÍBLICA DE EVANGELIZAR, definindo prazo de mudança para as pessoas ”aceitarem Jesus”, exigindo uma conversão urgente e superficial baseada na adequação compulsória às regras de teus usos e costumes, e não na radical soberana transformação do Espírito Santo, de dentro para fora, e no livre tempo de Deus.
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7. A TUA VISÃO MISSIONÁRIA/ EVANGELÍSTICA DISTORCIDA que em nome do “ide” retira as pessoas de suas áreas de convivência na sociedade onde exerciam posições estratégicas para alcançar seus semelhantes, para mantê-los circunscritos à área do templo, transformando-os em pessoas inativas ou em obreiros alienados que desconhecem o que se passa no mundo que os rodeiam.

8. O TEU ABUSO DE PODER arrastando milhares de PESSOAS SINCERAS, frágeis, crédulas, simplórias, despreparadas e desavisadas à exaustão, ao esgotamento, ao sofrimento, à decepção, e a se sentirem absolutamente usurpadas física, emocional, material e espiritualmente. Essas pobres vítimas do teu poder abusivo se tornam amargas e refratárias para o Evangelho para sempre, fechadas para qualquer possibilidade de pensarem em Deus ou em coisas relacionadas a ti.

9. A FORMA IMORAL COM QUE TEUS LÍDERES LIDAM COM AS FINANÇAS, manipulando o dinheiro que entra em teus cofres de forma irresponsável, desonesta, revelando que são subjugados pelo deus Mamon. Reproduzes pastores que amam posição, poder, e o dinheiro, tornando-os cheios de avareza e de ganância. ISSO TEM CAUSADO GRANDES ESCÂNDALOS E DANOS IRREVERSÍVEIS PARA O EVANGELHO, E TU ÉS DIRETAMENTE RESPONSÁVEL POR ISSO!

10. E por último, odeio quando MENTES, ASSEVARANDO QUE FORA DE TI, AS PESSOAS NÃO PODEM SOBREVIVER. Saiba que existem milhões de pessoas que nunca adentraram em teus átrios e mesmo assim oram, têm temor, discernimento, maturidade, ética, moral e dignidade, muitas vezes, mais apurados que teus pobres membros pretensiosos.
Sobretudo, há uma forma difícil, dolorida, mas possível, que pode mudar radicalmente esse quadro sombrio: TENS QUE PASSAR PELO PORTAL DO ARREPENDIMENTO. Como diria Jesus, Lembra-te de onde caíste e arrepende-te...

Por Manoel Silva Filho
fonte: Manoel DC

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