
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Sem barganhas com Deus

sexta-feira, 15 de maio de 2009
Ensaio sobre Onipotência

quinta-feira, 14 de maio de 2009
Alvos da tentação - Riqueza e Prazer

Dinheiro, dinheiro, dinheiro. Coisas que têm uma etiqueta de preço. Bens materiais. Objetos tangíveis. E que há por trás de tudo isso? O desejo de possuir, de apossar-se, de juntar riquezas, ficar rico; enfrentemos a realidade: o desejo de parecer rico. Trata-se da obsessão de raízes profundas, no sentido de impressionar os outros e também deliciar-se na velhíssima coceira denominada "quero mais." Sempre mais. O bastante nunca é bastante. A satisfação está fora de questão.
Tudo isto parece tão claro no papel! Pinte essa coisa de verde e chame-a de cobiça pura e simples; fácil de ser analisada neste momento objetivo. Porém, quando deslizamos na corrente de água e começamos a nadar, eis que surge uma torrente que nos apanha e nos arrasta. Logo somos engolfados por ela, e atirados nas cataratas, quase totalmente descontrolados. Para livrarmo-nos e iniciar nova trajetória noutra direção precisamos de nada menos que o poder do Deus Todo-poderoso. Jamais alguém resistiu à cobiça sem que travasse uma luta ao mesmo tempo incansável e feroz. O deus chamado Riqueza tem morte lenta e dolorosa.
"Se você se sentir bem..." Ah! termine você mesmo o adágio. Talvez seja nosso ponto mais vulnerável à tentação: o prazer, que significa o desejo de satisfazer-se sensualmente, não importa o custo. Pode ser tão inocente como um pequeno divertimento, ou tão sórdido como uma relação sexual ilícita. Não estou interessado no ato, mas na atitude. "Quero o que quero quando quero. Vou ser feliz, preciso realizar-me, gratificar meus desejos... a despeito de!"
Não, de modo nenhum saímos por aí dizendo as coisas assim, abertamente. Entretanto, é com essa intensidade de prazer sensual que o prazer é perseguido. E ao fazê-lo, racionalizamos as Escrituras, baixamos nossos padrões de moralidade, desprezamos as funções da consciência e, assim, convencemo-nos não apenas de que está tudo bem, mas de que aquilo é uma necessidade! Se, de alguma forma, algumas visões de Deus interrompem nossa brincadeira no "playground", temos meios de ignorá-lo, também. Dessas pessoas diz Paulo que são insensatas e loucas:
"Pois tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus... antes seus raciocínios se tornaram estultos, e seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos..." (Rm 1.21-22).
Poder. Fama. Riqueza. Prazer. No que concerne às tentações, estas são as maiorais. Resistindo contra cada uma delas, de peito aberto, cultivamos o caráter dentro de nós, no íntimo. Portanto, mantenha os olhos abertos, e deixe sua armadura bem à mão. A batalha prossegue agora mesmo, bem acesa. Você não pode confiar no "cessar fogo" de Satanás.
"tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno" (Ef 6.16)
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Retrô - Às vezes

Às vezes, tenho vontade de gritar para o mundo ouvir que Jesus Cristo é o Senhor. Mas, logo vêm os desbravadores do evangelho-fácil e roubam de mim o fervor.
Alvos da tentação - Fama

Não me entenda mal. Para algumas pessoas, a fama chega de surpresa. Nada mais é do que o subproduto de um trabalho bem feito, isento de estratégia maliciosa. Sem jamais nutrir qualquer desejo de ser bem conhecido, algumas pessoas são atiradas no centro do palco independentemente de seus próprios desejos. Tudo bem: que elas continuem a examinar suas motivações e a manter o equilíbrio. A fama pode ser o atrativo principal. As alturas são estonteantes. Um brincalhão disse, jocosamente: "A fama, à semelhança da fumaça, é inofensiva se você não a inalar." As pessoas que conseguem dominá-la com graça, não se permitem esquecer quão imerecedoras são. Com freqüência, tais pessoas têm origens muito humildes. Como a famosa contralto Marian Anderson, que afirmou que o momento mais importante de sua vida ocorreu quando ela chegou em casa e disse à sua mãe que não precisaria mais lavar a roupa das pessoas, dali por diante.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Alvos da tentação

No que concerne às tentações, aqui estão os maiores vilões.
Não é que não existam outras armadilhas e tropeços. Existem, e quantos! Mas os quatro acima representam nossos elos mais fracos na corrente de resistência; as aberturas mais visíveis em nossa armadura. Se o inimigo de nossas almas deseja lançar um de seus "dardos inflamados" num ponto em que produzirá maior impacto, fará uma escolha dentre estes quatro principais alvos.
Por alguma estranha razão, as fileiras religiosas estão inchadas de pessoas que sucumbiram diante desta forma especial de tentação. Dê a certas pessoas autoridade suficiente para liderar, conhecimento bíblico suficiente para citações escriturísticas e necessidade de obter sucesso, e não passará muito tempo para você pensar que César se reencarnou. Não é de surpreender que Pedro, ao dirigir-se aos que pastoreiam o rebanho de Deus, advertiu-os contra serem "dominadores dos que vos foram confiados". Líderes enlouquecidos pelo anseio de poder esmagam mais ovelhas do que poderíamos imaginar. A tragédia particular disto é que as ovelhas esmagadas não se reproduzem e, além disso, raramente se recuperam de todo.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Uma outra forma de pregar o evangelho

Esse é um modelo clássico de pregação evangelística. Existem outros muito mais apelativos e até constrangedores, mas esse é o tradicional. O problema é o seguinte: será que as respostas dadas nesse tipo de pregação respondem as perguntas que as pessoas estão se fazendo na atualidade?
Vamos imaginar esse tipo de pregação sendo ministrada a uma adolescente de 13 anos que foi violentada sexualmente pelo próprio pai, que está machucada no corpo, na alma, no coração, nos sentimentos. Ela já não tem referenciais porque quem devia protegê-la foi o algoz e abusador. Acho que pode passar pela mente dela as seguintes questões: Do que preciso me arrepender? Preciso pedir perdão de quê? Serei salva do quê para quê? Tenho que aceitar um Deus que vai perdoar quem me violentou?
O discurso da pregação tradicional e formulada com base em regrinhas pré-moldadas importadas de uma eclesiologia pragmática não faz o menor sentido num contexto desses. A pregação da salvação, nos moldes daquele orador do início do texto vai cair no vazio para quem está envolto em tamanhas tragédias.
As elaborações acerca da justificação, expiação, santificação, eleição, etc, não vão comunicar, de forma alguma, o amor de Deus ao coração de uma pessoa quem nem perguntou nada disso e que, por conta da maldade alheia, foi envolvida numa espiral de dor e sofrimento. Ela só quer alívio para sua dor e esperança de dias melhores.
Diante da dor de uma menina violentada pelo próprio pai ou por qualquer outra pessoa, nossas discussões acerca da melhor verdade ou da mais reta doutrina, deveriam nos causar vergonha e rubor na face. De que adianta sair vencedor de um debate doutrinário, se somos impotentes para dar uma resposta ao sofrimento humano? Se somos covardes ou acomodados de tal forma que preferimos levantar a mão numa canção pasteurizada de “louvor” a Deus, mas somos incapazes de estender a mão para aliviar a dor de quem sofre.
Aquela menina vítima de 13 anos também é alvo do amor de Deus. Como pregar o evangelho para ela? Creio que há, sim, uma forma. Acolher, amar, estender a mão, tentar livrá-la das culpas que ela certamente carrega fazendo-a enxergar que ela é querida, amada, e que há, ainda, pessoas em quem ela pode confiar. Sentar-se ao lado dela sem dizer palavra alguma, mas deixar bem claro que ela tem com quem contar. Talvez assim, ela consiga enxergar Jesus no rosto de quem estiver ao seu redor, cuidando dela. Talvez ela consiga enxergar Jesus no rosto de uma psicóloga comprometida com a causa da justiça, talvez no rosto de um funcionário de um abrigo, talvez no sorriso acolhedor de quem lhe preparou uma refeição, talvez no gesto de um voluntário que abriu mão de uma tarde de sábado ou domingo para lhe contar estórias ou para ouvir suas histórias.
Os teimosos soldadinhos de chumbo

segunda-feira, 4 de maio de 2009
A parábola da bola

quinta-feira, 30 de abril de 2009
Insight - 2
Meu mais recente esforço de fé não é do tipo intelectual. Eu realmente não faço mais isso. Mais cedo ou mais tarde você simplesmente descobre que há alguns caras que não acreditam em Deus e podem provar que ele não existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe - e a esse ponto a discussão já deixou há muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem é mais inteligente; honestamente, não estou interessado nisso.A ética cristã entre muros e pontes

sábado, 25 de abril de 2009
Rapidinha 2
Fuja dos perigos da fama, do prestígio e da riqueza. Vários obreiros naufragaram em seus ministérios porque, feito mariposas, se enfeitiçaram com as luzes da ribalta. Eu fui tentado nessa área. Porém, há muito tempo, um rabino detectou minha sanha de aparecer e, amorosamente, me advertiu: "Meu filho, aprofunde sua caminhada com Deus e deixe que ele decida se lhe exaltará ou não". Hoje, transmito o que ouvi, com um acréscimo: Ao buscar fama e prestígio, talvez você consiga tornar-se célebre, mas condenará seu ministério à superficialidade.sexta-feira, 24 de abril de 2009
Rapidinha
Os evangélicos brasileiros precisam acordar para o cerne do evangelho que não promete um mundo seguro, sem perigos e livre de sofrimentos. A boa notícia é que o Senhor se dispõe nos acompanhar em qualquer circunstância. Ouve-se frequentemente entre os evangélicos que Deus dará tudo o que seus filhos pedirem se, prostrados, o adorarem. Cuidado! Essa frase foi proferida por Satanás.quinta-feira, 23 de abril de 2009
Ética e espiritualidade

O Brasil também precisa de “grandeza moral e audácia espiritual”. Os problemas seculares que envergonham a nação continuam intocados: injustiça social, destruição da rede hospitalar pública, favelização das grandes metrópoles, abandono do pequeno produtor rural, falta de políticas de segurança pública e outras mazelas. O “florão da América” aparece com colocações medíocres em alguns índices de qualidade de vida da ONU; ganharia campeonatos de mortes no trânsito, de assassinatos à mão armada e de imigrantes ilegais barrados ou deportados de países como Inglaterra e Estados Unidos. A imprensa faz sua parte denunciando a vergonha nacional e as ONG’s lutam para reverter algumas realidades.
E os evangélicos? Existem heróicos esforços de gente que se embrenha pelos sertões abrasante do Nordeste, pela selva da Amazônia e nas periferias e morros pobres. Como movimento, os evangélicos continuam patinando em questiúnculas teológicas, eternamente debatendo pontos e vírgulas de textos controversos. E sobram exorcistas que sabem “amarrar demônios”, treinam-se evangelistas que salvam almas. A atuação evangélica como sal que evita processos de desintegração moral, ética, política, é praticamente nula e o Brasil continua imoral, pobre, violento e atrasado.
Para que a presença evangélica se torne eficaz, é necessário repensar alguns pressupostos teológicos:
A paternidade divina
Enquanto a paternidade divina não for conhecida, vivenciada e celebrada pelos crentes, sua espiritualidade se manterá utilitária, e pouco se conhecerá sobre graça. Infelizmente se alastram superstições medievais; amuletos que supostamente “dão um ponto de contato” para a fé; correntes e campanhas que pretendem gerar “orações fortes”. Pouco se fala da gratuidade do amor paterno, que sabe dar boas dádivas aos seus filhos; quase não se ouvem sermões sobre a inutilidade dos sacrifícios diante da grandeza do cuidado de Deus que provou seu amor ao entregar seu Filho, enquanto os homens ainda eram seus inimigos.
A natureza humana
Os evangélicos ainda mantêm uma idéia preconceituosa sobre os efeitos do pecado na raça humana. Acredita-se que as pessoas são tão pecadoras que se deve manter distância dos “incrédulos”. Com essa visão de mundo, os crentes são inclinados a viver em guetos, e a grande missão da igreja resume-se em tirar gente do mundo e trazê-las para dentro das igrejas, único ambiente que se acredita puro na face da terra. Essa visão descarta a compreensão de que, mesmo caídos, os homens ainda conservam a imagem de Deus. Significa que as pessoas que ainda não se converteram a Cristo, mesmo contaminadas pelo pecado, elas têm uma dignidade ímpar e podem ser honradas. Por isso, mesmo sem ser cristãos, médicos, juízes, escritores, poetas, músicos, políticos e policiais poder ter comportamentos e atitudes que são nobres e merecem a atenção de todos, inclusive dos crentes.
A missão da igreja
Ela não se constitui em salvar apenas as almas dos homens. É preciso que eles sejam salvos como pessoas. Isso significa que a missão da igreja não deve se resumir em preparar as pessoas para irem para o céu, mas em tornar o mundo em que vivem num lugar mais humano, mais justo e mais misericordioso. A missão da igreja também busca mudar as circunstâncias que aprisionam as pessoas. Não basta salvar a alma dos escravos, é preciso acabar com a escravidão; não basta resgatar os favelados da idolatria, é preciso desmantelar um sistema econômico que os condena à miséria; não basta condenar o aborto, é preciso dar às gestantes condições para sustentar filhos indesejáveis.
Por mais que seja necessário um avivamento de oração, piedade e leitura da Bíblia, ele será inócuo se a igreja não se conscientizar que Deus é Pai, que os crentes são apenas pecadores salvos pela graça e sua missão é tão terrena quanto espiritual.
sábado, 18 de abril de 2009
Retrô - Bem que tentei

Bem que tentei envernizar minha voz para manipular os auditórios carentes de Deus.
Bem que tentei ser um levita, mas compreendi que levitas eram os descendentes de Levi, e por isso não me reportarei aos movimentos judaizantes.
Bem que tentei fazer da mensagem do evangelho meu ganha pão, fazendo tipo de evangelista que diz que “vive da fé”, com falsos pensamentos piedosos de que tudo é para glória de Deus.
Bem que tentei acreditar nas promessas messiânicas dos profetas hodiernos, sempre em busca de exaltação.
Bem que tentei ser mais conservador, fundamentalista e ortodoxo, mas a graça me alcançou.
Bem que tentei ser mais devoto à instituição Igreja, fazendo dela uma mãe, assim como fazem os universais (católicos).
Bem que tentei até mesmo abandonar a igreja, mas dou a mão à palmatória para os calvinistas que crêem na graça irresistível e na eleição incondicional.
Bem que tentei ser calvinista, mas entendi que por soberania divina, Ele optou por me dar liberdade de escolhas, e por isso me amou.
Não sei bem quando isso me pegou, só sei que aprendi a pensar “fora da caixa”. Às vezes me pergunto se estou desviado, e algo me diz que sim. Desviei-me dos pensamentos infantilizadores que faziam de Deus um deus. Confesso que até tentei me coadunar com o sistema religioso, mas percebi que é regredir demais.
Como diz um prestimoso pastor: “Enfim, morreu em mim aquele deus parecido com a figura idealizada de um superpai, que levou homens como Freud, Nietzsche e Sartre a desdenhar da religião”. E continua: “O deus que morreu foi exaltado na subcultura da religiosidade evangélica brasileira. Era basicamente um deus que: 1) vivia de plantão para me poupar de qualquer tragédia, evitar meus sofrimentos e abreviar as situações que me trariam qualquer desconforto; 2) prometia satisfazer não apenas minhas necessidades, mas também meus desejos; 3) estava comprometido com favorecer-me em todas minhas demandas contra os pagãos; 4) compensava minhas irresponsabilidades e ignorâncias em troca de minha fé; 5) manipulava todas as circunstâncias de minha vida como um tapeceiro que corta fios e dá nós no emaranhado do avesso do tapete para revelar a bela paisagem no fim do processo, capaz de encantar todos aqueles que olham pelo lado certo".
Eu até que tentei...
sábado, 11 de abril de 2009
Deus

Aceito o relato bíblico de que Deus, soberanamente, criou o mundo onde pessoas são livres para rejeitar seu conselho e vontade. Para mim é um acinte a religião considerar que Deus, em tempos imemoriais, criou algumas pessoas com o propósito de torná-las cidadãs do céu e outras só para jogá-las no inferno. Assim, não creio na predestinação, nem no sacrifício parcial (Cristo teria morrido apenas pelos eleitos) de Cristo na cruz, nem posso aceitar que a história, com todas as suas idiossincrasias, tenha sido, nos mínimos detalhes, escrita e determinada pelo Senhor.
Para mim, repensar conceitos teológicos da Idade Média sobre onisciência não anula a onisciência divina; re-qualificar o que se entendeu por soberania numa época em reis eram déspotas não anula a soberania bíblica; falar de percepções do tempo e do espaço de quando se aprendeu física quântica não invalida o que a Bíblia ensina sobre aleatoriedade e contingência.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Obrigação moral sem livre-arbítrio

quinta-feira, 2 de abril de 2009
Retrô - Páscoa

quinta-feira, 26 de março de 2009
Máximas Teológicas - 13
Voltamos com o quadro "Máximas Teológicas"; e o célebre desta pérola é nada mais nada menos que John Stott. segunda-feira, 23 de março de 2009
O preço do conhecimento (2)
Certa feita, em sala de aula no seminário, levantamos a questão do “conhecimento” versus “ignorância”. Em um momento de nossos calorosos debates, nosso professor usou uma expressão meio pesada para se dirigir aos néscios e ignorantes na fé, chamando-os de “idiotas na fé”. Sei que soou mal, mas no decorrer de nossos embates, quase todos concordaram com o professor que um dia nós fomos assim, em tempos que não tínhamos nenhum conhecimento e éramos levados pelas emoções sempre muito bem trabalhadas pelos tele-evangelistas e pregadores midiáticos.
Depois de dar a mão à palmatória ao nosso professor, começamos a discorrer o que poderíamos conceituar de “idiotas na fé”.
Vejamos primeiro o conceito de “idiota” conforme o dicionário: Falto de inteligência; parvo; estúpido; ignorante.
Dado o conceito, vejamos agora as características que fizeram com que recebessem esse rótulo tão pejorativo:
- Tratam a fé somente para se conquistar as benesses de Deus, sempre em busca de milagres.
- Ainda não têm claro em sua mente os conceitos de Igreja e Reino de Deus.
- Tratam o dízimo como uma barganha com Deus. Esquecem que o dízimo neotestamentário é voluntário e que o parâmetro dos 10% é o mínimo que deveríamos dar.
- Repetem tudo o que o pregador manda dizer ao irmão do lado.
- Se sentem super-ungidos quando recebem o dom de línguas e se acham superiores aos que ainda não possuem.
- Tratam o pecado numa escala de hierarquia como se existissem pecadinhos e pecadões.
- Tratam a igreja (instituição) como os universais (católicos), onde fora dela não tem salvação.
- etc.
Enfim, temos que reconhecer, éramos idiotas e não sabíamos.
Pena que alguns ainda continuam a ser, mesmo depois de largo período na igreja.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Salvos da perfeição

A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugidio do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descanso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos. Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.
Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Duvidou sem desistir, o Criador chorou mais uma vez. Desta lágrima descobriu o perdão. Lágrima esquentada com afeto e graça.
Mal compreendido pelos amigos, inimigos tolos, pecado, recobriram-no de ídolo. De tão cansados do incerto, angustiados por tanta liberdade, os amigos inventaram ídolos, pretensos profetas e arrogantes senhores do futuro, sacerdotes e magos de um deus acuado, cristos milagreiros da mesmice ressurreta. Inventaram a religião, vestiram-se de absoluto.
Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.
terça-feira, 17 de março de 2009
Conservadores ou radicais?

Deixai-me, agora, definir mais precisamente em que sentido cada crente deveria ser um conservador e um radical, ao mesmo tempo: Cada crente deveria ser conservador porque toda a Igreja é chamada por Deus para conservar sua revelação, para “guardar o depósito” (I Tm. 6:20; II Tm 1:14), para “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos”, Jd 3. A tarefa da Igreja não é continuar inventando novos evangelhos, novas teologias, novas moralidades e novos cristianismos, mas, antes, ser uma guardiã fiel do único Evangelho eterno, pois a auto-revelação de Deus alcançou sua consumação no seu Filho Jesus Cristo e no testemunho apostólico de Cristo, preservado no Novo Testamento. Isto não pode ser alterado de forma alguma: É imutável em verdade e autoridade.(...)
Mas Jesus pode também ser verdadeiramente descrito como um radical. Ele foi um crítico mordaz e destemido do tradicionalismo judeu, não somente devido à insuficiente lealdade que havia para com a Palavra de Deus, mas, também, devido à lealdade exagerada às próprias tradições humanas. Jesus teve a temeridade de lançar fora séculos de tradições que tinham sido herdadas, “as tradições dos anciãos”, para que a Palavra de Deus pudesse ser apreciada e novamente obedecida. (Mc. 7:1-13). Ele foi, também, muito ousado nas violações das convenções sociais. Insistiu em preocupar-se com todas as áreas da comunidade que eram normalmente menosprezadas: falou com mulheres em público, o que não era aceito nos seus dias, convidou crianças para que viessem a Ele, embora na sociedade romana crianças rejeitadas fossem geralmente “abandonadas” ou deixadas ao relento, o que levou os discípulos a acharem que ele não gostaria de ser incomodado por elas. Ele permitiu que prostitutas o tocassem (os fariseus afastavam-se delas horrorizados) e Ele mesmo, na realidade, tocou num leproso intocável (os fariseus apedrejavam-nos para que fossem mantidos à distância). Destas e de outras maneiras, Jesus recusou-se a ser preso por costumes humanos: sua mente e consciência estavam presas unicamente à Palavra de Deus. Por conseguinte, Jesus foi uma combinação única do conservador e do radical.
sábado, 14 de março de 2009
Criação

terça-feira, 10 de março de 2009
Graça x Religião

Essa compreensão da graça de Deus é central nos evangelhos, por inúmeros motivos. Primeiro, nos alivia de enormes tensões religiosas. A graça não permite que Deus seja uma ameaça. O emaranhado de leis e regulamentos muitas vezes dificulta o conhecimento de Deus. Acaba escondendo-o!
Os judeus gostam de contar uma antiga história sobre um rabino que chegou em casa certo dia e encontrou sua filha, de nove anos, chorando muito. Perguntou-lhe porque tantas lágrimas. Entre soluços respondeu que estava brincando de escondeesconde com seus amigos. Na sua vez, se escondeu tão bem que os amigos desistiram de procurá-la e foram embora para brincar de outra coisa. Depois de mais de uma hora, quando saiu do esconderijo viu que estava sozinha. Na hora em que o rabino passava a mão na cabeça de sua filha, consolando-a, pensou: Será que a religião conseguiu esconder Deus tão bem que ele se sente sozinho e abandonado?
Não seriam as exigências religiosas um empecilho ao conhecimento de Deus? Erasmo de Rotterdam, um dos precursores da Reforma Protestante, clamou que a Igreja retornasse a Cristo sem o peso das exigências e doutrinas humanas. Seu pedido precisa ser ouvido:
Que regras, que superstições nós temos a respeito da vestimenta!... Quantos jejuns se instituem!... Oxalá os homens se contentassem em deixar Cristo governar pelas leis do Evangelho, e não mais procurassem fortificar sua tirania tenebrosa como decretos humanos".
sábado, 7 de março de 2009
Unidade, liberdade e caridade

O pano de fundo para a tragédia é a nossa substancial concordância no histórico cristianismo bíblico. Nossa união nos fundamentos da fé cristã é coisa grande e gloriosa. Cremos em Deus Pai, infinito e pessoal, santo, criador e sustentador do Universo. Cremos em Jesus Cristo, o único Deus-homem; em seu nascimento virginal , em sua vida encarnada, na autoridade do seu ensino, em sua morte expiatória, na sua ressurreição histórica, e em seu retorno pessoal á terra. Cremos no Espírito Santo por cuja inspiração especial as Escrituras foram escritas e por cuja graça pecadores são hoje justificados e nascidos de novo, transformados na imagem de Cristo, incorporados à Igreja e enviados para servir no mundo. Nestas e em outras grandes doutrinas bíblicas, permanecemos firmes pela graça de Deus, e permanecemos juntos.
Contudo, nós não somos unidos. Nós nos separamos uns dos outros por assuntos pouco importantes. Algumas das questões que nos dividem são teológicas; outras temperamentais. Teologicamente, por exemplo, podemos discordar na relação exata entre soberania divina e responsabilidade humana, na "ordem" e ministério pastoral da igreja (se deve ser episcopal, presbiteriano ou independente) e até onde os crentes podem envolver-se numa “mistura” denominacional sem que se comprometam a si mesmos e a fé que professam; nas relações Igreja-Estado; em quem está qualificado para ser batizado e no volume de água a ser usado; em como interpretar profecia, em quais dons espirituais estão disponíveis hoje e quais são os mais importantes. Estas são algumas das questões nas quais crentes igualmente dedicados e bíblicos discordam entre si. São questões que os reformadores chamam de “adiaforia”, questões “indiferentes”. Desta forma, embora pretendemos continuar defendendo nossa própria convicção das Escrituras, em conformidade com a luz que nos tem sido dada, procuraremos não pressionar dogmaticamente a consciência de outros crentes, mas tratar a cada um com liberdade, em amor e respeito mútuo. Não se pode fazer coisa melhor do que mencionar o famoso epigrama atribuído a um certo Rupert Meldenius e citado por Richard Baxter. Em coisas essenciais, unidade; nas não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade.
Esquecemo-nos , às vezes , que Deus ama a diversidade e tem criado uma rica profusão de tipos humanos, temperamentos e personalidades. Além disso, o nosso temperamento tem mais influência na nossa teologia do que geralmente imaginamos ou admitimos. Embora a nossa compreensão da verdade bíblica dependa da iluminação do Espírito Santo, ela é inevitavelmente colorida pelo tipo de pessoa que somos, pela época na qual vivemos e pela cultura a que pertencemos. Alguns de nós, por disposição e formação, são mais intelectuais que emocionais; outros, mais emocionais que intelectuais. Repetindo, a disposição mental de muitos é conservadora (detestam mudanças e sentem-se ameaçados), enquanto outros são, por natureza, rebeldes à tradição (o que eles detestam é monotonia, considerando mudança como algo próprio de sua natureza). Questões como estas surgem de diferenças temperamentais básicas. Porém, não devemos permitir que o nosso temperamento nos controle. Pelo contrário, devemos deixar que as Escrituras julguem nossas inclinações naturais de temperamento. Caso contrário, acabaremos por perder o nosso equilíbrio cristão.
quarta-feira, 4 de março de 2009
O deus que não é Deus
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domingo, 1 de março de 2009
Cliente ou garçom?

Com uma certa veemência, o homem perguntou à garçonete quem era que pagava o seu salário, e com muita ironia ela respondeu que com certeza não era ele, porém, o homem retrucou dizendo que o salário dela e de outras garçonetes vinha de clientes como ele sim, e disse que costumava dar gorjetas maiores que o preço da refeição para garçonetes que lhe atendesse bem.
A partir desse momento, a garçonete começou a atendê-lo um pouco melhor, mas não o suficiente.
O objetivo desse exercício era simples: ele queria que a garçonete entendesse que o propósito do restaurante não era agradar a ela ou servir aos seus desejos , mas, sim, atender bem clientes como ele.
Numa estranha inversão de papéis dentro da mentalidade consumista, parece que decidimos que a igreja deve centralizar em nós, embora Deus - o cliente divino - continue com esta estranha idéia de que a igreja existe em função dele.
Quantas vezes e há quantos anos temos vestidos nossos “uniformes” e chegado à igreja para uma “reunião em volta da cafeteira” para falar uns com os outros a respeito de Deus enquanto ninguém se preocupa em atender a Ele mesmo - o cliente divino - em nosso meio?
Nossa atenção, afeição e esforços estão mais direcionados a nós mesmos do que a Ele.
Às vezes temo que Deus esteja sussurrando aos nossos ouvidos tapados: “desse jeito, seria melhor encerrar o culto” . Por quê? Agimos como se de fato não quiséssemos ser interrompidos por nosso cliente divino. Estamos ocupados demais, congratulando-nos uns com os outros por nossas histórias divertidas, sermões superficiais, solos talentosos e esplendidas apresentações de corais. Ficamos irritados por qualquer interrupção que possa nos afastar de nossas conversações ao redor da cafeteira.
Lembre-se que Deus é o cliente divino e nós apenas servos (garçons). Às vezes ou quase sempre, tentamos inverter essa situação.
Façamos uma auto-análise e vejamos se estamos sendo servos ou clientes.
Cristo x Religião

