sábado, 10 de janeiro de 2009

Máximas da Blogosfera - 12

"Desde as narrativas da Criação, a humanidade busca construir, de maneira autônoma e independente, um conteúdo para o trinômio ser-sentido-verdade. O que se há de lamentar é que buscar autonomia e independência não significa assumir as responsabilidades intrínsecas à existência: trata-se de desconsiderar a Palavra de Deus e perverter-lhe o sentido...
...Na contramão da pós-modernidade e, fortalecido pela instrução de Tiago, ouso afirmar que é necessário viver segundo a Bíblia hoje. Parafraseando Rui Barbosa, posso dizer que, de tanto contemplar a abundância das nulidades, de tanto ver a prosperidade daquele que é desonroso, corrupto e vil; de tanto ver perecer a justiça e de tanto ver o ímpio ser vitorioso, a Bíblia precisa ser posta em prática; retirada da estante, e vivida".
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Por Elias Aguiar
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Post "Um livro para a vida"

Máximas da Blogosfera - 11

"As famílias da terra estão vulneráveis. Não todas, mas quase todas. Vulneráveis à guerra, aos sequestros, aos assassinatos, às drogas, à tirania, à corrupção., ao terrorismo, à pedofilia, à prostituição. Crianças perambulando e morando no meio das ruas. Processos demoníacos matando aos milhares e aos milhões em vários lugares do mundo como em Darfur, Palestina, Etiópia, Zimbabwe, Iraque, Paquistão, Afeganistão, Índia, Myanmar. Onde começou o desvio? Na família. Na família formada ou dirigida fora dos padrões de Deus.
Muitos culpam Deus. Questionam porque Ele não intervém e acaba de uma vez com a violência, este câncer que apodrece a humanidade? Será que a responsabilidade é mesmo de Deus? Abstraindo somente a família como tema, se alguém faz uma escolha errada segundo sua idiossincrasia e deixa que esta escolha se repercuta ao longo de gerações e gerações e com o tempo falsifique os conceitos de bem e do mal, e venham a culpar Deus por omissão, Ele não culpado por escolhas erradas. O manual está aí para ser consultado. A possibilidade de escolher o bem e rejeitar o mal é acessível a todos. O mal é aquilo que ninguém quer colher. A partir dessa premissa ninguém é indesculpável perante Deus".
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Por João Cruzué
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Post "Deus, a Bíblia e o casamento"

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Desabafo de um professor de Teologia

Sou um professor de Teologia em crise. Não com minha fé ou com minhas convicções, mas com a dificuldade que eu e outros colegas enfrentamos nos últimos anos diante dos novos seminaristas enviados para as faculdades de teologia evangélica. Tenho trabalhado como Professor em Seminários Evangélicos presbiterianos, batistas, da Assembléia de Deus e interdenominacionai s desde 1991 e, tristemente, observo que nunca houve safras tão fracas de vocacionados como nos últimos três anos.
No início de meu ministério docente, recordo-me que os alunos chegavam aos seminários bastante preparados biblicamente, com uma visão teológica razoavelmente ampla, com conhecimentos mínimos de história do cristianismo e com uma sede intelectual muito grande por penetrar no fascinante mundo da teologia cristã. Ultimamente, porém, aqueles que se matriculam em Seminários refletem a pobreza e mediocridade teológica que tomaram conta de nossas igrejas evangélicas.

Sempre pergunto aos calouros a respeito de suas convicções em relação ao chamado e à vocação. Pois outro dia, um calouro saiu-se com a brilhante resposta: "não passei em nenhum vestibular e comecei a sentir que Deus impedira meu acesso à universidade a fim de que eu me dedicasse ao ministério". Trata-se do mais típico caso de "certeza da vocação" adquirida na ignorância.

E, invariavelmente, esses são os alunos que mais transpiram preguiça intelectual.

A grande maioria dos novos vocacionados chega aos Seminários influenciada pelos modismos que grassam no mundo evangélico. Alguns se autodenominam "levitas". Outros, dizem que estão ali porque são vocacionados a serem "apóstolos".

Ultimamente qualquer pessoa que canta ou toca algum instrumento na igreja, se auto-denomina "levita". Tento fazê-los compreender que os levitas, na antiga aliança, não apenas cantavam e tocavam instrumentos no Templo, como também cuidavam da higiene e limpeza do altar dos sacrifícios (afinal, muito sangue era derramado várias vezes por dia), além de constituírem até mesmo uma espécie de "força policial" para manter a ordem nas celebrações. Porém, hoje em dia, para os "novos levitas" basta saber tocar três acordes e fazer algumas coreografias aeróbicas durante o louvor para se sentirem com autoridade até mesmo para mudar a ordem dos cultos.

Outros há, que se auto-intitulam "apóstolos". Dentro de alguns dias teremos também "anjos", "arcanjos", "querubins" e "serafins". No dia em que inventarem o ministério de "semi-deus" já não precisaremos mais sequer da Bíblia.

Nunca pensei que fosse escrever isso, pois as pessoas que me conhecem geralmente me chamam de "progressista" . Entretanto, ultimamente, ando é muito conservador. Na verdade, "saudosista" ou "nostálgico" seriam expressões melhores.

Tenho saudades de um tempo em que havia um encadeamento lógico nos cultos evangélicos, em que os cânticos e hinos estavam distribuídos equilibradamente na ordem do culto.

Atualmente os chamados "momentos de louvor" mais se assemelham a show ensurdecedores ou de um sentimentalismo meloso.

Pior: sobrepujam em tempo e importância a centralidade da Palavra e da Ceia nas Igrejas Protestantes. Muitas pessoas vão à Igreja muito mais por causa do "louvor" do que para ouvir a Palavra que regenera, orienta e exige de nós obediência. Dias atrás, na semana da Páscoa comentei com um grupo de alunos a respeito da liturgia das "sete palavras da cruz" que seria celebrada em minha Igreja na 6a feira da paixão. Alguns manifestaram desejo de participar. Eu os avisei então que se tratava de uma liturgia que dura, em média, uma hora e meia, durante a qual não é cantado nenhum hino (pelo menos na tradição de minha Igreja - Anglicana), mas onde lemos as Escrituras, oramos e meditamos nas sete palavras pronunciadas por Cristo durante a crucificação. Ao saberem disso, um deles disse: "se não houver música, não há culto".

Creio que, em parte, isso é reflexo da cultura pop, da influência da "Geração MTV", incapaz de perceber que Deus pode ser encontrado também na contemplação, meditação e no silêncio. Percebo também que alguns colegas pastores de outras igrejas freqüentemente manifestam a sensação de sentirem-se tolhidos e pressionados pelos diversos grupos de louvor. O mercado gospel cresceu muito em nosso país e, além de enriquecer os "artistas" e insuflar seus egos, passou a determinar até mesmo a "identidade" das igrejas evangélicas. Houve tempo em que um presbiteriano ou um batista sabiam dar razão de suas crenças.

Atualmente, tudo parece estar se diluindo numa massa disforme. Trata-se da "xuxização" ("todo mundo batendo palma agora... todo mundo tá feliz ? tá feliz!") do mundo evangélico, liderada pelos "levitas" que aprisionam ideologicamente os ministros da Palavra. O apóstolo Paulo dizia que a Palavra não está aprisionada. Mas, em nossos dias, os ministros da Palavra, estão - cativos da cultura gospel.

Tenho a impressão de que isso tudo é, em parte, reflexo de um antigo problema: o relacionamento do mundo evangélico com a cultura chamada "secular". Amedrontados com as muitas opções que o "mundo" oferece, os pais preferem ter os filhos constantemente sob a mira dos olhos aos domingos, ainda que isso implique em modificar a identidade das Igrejas. E os pastores, reféns que são dos dízimos de onde retiram seus salários, rendem-se às conveniências, no estilo dos sacerdotes do Antigo Testamento.

Um aluno disse-me que, no dia em que os evangélicos tomarem o poder no Brasil acabarão com o carnaval, as "folias de rei", os cinemas, bares, danceterias etc. Assusta-me o fato de que o desenvolvimento dessa sub-cultura "gospel" torne o mundo evangélico tão guetizado que, se um dia, realmente os evangélicos tomarem o poder na sociedade, venham a desenvolver uma espécie de "Talibã evangélico". Tal como as estátuas do Buda no Afeganistão, o "Cristo Redentor" estará com os dias contados.

Esses jovens que passam o dia ouvindo rádios gospel e lendo textos de duvidosa qualidade teológica, de repente vêm nos Seminários uma grande oportunidade de ascensão profissional e buscam em massa os seminários. Nunca houve tanta afluência de jovens nos seminários como nos últimos anos.

Em um seminário em que trabalhei (de outra denominação), os colegas diziam que a Igreja, em breve teria problemas, pois o crescimento da Igreja não era proporcional ao número de jovens que todos os anos saíam dos Seminários como bacharéis em teologia, aptos para o exercício do ministério.

A preocupação dos colegas era: onde colocar todos esses novos pastores?

Na minha ingenuidade, sugeri que seria uma grande oportunidade missionária: enviá-los para iniciarem novas comunidades em zonas rurais e na periferia das cidades. Foi então que um colega, bastante sábio, retrucou: "Eles não querem. Recusam-se! Querem as Igrejas grandes, já formadas e estabelecidas, sem problemas financeiros" .

De fato, percebi que alguns realmente se mostravam decepcionados ao saberem que teriam que começar seu ministério em um lugar pequeno, numa comunidade pobre, fazendo cultos nos lares, cantando às vezes "à capella" e sem o apoio dos amplificadores e mesas-de-som.

Na maioria dos Seminários hoje, os alunos sabem o nome de todas as bandas gospel, mas não sabem quem foi Wesley, Lutero ou Calvino.

Talvez até já tenham ouvido falar desses nomes, mas são para eles, como que personagens de um passado sem-importância e sobre o qual não vale a pena ler ou estudar.

Talvez por isso eu e outros colegas professores nos sintamos hoje em dia como que "falando para as paredes". Nem dá gosto mais preparar uma aula decente, pois na maioria das vezes temos sempre que "voltar aos rudimentos da fé" e dar aos vocacionados o leite que não recebem nas Igrejas. Várias vezes me vi tendo que mudar o rumo das aulas preparadas para falar de assuntos que antes discutíamos nas Escolas Dominicais. Não sei se isso acontece em todos os Seminários, mas em muitos lugares, o conteúdo e a profundidade dos temas discutidos pouco difere das aulas que ministrávamos na Escola Dominical para neófitos.

Sei que muitos que lerem esse desabafo, não concordarão em nada com o que eu disse. Mas não é a esses que me dirijo, e sim aos saudosistas como eu, nostálgicos de um tempo em que o cristianismo evangélico no Brasil era realmente referencial de uma religiosidade saudável, equilibrada e madura e em que a Palavra lida e proclamada valia muito mais que o último CD da moda.
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Por Carlos Eduardo Calvani
Coordenador do Centro de Estudos Anglicanos (CEA) em Londrina.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Entrevista com Jürgen Moltmann

Do alto de seus 82 anos de vida, o escritor, pastor e professor Jürgen Moltmann concedeu uma entrevista a CRISTIANISMO HOJE durante esta sua segunda – e, provavelmente, última – estada no país. Ele falou aos participantes de um congresso de teologia e lançou o livro Testamento teológico para a América Latina.
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CRISTIANISMO HOJE: O senhor diz que esta sua viagem ao Brasil é a apresentação de seu "testamento teológico" para a América Latina. Qual seria a principal herança de sua obra?
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JüRGEN MOLTMANN: O debate sobre a esperança. Precisamos de fé, esperança e amor; mas destaco que é necessário aplicar a esperança não somente na eternidade, mas também exercitá-la para que cause efeitos nos dias de hoje. A maioria dos cristãos está aguardando o céu, e não uma nova Terra, de onde brote justiça.
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CH: Essa é sua proposta a partir do livro Teologia da Esperança: uma abordagem da esperança que fuja ao sentimento de resignação. Então, ela é uma força capaz de transformar o mundo?
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JURGEN MOLTMANN: Exatamente. Nos tempos em que vivemos, presenciamos milagres e sinais, certamente não feitos por teólogos, mas por Deus. Acompanhamos o fim do appartheid na África do Sul e muitas outras revoluções democráticas que deixaram para trás formas de ditadura política e militar. Agora, estamos acompanhando a queda do capitalismo, tendo a oportunidade para viver em um mundo mais livre e justo. A maioria dos crentes pensa que espiritualidade é orar; porém, no Novo Testamento, aprendemos que é preciso orar e vigiar. Precisamos de uma espiritualidade dotada de sentidos – ou seja, em uma forma bem figurativa, ao invés de fechar os olhos, temos de abri-los para orar. Uma Igreja desconectada do cotidiano não tem futuro, só passado.
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CH: O senhor acha que a crise atual é a derrocada do capitalismo, assim como o colapso do socialismo no fim dos anos 1980?
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JURGEN MOLTMANN: Bem, não estou satisfeito com esse capitalismo. Espero que consigamos pôr em prática um capitalismo mais social, ou seja, um capitalismo em que o Estado regule de forma mais efetiva a economia. Há um bom tempo, a Alemanha vem tentando fazer isso: desenvolver uma economia social e ecológica, para que o mercado seja para o ser humano e o ser humano não seja sacrificado pelo mercado.
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CH: Isso tudo está relacionado à Teologia Política, ou Teologia Pública, que o senhor inaugurou e sempre destacou?
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JURGEN MOLTMANN: Sim. Isso inclui refletir o aspecto público e a justiça no Reino de Deus. A teologia pública é a política pensada teologicamente e a teologia na abordagem política; por outro lado, também é a cultura num aspecto teológico e a teologia sob o aspecto cultural. Ou seja, a teologia dialoga com a Igreja e a Igreja dialoga com a teologia. Porém, o futuro da Igreja e da teologia é o Reino de Deus, e isso tem de ser o centro de tudo. Estamos numa globalização sem globo, ou seja, a Terra não tem voz nem vez nesse processo. Precisamos de uma nova política da Terra, uma nova economia da Terra, isto é, uma nova ligação com o organismo vivo que a Terra representa.
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CH: Logo, a atuação do teólogo vai muito além da Igreja...
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JURGEN MOLTMANN: Claro que sim! Eu, por exemplo, já fui convidado para ser teólogo em uma faculdade de medicina.
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CH: O senhor enfatiza muito a questão de um suposto sofrimento de Deus. Qual é o valor da cruz e da morte de Cristo para Deus nessa linha de pensamento?
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JURGEN MOLTMANN: Deus sofre para estar próximo de todos os que sofrem por solidariedade e amor. Cristo deixou tudo para procurar aqueles que foram deixados por todos. É a nova forma de uma cristologia de solidariedade – e, como a maioria das pessoas são vítimas e não opressores, precisamos de uma cristologia que pronuncie claramente que Cristo está ao lado das vítimas e que Deus fará justiça.
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CH: Paulo Freire, famoso educador brasileiro, dizia que “ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho. Os homens se libertam em comunhão”. Esta frase, refeita de acordo com a sua teologia, talvez ficasse algo assim: “Ninguém liberta ninguém; ninguém se liberta sozinho. O homem se liberta na comunhão cristã que experimenta Deus no outro”. É nisso que o senhor acredita?
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JURGEN MOLTMANN: Isso me lembra Dostoiévski, que dizia que “o ser humano deve se libertar por conta própria”. Passei pela experiência de ser um prisioneiro de guerra por três longos anos e fui liberto por Cristo. Não tive condição de libertar-me a mim mesmo. Paulo Freire tem uma posição humanista. Eu sou um teólogo cristão, apesar de contra a minha própria vontade, pois queria estudar Física e Matemática. Mas eu respeito os humanistas que querem se libertar por conta própria.
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CH: Então é possível crer em Deus após Auschwitz?
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JURGEN MOLTMANN: Sem dúvida. O texto O Deus crucificado é minha resposta a Auschwitz e ao horror que vivi na guerra. A minha pergunta é: em quem se deve crer depois de Auschwitz, senão em Deus?
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CH: A Teologia da Libertação teve muita força aqui na América Latina, mas o senhor foi um dos poucos teólogos europeus a dialogar com essa teologia. Enfrentou muitas reações por isso?
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JURGEN MOLTMANN: A maioria dos colegas não abraçou a Teologia da Libertação simplesmente porque eram ocupados e preocupados demais com suas teologias denominacionais e confessionais. Não lhes sobrava tempo para dialogar com o mundo, com as teologias ecumênicas e tudo o mais que acontecia ao redor. A resposta mais infame que já escutei sobre isso foi algo como “a teologia feminista é para a mulher, e a teologia negra é para os negros”. Eles não aceitavam o desafio que o outro pode trazer para o diálogo, aprofundando a sua própria teologia.
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CH: O que dizer acerca do fundamentalismo?
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JURGEN MOLTMANN: Os fundamentalistas nas igrejas protestantes deveriam ler e estudar a Bíblia e tentar entender o que temos de viver. Os bispos do Opus Dei deveriam ler os textos do Concílio Vaticano II. Eles estão esquecendo daquele legado, e isso é uma vergonha! E também é uma vergonha que os protestantes estejam lendo a Bíblia como se fosse o Corão. Deus se tornou em Cristo não um livro, mas sim, um ser humano. Por outro lado, os fundamentalistas também são seres humanos e precisam ser acolhidos, assim como as crianças, que não podem crescer sem o amor e respeito dos seus próprios pais. Eu não aconselho falar com fundamentalistas sobre o fundamentalismo, mas sobre experiências de vida e de como eles administraram os sofrimentos, desafios etc.
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CH: O senhor foi colega de docência do teólogo alemão Joseph Ratzinger, hoje o papa Bento XVI. Conte sobre essa experiência.
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JURGEN MOLTMANN: Ratzinger passou por uma experiência traumática em 1968, época da revolução estudantil. Na época, ele passou por um medo apocalíptico, com uma idéia fixa no diabo – destaco que ele escreveu isso em sua biografia, portanto não se trata de difamação. E desde então, ele tenta combater o marxismo ateísta. Só que esse marximo não existe mais na Europa. Na sua última encíclica, a da Esperança, ele gastou três páginas para matar o marxismo. E eu lhe escrevi uma carta dizendo: “Você matou um cadáver”. É por isso que Bento XVI persegue tanto os teólogos da libertação, porque, segundo sua concepção, isso se trata de marxismo. Gente como Jon Sobrinho e Leonardo Boff não são marxistas, isso é uma besteira!
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CH: E o que o senhor pensa sobre o papado?
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JURGEN MOLTMANN: Não o considero uma instituição evangélica.
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CH: Quais os seus livros prediletos?
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JURGEN MOLTMANN: A Bíblia, especialmente o Antigo Testamento; O princípio da esperança, de Ernst Bloch; e A dogmática da Igreja, de Karl Barth. Mas este último tem cerca de 8 mil páginas... [risos].
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CH: A despeito de todos os adjetivos que lhe devotam, como o senhor gostaria de ser lembrado?
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JURGEN MOLTMANN: Sou apenas um simples cristão que busca entender sua fé. Nada além disso.
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Entrevista com Franklin Graham

O presidente eleito Barack Obama escolheu o pastor Rick Warren, da mega igreja da Califórnia, para fazer a oração de posse em 20 de janeiro, despertando a fúria dos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo e dos progressistas.
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Obama e Warren justificaram suas decisões, mesmo sendo um futuro presidente e um pastor de uma mega igreja. O evangelista Franklin Graham já esteve nesta mesma situação quando orou em nome de Jesus na posse do presidente Bush em 2001. Ele falou com a Christianity Today e mostrou sua opinião quanto à decisão de Obama, além de dar seu conselho para Warren.
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CHRISTIANITY TODAY: Você ficou surpreso por Obama escolher Rick Warren para fazer a oração de posse?
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FRANKLIN GRAHAM: Absolutamente, não. Rick Warren convidou o presidente eleito Barack Obama há dois anos para o seu fórum sobre AIDS, e, naturalmente, manteve o debate de forma não oficial em sua igreja com Obama e o senador McCain. Rick demonstrou a Obama que ele é um amigo, mas que, ao mesmo tempo, não mudaria suas convicções. Eu acho que ele é simples e que muitas pessoas vão gostar de ver Rick Warren lá. Acho que ele é uma ótima escolha. Ele é um batista do sul. Ele crê na Bíblia da mesma forma que eu.
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CT: Rick Warren parece estar enfrentando críticas de ambos os lados, dos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo e de evangélicos que dizem que ele não deveria orar na posse de Obama. Você desempenhou este mesmo papel na posse do presidente Bush, em 2001, e seu pai também já desempenhou este papel. Vocês enfrentaram os mesmos desafios?
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FRANKLIN GRAHAM: O presidente Bush foi processado porque eu orei em nome de Jesus. Este processo foi encerrado. Mas em qualquer momento em que você tomar uma posição ao lado de Cristo, haverá controvérsias. Rick Warren é um homem de Deus. Ele é um pregador do evangelho de Jesus Cristo. As pessoas da extrema esquerda odeiam Deus, eles odeiam Seus padrões e odeiam o nome de Seu Filho. As pessoas da esquerda não vão apoiar qualquer relacionamento com pessoas do outro lado. Barack Obama tem mostrado que vai chegar a todos esses limites. Ele está envolvendo evangélicos na cerimônia de posse, mas não sei se ele os incluirá em sua administração. O tempo dirá. Mas Rick Warren será ouvido por Obama em assuntos importantes.
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CT: A aceitação do convite por parte de Warren dá uma aprovação implícita à administração de Obama?
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FRANKLIN GRAHAM: Eu não concordo com tudo o que George Bush fez. Eu não concordo com tudo o que ele acredita. Quando eu aceitei o convite, isto não significava que eu concordava com o presidente Bush. Eu estava lá para falar com Deus, para liderar a nação numa oração pelo nosso presidente. Nas Escrituras somos chamados a orar pelos que nos lideram. Portanto, quem estiver aborrecido por Warren oferecer uma oração ao Deus Todo Poderoso, pedindo por sabedoria e orientação à administração de Obama, é ridículo.
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CT: As críticas direcionadas a Warren têm como alvo o seu posicionamento contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os evangélicos deveriam tomar uma posição pública em relação ao assunto?
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FRANKLIN GRAHAM: É bíblico. Rick Warren ou Franklin Graham ou qualquer outro pregador do evangelho não tem outra escolha além de alertar as pessoas sobre o que Deus diz. Qualquer tipo de relacionamento sexual fora do casamento entre um homem e uma mulher é um pecado contra Deus. É muito sério. Deus vai julgar o pecado e Rick Warren está se posicionando contra o casamento gay. Ele está absolutamente certo, porque esta é a posição de Deus.
Eu apenas sei o que Rick Warren acredita, que o homossexualismo é pecado, e um pecado contra Deus. Deus perdoa os pecados. Mas, para que Deus perdoe os pecados, o pecador tem que se arrepender e se desviar deles, reconhecer Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador e segui-Lo em obediência. Uma pessoa não pode dizer “eu vou seguir a Jesus e pecar”, ela não pode fazer isso. Deus perdoará um homossexual e todos nós como pecadores. Franklin Graham é um pecador, mas eu pedi o perdão de Deus e me afastei do pecado. Quando eu peco, eu tenho que pedir o perdão de Deus e que Ele me limpe.
Os pecadores serão separados de Deus no inferno. O inferno é um lago de fogo eterno – para sempre e sempre. O único caminho que você pode usar para escapar do inferno é através do perdão, através de Jesus Cristo. Seja você um muçulmano, um budista ou hindu, Jesus Cristo morreu por você e derramou Seu sangue na cruz do calvário. Ele pode entrar no coração das pessoas e limpá-lo, se elas quiserem se render a Ele.
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CT: A constituição dos Estados Unidos deveria limitar o casamento para um homem e uma mulher?
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FRANKLIN GRAHAM: O casamento é bíblico e secular. Dois machos não podem produzir filhos e duas fêmeas não podem produzir filhos. É preciso um macho e uma fêmea. É óbvio que Deus fez o sexo para que a raça humana existisse. Não é apenas uma instituição secular, mas uma instituição bíblica. Deus instituiu o casamento. É um compromisso sagrado quando tomamos o juramento entre um homem e uma mulher. Nós não podemos mudar as normas que Deus nos deu.
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CT: Quando você orou na posse do presidente Bush em 2001, você orou “Agora, ó Senhor, nós dedicamos a Ti esta cerimônia de posse do presidente. Possa este ser o começo de um novo amanhecer para a América, se humildemente nos humilharmos diante de ti e reconhecermos somente a ti como nosso Senhor, nosso Salvador e nosso Redentor. Nós oramos assim em nome do Pai, do Filho, o Senhor Jesus, e do Espírito Santo. Amém”. Rick Warren deveria orar no nome de Jesus, na cerimônia de posse?
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FRANKLIN GRAHAM: Eu espero que ele o faça, pois é um ministro do evangelho. Não há outra forma de orar. Um muçulmano não deveria ficar ofendido. [Warren] não tem outra forma de orar que não seja em nome de Jesus. Ninguém deveria se sentir ofendido, porque Rick Warren deve ser quem ele é, e ele é um ministro de Jesus Cristo.
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CT: Você acredita que Rick Warren tornou-se um “pastor de presidente”, num modelo parecido com o do seu pai?
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FRANKLIN GRAHAM: Eu não acho que você assume este papel. É algo que é dado por Deus. O tempo dirá. Meu pai tem sido amigo de todos os presidentes, desde Truman. Não há nenhum outro americano que tenha tido mais influência na Casa Branca. Talvez Rick Warren tenha um relacionamento com presidentes no futuro. Mas não é algo que você busque. Meu pai nunca perseguiu isso; Deus simplesmente deu isto a ele. Se Rick Warren é fiel a Deus, Ele continuará abrindo portas.
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CT: Eu sei que você disse, há um mês, que seu pai não estaria servindo como conselheiro espiritual a Barack Obama.
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FRANKLIN GRAHAM: Ele tem 90 anos de idade. Ele fica feliz simplesmente por poder acordar de manhã. As notícias, na maior parte das vezes, querem fazer muito barulho. Mas são poucas as pessoas de extrema esquerda que sentem que Obama não deveria ter nenhum evangélico ou cristão envolvido na cerimônia de posse. Milhões de cristãos votaram em Obama, e eles têm toda razão em querer estar à mesa. Esta é a cerimônia de posse e Obama tem todo o direito de fazer isso. Aqueles que estão fazendo este barulho se esquecem que esta cerimônia não é deles. É de Obama.
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CT: Você tem algum conselho para Rick Warren?
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FRANKLIN GRAHAM: Meu conselho para o Rick é estar certo de suas convicções e não ceder nenhum passo. Eu não penso que ele fará isso. Quando você tem a extrema esquerda e os defensores dos homossexuais bravos com você, então você deve estar fazendo a coisa certa. Estou orgulhoso do Rick. Ele não retrocedeu nem um pouco e nem deveria.
Eu apenas oro pelo presidente eleito, para que Deus o guie enquanto toma decisões que afetam a todos nós. O presidente tem uma bagunça à sua frente. Infelizmente eu não acho que ele consiga resolver os problemas que estamos enfrentando. Os problemas que estamos tendo no Oriente Médio, os problemas de recursos naturais e aquecimento global estão além de qualquer pessoa. Será preciso que Deus mande seu Filho de volta para redimir este mundo.
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domingo, 4 de janeiro de 2009

Máximas da Blogosfera - 10

"Este simples convite para uma análise à luz da Escritura foi o ato que fez eclodir o grito de "basta", engasgado há muito na garganta de homens de Deus inconformados com o que viam e ouviam; eu creio que foi mesmo um ato de Deus, pelo qual vieram muitos avanços no campo teológico e também social.
Devemos à Reforma, entre outras coisas, o acesso que temos hoje à Bíblia Sagrada em nosso idioma nativo.
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Por Sílvio Araújo
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Post "491 anos da Reforma Protestante"

Máximas da Blogosfera - 09

"Mas Deus é um Pai amoroso e, além de nos dar o direito de escolha, também nos mostra o caminho que devemos seguir. Ele avisa: "o caminho certo é este. Você pode escolher o outro caminho, mas as conseqüência serão estas". E Ele nos diz hoje: "Escolhe a vida, para que vivas!"
E como eu faço escolhas? Amando ao Senhor e dando ouvidos à sua voz. Abra o seu coração e os seus ouvidos para a voz de Deus e as suas escolhas serão as melhores".
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Por Paulo Adriano
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Post "Escolha"

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Bem-aventurados os misericordiosos

Aprendi a verdade dessa beatitude com Henri Nouwen, sacerdote que ensinava na Universidade de Harvard. No auge da carreira, Nouwen mudou-se de Harvard para uma comunidade chamada Daybreak, perto de Toronto, a fim de assumir as tarefas exigidas por sua amizade com um homem chamado Adam. Nouwen agora serve não aos inte­lectuais, mas a um jovem considerado por muitos uma pessoa inútil que deveria ter sido abortada.

Nouwen descreve seu amigo:

"Adam é um homem de 25 anos de idade que não consegue falar, não consegue vestir-se, nem tirar a roupa, não pode andar sozinho, não pode comer sem ajuda. Ele não chora nem ri. Apenas às vezes faz contato com os olhos. As costas são deformadas. Os movimentos dos braços e das pernas são distorcidos. Ele sofre de severa epilepsia e, apesar de pesada medicação, raros dias se passam sem ataques do grande mal. Às vezes, quando fica subitamente rígido, emite um gemido imenso. Em algumas ocasiões já vi uma grande lágrima rolar por sua face.
Levo cerca de hora e meia para acordar Adam, dar-lhe medicação, carregá-lo até ao seu banho, lavá-lo, barbeá-lo, escovar seus dentes, levá-lo à cozinha, dar-lhe o café da manhã, colocá-lo na sua cadeira de rodas e levá-lo até ao lugar onde passa a maior parte do dia com exercícios terapêuticos".

Numa visita a Toronto, observei-o na sua rotina com Adam, e devo admitir que tive uma dúvida passageira quanto a ser aquele o melhor emprego da sua vida. Eu ouvira Henri Nouwen falar e lera muitos dos seus livros. Ele tinha muita coisa a oferecer. Outra pessoa não poderia assumir a tarefa servil de cuidar de Adam? Quando cautelosamente mencionei o assunto com o próprio Nouwen, ele me informou que eu interpretara de todo erradamente o que estava acontecendo. “Não estou desistindo de nada”, ele insistiu. "Sou eu, não o Adam, quem recebe os principais benefícios de nossa amizade.”
Então Nouwen começou a enumerar para mim todos os benefícios que obtivera. As horas passadas com Adam, disse, deram-lhe uma paz interior tão satisfatória que fez com que a maioria de suas outras tarefas intelectuais parecessem enfadonhas e superficiais por contraste. No começo, quando se assentava com esse homem-criança desamparado, percebia como a busca do sucesso na academia e no ministério cristão era obsessiva e marcada pela rivalidade e pela competição. Adam lhe ensinara que “o que nos torna humanos não está na nossa mente mas no nosso coração, não é a nossa capacidade de pensar, mas a nossa capacidade de amar”. Da natureza simples de Adam, ele vislumbra o “vazio” necessário para que uma pessoa possa ser enchida por Deus – o tipo de vazio que os monges do deserto alcançam apenas depois de muita busca e disciplina.
Durante todo o restante de nossa entrevista, Henri Nouwen retornava para a minha pergunta, como se não acreditasse que eu pudesse fazer uma pergunta daquelas. Ele continuava pensando em outras maneiras com que fora beneficiado nesse relacionamento com Adam. Verdadeiramente, desfrutava de um novo tipo de paz espiritual adquirido não dentro dos majestosos pátios de Harvard, mas junto à cama do incontinente Adam. Eu saí de Daybreak convencido de minha própria pobreza espiritual, eu, que tão cuidadosamente arranjo minha vida de escritor para torná-la eficiente e unifocalizada. Os misericordiosos são realmente bem-aventurados, aprendi, pois alcançarão misericórdia.

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YANCEY, Philip. O Jesus que eu nunca conheci. Pág 128, 129.

Máximas da Blogosfera - 08

"Entretanto, embora a presença atuante do Espírito Santo nos traga um fervor e um vigor espiritual semelhante aos que ocorria nos cultos da igreja primitiva, precisamos estar bem conscientes de que Deus não é Deus de confusão ou de desordem e que, portanto, todo culto, por mais poderoso e fervoroso que seja, sempre será uma demonstração de ordem e decência. Atualmente vemos “igrejas” denominadas pentecostais que estão ferindo gravemente esta advertência dada pelo apóstolo Paulo em sua primeira carta direcionada à igreja em Corinto ( I CO – 14.26 – 40)".
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Por Bruno Oliveira
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Post "Ordem e decência em nossos cultos"

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Máximas da Blogosfera - 07

"E observando atentamente a epístola de Judas, vemos que a preocupação dele continua atualíssima. Pois no momento atual da Igreja há tanto misticismo, novas revelações, sensacionalismo, mundanismo, materialismo e variadas distorções da Bíblia Sagrada, que essa epístola parece que foi escrita na década atual. Seguramente devemos seguir seus sábios conselhos: orar, orientar, amar e ter compaixão tanto de quem ensina o erro como de quem segue estes ensinos, mas é preciso ficar atento para não sermos influenciados por alguma doutrina que fira os alicerces básicos do verdadeiro evangelho".
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Por Agnaldo Gomes
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www.despertaigreja.com
Post "Em defesa da Palavra de Deus"

Máximas da Blogosfera - 06


"Atualmente muitos estão vivendo um Evangelho Aladim. Deus foi transformado em um mero empregado, em um gênio da Bíblia. Aquele que outrora era Mestre e Senhor foi empacotado pela Teologia da Prosperidade e é vendido nos templos como se fosse o gênio da estória de Aladim. Vendem um deus que mediante determinações e sacrifícios proféticos dos crentes, realiza todos os seus desejos. Porém, essa visão triunfalista e ufanista trazida pela confissão positiva é algo que se afasta da verdadeira pregação do Cristianismo. Jesus não se fez homem para nos ensinar a ser ricos, mas para nos trazer a mensagem do amor".
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Por Martins
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Post "O evangelho segundo Aladim"

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Máximas da Blogosfera - 05

"Então se pergunta: Para o que serve a igreja como ajuntamento humano? Bem, para mim ela é Fundamental, embora não seja Essencial. Cristo é Essencial. Sem Ele não há salvação! A Igreja é Fundamental. Sem ela não se cresce em maturidade e comunhão! Sem Jesus não há nada. Sem a Igreja não há muitas coisas boas. A Carta aos Hebreus diz que não devemos deixar de nos congregar com os irmãos. A saúde humana demanda convívio. Bem, dizendo isto não estou desencorajando você a deixar de ir a uma igreja. Ao contrário: penso que você precisa muito congregar. E também não estou dando nenhum pouquinho de força para você ficar onde está, ou seja: lugar nenhum. O pior é que quanto mais esse pensamento se instala, mais a pessoa se “sente” longe de Deus mesmo. Trata-se, portanto, de um afastamento psicológico de Deus, e baseado na culpa de não gostar da representante de Deus na terra: a “igreja”. Assim, quanto MENOS a pessoa gosta da “igreja”, MAIS julga que está longe de Deus. Ora, o caminho é justamente o inverso: eu tenho que ter uma relação muito forte e firme na Graça de Deus com Deus, a fim de suportar a “igreja”. Ou seja: eu tenho que ser Igreja a fim de poder conviver com a “igreja”. Do contrário, aconteceria comigo o que acontece com milhares: quando não agüentam mais a “igreja”, deixam a fé...".

Por Juber Donizete
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Post "Decepcionados com a igreja"

Máximas da Blogosfera - 04

"Indo direto ao ponto: está ocorrendo em nosso tempo uma verdadeira “síndrome do conhecimento”. É comum ouvirmos pregadores, possivelmente ao tentar defender a igualdade entre pessoas cultas, de um nível educacional mais elevado, com pessoas incultas e que não tiveram a oportunidade (ou o querer) de crescerem mais em seu nível de intelecto, usarem expressões do tipo: “Deus não quer saber de sua formatura”, “Deus não quer saber se você faz Direito”, “Deus não quer saber se você faz ou já fez teologia”, “Deus não quer o seu diploma e o seu anel de teologia”, “Deus não quer saber se você usa palavras bonitas, se você prega com eloqüência”, e por aí vai! E o mais interessante é quem mais usa dessas frases de efeito são pessoas que não tem um nível cultural/educacional/teológico apurado, na verdade não tem em quase nada".
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Por Anchieta Campos
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Post "A síndrome do conhecimento"

domingo, 28 de dezembro de 2008

Máximas da Blogosfera - 03

"É lamentável que, muito do que ouvimos hoje em boas igrejas, não chega perto do que a Bíblia ensina a respeito de como devemos adorar a Deus. Há músicas que procuram honrar e exaltar o cantor com estilos românticos, contendo letras que tratam Deus como se fosse seu namorado!"
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Por James
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Post "Louvor e música evangélica"

sábado, 27 de dezembro de 2008

Máximas da Blogosfera - 02

“Para os crentes do "reteté", só os seus cultos são verdadeiramente pentecostais e têm o mover de Deus. Mas esses cultos ultrapassam os limites da meninice e muitas vezes são pura expressão de carnalidade e falta de temor a Deus. Seus dirigentes são obreiros neófitos que não estimulam o povo a ler mais a Bíblia e ser mais equilibrados”.
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Por Tharsis Kedsonni
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http://www.kedsonni.blogspot.com/
Post “Adoração louca e reteté”

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Máximas da Blogosfera - 01

Como forma de homenagear meus amigos blogueiros, iniciarei uma série de máximas da blogosfera produzidas pelas mentes brilhantes de nossos prezados neste árduo e santo ministério de propagar Cristo por meio da web.
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Iniciamos esta série com nosso prestimoso Clóvis do CincoSolas:
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"A justiça consiste em retribuir a cada um segundo os seus méritos e a injustiça e negar a alguém aquilo a que tem direito. Lembrando que a corrida é para o céu e que ninguém tem direito a ir para lá, ninguém pode alegar que foi injustiçado. Ninguém pode reinvidicar direitos junto a Deus. Seria Deus então injusto a dar a alguém aquilo a que não tem direito? Claro que não. A misericórdia é um tipo de não justiça, mas não injustiça. Resumindo, como ninguém tem direito nem pode completar a corrida, não haveria injustiça se ninguém levasse o prêmio. Mas se Deus dá o prêmio a alguns que não poderiam adquirí-lo, é misericordioso, não injusto".
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Por Clóvis Gonçalves
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http://www.cincosolas.blogspot.com/
Post "Não depende de quem corre".

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Apostolado ou apostolice?

Já faz algum tempo eu andava curioso por conhecer melhor o chamado movimento apostólico. Não estou falando da Igreja Primitiva, não. Refiro-me aos apóstolos de nossos dias, esses que começaram a pipocar depois de 1980. Então, há pouco mais de um mês, reencontrei meu amigo Freddy Guerrero, que mora em Quito, no Equador. Tive a grata surpresa de saber que ele está investigando o assunto, como parte de seus estudos de pós-graduação. Eu, um leigo no assunto, diante de um "expert"... É claro que bombardeei-o de perguntas.
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Descobri várias coisas. Existem pelo menos três grandes redes apóstolicas. É isso mesmo. São três redes. Quer dizer, estão divididos. Desde logo, vê-se que os apóstolos do século XXI não são um exemplo de unidade em Cristo. Em todas as três redes há uma fortíssima ênfase na batalha espiritual. A maior das redes é de linha carismática. Outra é messiânica, e a terceira é judaizante. Aliás, fiquei de queixo caído ao saber que os apóstolos da linha judaizante negam que Jesus seja Deus.
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O movimento apostólico ensina que cada apóstolo possui autoridade espiritual sobre territórios específicos. Um é apóstolo de Buenos Aires, outro é da Cidade do México, e assim por diante. É claro que o Brasil também já está "loteado". Segundo cálculos feitos por Freddy, existem hoje no mundo todo uns 10 mil "apóstolos". Estes alegam possuir a mais alta autoridade espiritual em suas respectivas regiões. Todas as igrejas, de qualquer denominação, e mesmo aquelas sem filiação denominacional estão sob a autoridade deles. Bem, pelo menos é assim que pensam.
Aproveito para mencionar que Freddy chegou a ser convidado por um "apóstolo" argentino para se tornar "apóstolo" de Quito. Se tivesse aceito, o argentino teria imposto as mãos sobre Freddy e hoje eu seria amigo de um "apóstolo". Felizmente, Freddy teve o bom senso de rejeitar o convite. Fica um pouco a idéia de clube do Bolinha, com um apóstolo convidando alguém para se tornar um deles.
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Pessoalmente, creio que alguns desses "apóstolos" são sinceros em seu desejo de servir a Deus, embora estejam equivocados. Mas não posso dizer isso de todos. Sem citar nomes, Freddy me contou casos de "apóstolos" envolvidos em escândalos sexuais, disputas por poder, enriquecimento à custa das igrejas, etc. Um outro amigo me contou de um "apóstolo" aqui no Brasil que, na sua estratégia de batalha espiritual, resolveu delimitar as fronteiras de sua jurisdição. Como Jesus Cristo é apresentado na Bíblia como o leão de Judá (Apocalipse 5.5) e como os leões demarcam seu território com urina, esse "apóstolo" começou a sair pelas ruas de sua cidade e circunscrever sua área com... sua própria urina! Quanta ingenuidade!
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Uma leitura atenta do Novo Testamento nos leva a questionar não apenas certas práticas do movimento apostólico, mas o próprio movimento. Se não, vejamos:
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Biblicamente a palavra "apóstolo" tem a idéia de procurador ou representante de alguém. A ênfase do vocábulo não está na tarefa em si, mas em quem deu a tarefa ao apóstolo. Por esse motivo, em várias de suas cartas, Paulo se apresenta como "apóstolo de Cristo Jesus" (Galátas 1.1; Efésios 1.1; Colossenses 1.1; 1 Timóteo 1.1; 2 Timóteo 1.1), pois é Jesus quem o havia comissionado. E essa procuração era intransferível. Nem Paulo nem os demais apóstolos da Igreja Primitiva tinham o direito de chamar alguém para ser apóstolo junto com eles. A escolha de alguém para o apostolado era prerrogativa do próprio Jesus (Atos 1.2).
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Além disso, apóstolo era alguém que viu pessoalmente a Jesus ressuscitado (Atos 1.21-26). Aliás, ao defender seu apostolado, Paulo faz uma clara associação entre ser apóstolo e ter visto Jesus (1 Coríntios 9.1). Ele também afirma que Jesus ressuscitado apareceu a todos os apóstolos. No seu caso pessoal, Jesus apareceu-lhe "como a um que nasceu fora de tempo" (1 Coríntios 15.7), pois foi em circunstâncias excepcionais, após Jesus ter subido ao céu, que Paulo viu Jesus (Atos 9.3-6).
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Os apóstolos do Novo Testamento caracterizavam-se, entre outras coisas, por “sinais, prodígios e poderes miraculosos” (2Co 12.12; ver tb At 5.12). Isso funcionava como confirmação de que o apóstolo recebera autoridade da parte do Senhor Jesus. Os acontecimentos não eram coisas do tipo cair no culto, mas verdadeiros milagres, como cura de aleijados de nascença (At 3.2-8; 14.8-10) e ressurreição de um jovem (At 20.9-12).
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Para concluir, o ministério apostólico neo-testamentário não era delimitado geograficamente. Paulo, por exemplo, foi apóstolo dos gentios (Galátas 2.8; Romanos 11.13). Não estava preocupado com territórios, mas com pessoas. Para ele não havia fronteiras. Seu interesse era levar não-judeus ao conhecimento de Jesus, não importa onde estivessem.
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Minha dificuldade em aceitar o movimento apostólico dos nossos dias reside em que os "apóstolos" modernos não viram Jesus ressucitado, não foram designados pessoalmente pelo próprio Jesus, não realizam prodígios e sinais como na época do Novo Testamento e, ao contrário dos apóstolos do século I, se preocupam com a distribuição territorial. Minha conclusão é que tais pessoas declaram-se apóstolos, mas na verdade nunca o foram (2 Coríntios 11.13; Apocalípse 2.2).
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Se, apesar das objeções acima, você ainda está pensando em seguir a profissão de apóstolo, é melhor se apressar. Infelizmente as áreas nobres já estão ocupadas. Mas ainda existem cidades menores sem dono. A propósito, parece que a Antártida ainda não tem apóstolo. Um continente inteiro à disposição! Alguém se candidata?
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Por Márcio Redondo

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Seria Deus o culpado?

“Se Deus existe, ele terá muito do que se explicar.” Esta foi a resposta que o ator Robert DeNiro deu à pergunta “Se o céu existe e você chegasse lá, o que você gostaria de ouvir de Deus?”, feita pelo apresentador que o estava entrevistando num programa da TV americana. DeNiro parece não conseguir lidar bem com a questão do sofrimento e para ele (sua afirmação o sugere), Deus é o culpado.

Antes de repreender o ator por seu ateísmo e descrença no amor de Deus, veja o que escreveu o consagrado pastor batista americano Rick Warren em seu livro Uma vida com propósitos, editado no Brasil pela Editora Vida:

"Deus determinou cada pequeno detalhe de nosso corpo. Ele deliberadamente escolheu sua raça, a cor de sua pele, seu cabelo e todas as outras características. Ele fez seu corpo sob medida, exatamente do jeito que queria".
(página 22)

Se isso é verdade, então Deus é o culpado por todo o mal congênito de que sofra qualquer ser humano. E não só pelos hereditários, mas pelos provocados por fatores impostos pelas circunstâncias, uma vez que o autor afirma: “O propósito de Deus levou em conta o erro humano e até mesmo o pecado” (página 23).


Na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Estado da Bahia, uma empresa foi acionada por ter contaminado a água da região com mercúrio, causando mortes e o nascimento de crianças com sérios problemas e anomalias, condenando-as a sofrimento atroz para o resto de suas vidas. E o que dizer às crianças que nascem soropositivos? Se o pastor americano está certo, isso foi vontade de Deus. Ele é o culpado.

"Uma vez que Deus o fez por um motivo, ele também decidiu o momento de seu nascimento e seu tempo de vida (...) escolhendo o momento exato de seu nascimento e de sua morte".
(página 22)

Se isso é assim, não fazem sentido versículos como: “Mas tu, ó Deus, farás descer à cova da destruição aqueles assassinos e traidores, os quais não viverão a metade dos seus dias” (Sl 55.23); ou: “O temor do Senhor prolonga a vida, mas a vida do ímpio será abreviada” (Pv 10.27); ou ainda: “Não seja demasiadamente ímpio e não seja tolo; por que morrer antes do tempo?” (Ec 7.17); ou mais: “Orem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno nem no sábado” (Mt 24.20). Ou situações como a descrita em Atos 27, em que Paulo profetiza um desastre para a viagem, com prejuízo para a vida dos embarcados (versículo 10), não sendo, porém, ouvido; contudo, após 14 dias de oração, recebe de Deus a confirmação de que não somente seria salvo, como, por graça, recebera a vida de todos os que com ele navegavam (versículo 24).

"Ele planejou os dias de sua vida antecipadamente".
(página 22)

A quem este tipo de informação inclui? Porventura, inclui as crianças que estão sob toda sorte de abuso? Ou as mulheres que sofrem toda espécie de aviltamento? Ou os seres humanos que estão sob todo tipo de tortura? Ou os que estão entre os despossuídos, carecendo de um mínimo de dignidade? Então, Deus é o culpado?

"Deus também programou onde você nasceria e onde viveria para o propósito dele".

É isso que devemos dizer aos que vivem em submoradias, aos que não conseguem ir ao trabalho, qualquer que seja ele, por que moram em regiões onde, por causa da guerra, onde eram apenas vítimas, há minas explosivas espalhadas por toda parte? Também, há os que são obrigados a ver seus filhos expostos a esgoto aberto. Tudo isso, então, é para o propósito de Deus?

Há coisas que são fáceis de dizer quando o público é composto das classes média e rica. Estes, porém, constituem a minoria no mundo. Minoria dominante; porém, o menor grupo da humanidade. A maioria da humanidade padece de pobreza, enfermidade e ignorância. Se tudo isso é a vontade de Deus, o ator de Hollywood está certo. Se Rick Warren, nessa questão, está certo, Robert DeNiro está também.

Nosso irmão, ainda que bem intencionado e de ter em seu texto ótimos conselhos, parece não ter levado em conta a questão de que a queda humana alterou a lógica da Criação, com conseqüências cósmicas e microcósmicas, daí todas as mazelas em todas as dimensões. É verdade que a relação entre a soberania divina e a responsabilidade humana é uma grande incógnita para todos; porém, não é com simplismos, tais como “Deus não sabe o futuro” ou “Deus tudo determinou”, que vamos chegar à solução dessa equação. Precisamos da coragem para afirmar que Deus é soberano e o ser humano é responsável, ainda que não o compreendamos por completo.

Quanto ao cumprimento dos propósitos divinos, temos a afirmação de que, em relação a seus filhos, “sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28). Quanto às demais questões, “Deus estabeleceu tempos e datas pela sua própria autoridade.” (At 1.7).
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Ariovaldo Ramos

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Máximas Teológicas - 12


"O cristianismo sempre insistiu que a cruz que levamos precede a coroa que usamos. Para ser cristão é preciso tomar a sua cruz, com todas as suas dificuldades e seu conteúdo cheio de tensão e agonia, carregando-a até que essa mesmo cruz deixe sua marca em nós e nos redima para aquele caminho mais excelente que vem apenas por meio do sofrimento".


Martin Luther King Jr.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O Evangelho da Graça x O evangelho da simonia


Passava das 23h30 quando entrei naquele táxi forrado de adesivos com mensagens bíblicas. Após orientar a respeito do meu destino, perguntei: “Onde o irmão congrega?” Feitos os esclarecimentos iniciais, logo percebi que estava sendo evangelizado pelo motorista, entusiasmado com sua doutrina. Sua declaração de fé era muito simples e aliás, muito bem articulada em três frases curtas: “Deus abençoa quem se sacrifica; Deus honra quem persevera; e Deus abomina quem retrocede”.

Fiquei impressionado, e logo me aventurei a perguntar como aquilo funcionava no dia-a-dia. As respostas estavam sempre na ponta da língua: “Quando você quer receber uma graça de Deus tem de dar alguma coisa em troca”. Imaginei que isso explica a primeira parte, “Deus abençoa quem se sacrifica”. Fui esclarecido de que o tamanho da bênção depende do tamanho do sacrifício. Onde aparece “sacrifício”, leia-se “oferta financeira na corrente de fé”, que dura quarenta noites – o mesmo tempo que Jesus passou no deserto.
“Agora, se o senhor não receber a graça durante o tempo da corrente, não deve desanimar.” Esta é a aplicação da segunda parte, "Deus honra quem persevera", pensei. “Mas, olha, você não pode faltar nenhuma noite, nem desistir no meio da corrente, senão tem que começar tudo de novo.” Isso completa a declaração de fé: "Deus abomina quem retrocede".

Antes de descer do táxi, convicto de que o Espírito de Deus é o único capaz de guiar a toda verdade (Jo 16.13), resumi o Evangelho da graça de Deus em duas notícias, uma boa e outra ruim. Contei primeiro a pior das notícias: o pecado do homem faz separação entre Deus e os homens, e ninguém pode fazer nada para conquistar o favor de Deus. Em seguida, apresentei a boa notícia, a melhor delas: o sacrifício de Jesus da cruz é suficiente para que Deus nos abençoe com todas as bênçãos espirituais, pois se Deus não poupou nem mesmo seu Filho, como não nos dará também com ele todas as coisas? (Rm 8.31,32).

Fiquei olhando o táxi sumir na escuridão da noite, imaginando o que a Palavra Viva faria dentro do coração e da mente daquele homem durante a madrugada. Naquela noite me lembrei da história de Simão, um mágico muito respeitado que vivia na cidade de Samaria na época em que Filipe passou por lá pregando o Evangelho do Reino de Deus. Simão ficou impressionado, abraçou a fé e “foi batizado, e seguia Filipe por toda parte, observando maravilhado os grandes sinais e milagres que eram realizados” (At 8.9-13).

Simão podia facilmente ser confundido com um cristão: creu, foi batizado, foi discipulado e conviveu no ambiente das manifestações poderosas de Deus. Aliás, para quem olha de relance, Simão é cristão. Mas a história não termina aí. Lucas, o evangelista, conta que, quando Pedro e João chegaram a Samaria para verificar se o Evangelho pregado por Filipe era o mesmo que os apóstolos pregavam em Jerusalém,impuseram as mãos sobre os convertidos e todos receberam o Espírito Santo (At 8.14-17).

Simão, que já estava impressionado com Filipe, foi ao delírio com a demonstração de poder pelas mãos de Pedro e João. Imediatamente ofereceu dinheiro para que Pedro e João lhe dessem daquele poder extraordinário. Naquela hora, o apóstolo Pedro foi enfático: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus”. Simão não entendera o fundamental: as bênçãos divinas são concedidas em razão da graça de Deus, e jamais pela conquista humana, pois não há nada que o homem possa fazer para merecer o favor de Deus.

A Bíblia conta a história de outros homens que também creram em Jesus, mas nem por isso se tornaram cristãos. Quando Jesus estava “em Jerusalém, na festa da Páscoa, muitos viram os sinais miraculosos que ele estava realizando e creram em seu nome. Mas Jesus não se confiava a eles, pois conhecia a todos” (Jo 2.23,24). Em outras palavras, crer no poder e na autoridade do nome de Jesus não faz de ninguém cristão.

Receio que este mesmo fenômeno esteja acontecendo hoje na cristandade. As pessoas estão descobrindo que Jesus é maior do que os exus, tranca-ruas e outros bichos e saem por aí declarando, com toda razão, que Jesus Cristo é o Senhor. Mas acontece que querem se relacionar com Jesus como se relacionavam com os demônios ou santos de devoção, isto é, pela via das promessas, penitências, sacrifícios e ofertas. Acreditam que Deus abençoa quem se sacrifica, honra quem persevera e abomina quem retrocede. Julgam que podem comprar o dom de Deus e caminham para a perdição, a exemplo do pseudocristão chamado Simão.

Seja sobre nós o Espírito de toda a verdade, e faça triunfar no Brasil o Evangelho da graça de Deus.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Crentes de Beréia ou crentes-diarréia?


A tarefa da Teologia, ao contrário do que muitos pensam, sempre foi de sistematizar e facilitar as doutrinas cristãs para que a comunidade cristã viva uma vida em santidade de acordo com o ensino das Escrituras. Traçar paralelos entre a Teologia e situações de nosso dia a dia é uma boa maneira de aprender. No presente texto vamos fazer uma reflexão teológica sobre dois tipos de cristãos: os crentes de Beréia e os crentes-diarréia.

Existem basicamente dois tipos de diarréia: a simples e a perigosa. Para deixar o texto com ar mais científico podemos definir também como diarréia benigna e diarréia maligna. A diarréia simples ou benigna é a que presenciamos eventualmente em nosso cotidiano. Ela ocorre, em muitos casos, devido à ingestão de alimentos que não foram tratados com devida higiene ou com ingredientes estragados. A diarréia simples possui alguns nomes populares como, por exemplo, “piriri-gangorra” e é, freqüentemente, motivo de boas risadas entre um ciclo de amigos. Afinal, ver um amigo sair mais cedo do trabalho ou da escola para passar o dia inteiro “diante do trono” é muito cômico.

Já a diarréia perigosa ou maligna não é motivo de piada. Ela é evidenciada principalmente nos locais mais pobres do mundo, como a áfrica. Ela ocorre devido ao escasso acesso à água potável. A diarréia maligna é fatal por duas razões: a criança é privada de água pura, que é essencial para a manutenção do corpo humano e, além disso, ingere água contaminada, levando para dentro de seu estomago, vermes, bactérias, etc. A diarréia maligna dizima, anualmente, 1,8 milhões de crianças africanas.

O que seria um crente-diarréia? Bem, é um crente que sofre de uma diarréia espiritual. Da mesma forma que ocorre com a diarréia comum, a diarréia espiritual possui dois tipos: diarréia espiritual "benigna" e diarréia espiritual maligna. Podemos evidenciar os dois tipos de diarréia espirituais entre os crentes. A diarréia espiritual "benigna" é a que faz os cristãos serem motivos de chacota perante o mundo. Entre os sintomas dessa diarréia podemos apontar, por exemplo, os chavões do povo evangélico brasileiro. As pessoas gritam “Aleluias” sem saber que “Aleluia” não pode ter plural, aliás, na maioria dos casos, nem sabem o significado daquilo que estão gritando! Também podemos apontar os atos proféticos ridículos como fazer xixi profético para demarcar território do Espírito Santo; brincar de leãozinho a quatro patas durante eventos supostamente evangelísticos; colocar nos punhos cordinhas para amarrar demônio, entre outros. Essas atitudes de circo fazem o povo evangélico ser motivo de piadas. Porém, ao contrário de uma pessoa comum com diarréia (que ouve chacota sem gostar), os evangélicos parecem gostar de fazer papel de besta. Quanto mais criticados, mas alto cantam "não importam o que vão pensar de mim...". A diarréia espiritual "benigna" também é causada pela ingestão de alimentos espirituais de má procedência, mas não totalmente estragados, pois ninguém ingere o que sabe ser ruim. Aquelas coxinhas fritas espirituais dos botecos de esquina, apesar de ter aparência boa, são cheias de colesterol espiritual e, cedo ou tarde, vão te jogar no chão. Esses alimentos vêm disfarçados de Evangelho, mas contêm princípios seculares, anti-bíblicos e carregados de padrões mundanos. Para não passar nada em branco em nossa comparação, podemos apelidar esse estado como “espiriritual-gangorra”. Da mesma forma que ocorre com a diarréia espiritual "benigna", a diarréia espiritual maligna também surge devido à má alimentação, porém, essa diarréia é fatal. Quando o crente deixa de se alimentar da Água Viva, Jesus Cristo, o corpo não resiste e morre. A Água Espiritual é essencial para que a vida espiritual exista, sem ela morremos. Ouvimos com freqüência notícias de que grandes templos europeus têm fechado as portas, esse é um sintoma da diarréia espiritual maligna. A alma que não bebe da Fonte da Vida, morre. Como vimos nos dois casos, à diarréia é causada pela ingestão de maus alimentos. Como procedemos em caso de diarréia? Primeiro, devemos correr ao vaso sanitário espiritual e eliminar os resíduos dos alimentos contaminados, limpar com papel higiênico espiritual e dar descarga (será que foi daí que veio o culto do descarrego?). Depois de sarados, devemos tomar cuidado para não voltarmos a ser crentes-diarréia. Para isso, devemos agir como os crentes de Beréia. Quem são eles? Veja o que a Bíblia diz:

“Ora, os cristãos de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram, de fato, assim" (Atos 17:11).

Os cristãos de Beréia não eram como os de Tessalônica. Eles examinavam tudo. Não engoliam qualquer coxinha espiritual. Como os crentes de Beréia, devemos ser mais criteriosos quanto ao que vamos ingerir espiritualmente. A saúde de nossa alma depende disso. E, o mais importante, devemos nos saciar da Água Viva, para que nossa alma não entre em desidratação espiritual.
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Eliel Vieira

A Ressurreição de Cristo


Fui convidado para tomar o café da manhã com Konrad Adenauer antes de ele se afastar do cargo de Chanceler da Alemanha. Quando cheguei, espe­rava encontrar um homem forte e normal, capaz de ficar embaraçado se eu lhe falasse de religião. Após os cumprimentos, o Chanceler virou-se para mim, repentinamente, e perguntou: "Sr. Graham, qual é a coisa mais importante do mundo"? Antes que eu respondesse, ele tinha pronta a sua resposta: "A res­surreição de Jesus Cristo. Se Jesus Cristo está vivo, então resta uma esperan­ça para o mundo. Se Jesus Cristo está no túmulo, não vislumbro esperança alguma no horizonte". E voltou a me surpreender ao dizer que tinha a ressur­reição de Cristo como um dos fatos mais seguros da história. Disse ele ainda: "Quando deixar o cargo, pretendo passar o resto de minha vida reunindo pro­vas científicas da ressurreição de Jesus Cristo".
Foi o fato da ressurreição de Cristo que levou os discípulos a trabalha­rem como revolucionários apaixonados e pioneiros na transformação do mundo do seu tempo. Eles pregavam que Cristo estava vivo. Esta deve ser a nossa mensagem, não só na Páscoa, ou no Natal, mas em todos os dias do ano.
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Billy Graham

sábado, 6 de dezembro de 2008

Um ídolo chamado mercado


O mercado tem sido cada vez mais citado como força propulsora de sociedades inteiras e de todo tipo de relação, das interpessoais às internacionais. Utilizando-se de uma série de mecanismos para estabelecer parâmetros, fomentar condutas e definir regras, o mercado tem sido elevado a uma espécie de altar neste século 21. Por suas regras, a capacidade empreendedora transforma matéria prima em produto, a fim de se atender às demandas e aos interesses dos clientes. É assim que surge o lucro, objetivo primordial do mercado; na outra ponta, o mesmo produto proporciona certo grau de satisfação a quem o consome. Entidade distante da compreensão das pessoas comuns, e ao mesmo tempo tão próxima a ponto de interferir na vida do indivíduo, o mercado transcendeu a esfera puramente econômica para intrometer-se na política, no esporte, na ecologia e até na religiosidade.A indústria do futebol, por exemplo, conseguiu atender as demandas de entretenimento e paixão dos torcedores, transformando um tipo de “matéria-prima” em produto passível de comercialização. Empreendedores conseguiram transformar o futebol num dos mais rentáveis negócios de mercado. A capacidade de crianças e adolescentes de controlar e conduzir com os pés uma bola de futebol – habilidade tão comum entre os brasileiros – é o que alimenta essa indústria. Assim, a partir de garotos, são fabricados atletas nas indústrias especializadas do futebol, os clubes ou centros de treinamentos, que passam a vender atletas e serviços de entretenimento para seus clientes. Outro exemplo marcante é o da chamada indústria de turismo, que nos últimos tempos tem sido uma das principais fontes de renda de diversos países. Há uma demanda de clientes interessados em novas experiências pessoais e no lazer. Pode-se considerar como “matérias-primas” deste mercado as belezas naturais de um determinado destino, assim como a arte, a cultura, o folclore ou a culinária de um povo ou região. Enfim, empreendedores de diversos segmentos conseguem atender às demandas de seu público-alvo, transformando até mesmo o talento ou a habilidade humana em produtos a serem comercializados. E o mercado religioso? Este também tem crescido, e alimentado uma florescente indústria da fé. De um lado, temos a religião institucional utilizando-se dos elementos do mercado para justificar a funcionalidade pragmática de seus métodos; de outro, temos os devotos desse ídolo fundamentando esperanças no acúmulo de suas dádivas, os bens materiais. Desse modo, surge uma nova forma de ser e fazer religião, que de fato caracteriza-se muito mais como um negócio de mercado. Há uma demanda subjetiva, a tentativa humana de encontrar na transcendência uma resposta para as questões da vida, um jeito de se encontrar um caminho mais fácil e rápido para solução de problemas e realização de expectativas. O ser humano é, por natureza, religioso. Ele desfruta de um campo subjetivo, que o impulsiona ao exercício da fé e à busca de um espaço coletivo onde possa relacionar-se com a divindade. A matéria-prima capaz de atender a essa demanda é a oração, a reza e os cânticos, assim como a confissão, as experiências místicas e as manifestações espetaculares, como o milagre. Empreendedores conseguem atender os desejos de seus clientes oferecendo-lhes os produtos da indústria dos negócios da religião. Da mesma forma como as indústrias fabricam o produto final que será comercializado, instituições religiosas são as fabricantes de respostas para consumo da alma. No mercado, tanto umas como as outras têm a mesma natureza e usam a mesma lógica. Pela lei da oferta e da procura, que rege o mercado desde os primórdios da civilização, é a sociedade que determina a viabilidade dos empreendimentos. Nos dias de hoje, com o surgimento de novos mercados, cabe a ela, também, o papel de acompanhamento e fiscalização dos negócios que realizam. Os empreendedores da atividade religiosa e seus atravessadores usam como mediação o nome de Jesus, e muitos acreditam que estão seguindo de fato a Cristo. Não percebem que, na raiz dessa neocristandade, não se está buscando ao Senhor nem os compromissos decorrentes do seu Reino, mas apenas objetivando interesses exclusivamente materialistas. Os mercadores da espiritualidade fazem do nome Jesus um mero amuleto. Dentro de tamanha relação mercantilista, não há diferença se o mediador é o Filho de Deus ou um ídolo qualquer – até porque, neste caso, a grande divindade é o capital, a conta bancária, enfim, o vil metal. Todavia, transações de caráter comercial não cabem no Evangelho. Para os servos de Deus, é necessário averiguar na experiência de Jesus Cristo e da primeira geração de discípulos uma outra maquete, fundamentada na graça, no amor e serviço aos pobres e marginalizados; enfim, uma opção de serviço e sacrifício pelo bem comum. Nesse novo jeito de se fazer religião, muitos cristãos, inclusive os de boa vontade, não percebem que fazem parte de uma nova ordem espiritual regida pelo ídolo do mercado. Uma divindade cujas faces modernas nada mais são do que maneiras novas de se fazer coisas antigas. Só não percebe quem ficou cego pelo deus deste século.
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Por Carlos Queiroz
www.cristianismohoje.com.br

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Máximas Teológicas - 11


"O cristianismo não é uma série de verdades no plural, mas é a Verdade escrita com V maiúsculo. É a Verdade sobre a realidade total, não apenas sobre assuntos religiosos".

"O cristianismo bíblico é a Verdade concernente à realidade total; é a propriedade intelectual dessa Verdade total, e então vive segundo essa Verdade".

Francis Schaeffer



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