quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Entrevista com a Missionária Rose Ovídio

Final do culto de domingo à noite, e fácil-fácil veremos a Missionária Rosemeire Ovídio dos Santos (Rose para os íntimos) sempre alegre com seu sorriso contagiante, conversando e beijando todos os irmãos, sempre com muito carinho e atenção para atender a todos que a abordam.
Como não sou bobo nem nada, solicitei logo uma entrevista para nos contar suas experiências de campo. Dentre outras perguntas, falamos sobre sua conversão; sua atuação no campo missionário; a situação da igreja moderna, entre outras.
Rosemeire Ovidio dos Santos é Missionária, Ministra de música, Conselheira para dependentes químicos, Ministra da Palavra de Deus, intercessora, professora e escritora.

Confira agora mesmo esta edificante entrevista.


Reflexões do Reino: Como foi sua conversão e seu chamado para a obra de Deus?

Rose: Minha vida em tudo não é por vias normais, afinal, sou serva do Deus que com apenas uma palavra disse haja, e tudo passou a existir! Ele é Deus criativo, para que seu poder seja manifestado de forma a não deixar dúvidas aos homens que foi Ele que agiu.
Minha conversão foi de forma "louca", mas extraordinária a forma como Deus me resgatou do mundo dos mortos.
Aos meus 13 anos, me envolvi com álcool, e com isso minha vida de adolescente foi um caos. Aos 15 anos conheci um homem que me apaixonei perdidamente, achei que tudo mudaria, pois a recíproca era verdadeira, mas aos 17 anos ele morreu e então me afundei no álcool; não tinha aprendido a lidar com perdas, não tinha mais noção do certo e do errado; foram cinco anos de tortura na mente e no corpo. Fiz tantas loucuras que nem valem a pena contar.
Aos 22 anos foi a derradeira, quando tentei suicídio. A coisa era tão assustadora, que maquinei algo terrível contra minha própria vida. Queria agredir a todos da minha família, pois não existia um culpado pelas perdas que tive, mas o inimigo se incumbiu de soprar em meus ouvidos para me vingar da minha família me fazendo acreditar que eles eram os culpados. Assim, coloquei em prática um plano diabólico, que por motivos fortes, não contarei os detalhes. Mas uma coisa era certa, o inimigo não estava brincando, ele queria tirar a minha vida de qualquer jeito.
E foi então, que fiz uma mistura de drogas, um coquetel de remédios, maconha, cocaína, bebidas destiladas, engoli tudo misturado e entrei em coma.
Mas ali, o plano perpétuo do Senhor já estava em ação.
Minha irmã e meu cunhado estavam na igreja, pois era um domingo de manhã. Minha irmã começou a ficar incomodada na igreja, sentindo que estava acontecendo alguma coisa. Mas já era o Espírito Santo tocando-a para voltar para casa, pois eu estava lá em um estado terrível. Meu cunhado não entendeu nada, mas a acompanhou até em casa. Foi quando me pegaram com um facão na mão lutando comigo mesma; meu cunhado conseguiu me desarmar, terminei de tomar o coquetel e desmaiei. Era a overdose.
Foi então, que começou a minha experiência sobrenatural com o Senhor Jesus. Entrei em coma e logo em seguida (pois assim me parecia), eu me vi em um lugar onde a minha frente, existia um portão tão imenso, que olhei para os lados e não consegui ver o fim dele (era a porta para perdição – Mt 7.13). E do lado de dentro, eu ouvia sons horríveis, gritos, gemidos. Então me apavorei e comecei a pedir socorro. Foi quando vi uma mão imensa vindo em minha direção e uma voz forte me disse para não temer e começou a conversar comigo me perguntando se sabia onde eu estava, se eu tinha noção do que estava acontecendo? Fiquei apavorada, pois não estava entendendo o que estava acontecendo. E então aquela voz se apresentou e me disse que era Jesus. Eu não conseguia ver um rosto, mas senti aquela mão segurar a minha mão e me senti protegida, pois os gritos que ouvia eram horríveis, que vinham de dentro daquele portão. O Senhor me perguntou se lembrava o que havia acontecido comigo e me disse algo que me fez tremer. Se eu tivesse concluído com aquele facão o que tinha em minha mente, não estaria fora do portão, mas sim dentro dele. E então pude entender que ali era a entrada para a perdição eterna, onde nunca havia acreditado, e achava que era historinha para eu deixar de fazer as coisas que fazia. Ali, pedi para o Senhor me ajudar e não permitir que eu entrasse ali. Foi então que o Senhor Jesus, me fez a pergunta mais importante, que iria mudar por completo minha vida. Ele me perguntou se eu queria uma "nova chance", se agora eu O reconhecia como Deus?
Eu disse que sim, que queria esta nova chance, que mudaria tudo em minha vida, e que o aceitava como meu Senhor e meu Deus!
Foi então que acordei do coma e quando vi na beira da minha cama, estavam minha irmã e meu cunhado de joelhos orando por mim, cada um de um lado. Quando abri meus olhos e vi aquela cena, meio sem entender direito o que estava acontecendo, me senti envergonhada. E assim o Senhor me trouxe de volta a vida.
Os dias se passaram e resolvi mudar de vida, juntei todos os remédios que tomava para dormir, coloquei em uma sacola e entreguei para minha irmã, para levar para um hospital que tivesse precisando. Então senti em meu coração que precisava ir a alguma igreja evangélica, onde eu precisava tomar uma decisão de fato, onde as pessoas pudessem ver a decisão que havia feito com o apelo do Senhor Jesus.
Mas não pense que o inimigo ficou satisfeito com a minha mudança. Ele veio falar em meu ouvido, que se eu aceitasse Jesus, me tiraria a coisa mais preciosa que possuía, meu sobrinho Roberto. Disse-me que mataria o meu sobrinho e toda a minha família. Resumindo, ele me ameaçou. A princípio fiquei assustada, confesso que tive muito medo, mas não voltei atrás na minha decisão e disse para o diabo que poderia matar todos da minha família, mas que eu iria entrar em uma igreja e iria confessar diante dos homens que Jesus era agora o meu Senhor. Depois disso voltaria, choraria e sepultaria todos eles, se realmente estivessem mortos.
Fui a 1ª Igreja Batista do Pechincha, onde fui a primeira chegar; a igreja estava fechada quando cheguei. Aguardei e quando abriram, entrei e fiquei aguardando ansiosamente. Quando o pastor fez o apelo, eu fui correndo lá na frente e disse que já havia aceitado Jesus, mas queria fazer diante dos homens.
Bem, irmãos este pastor foi quem em batizou, Pastor Luís Tomás de Queirós. Foi este homem de Deus que me ajudou em muitas crises de ansiedade que tive, em princípios de depressão. Pois o inimigo investiu pesado, para que eu desistisse e voltasse ao vômito novamente (Pv 26.11).
Mas logo, fui fazer seminário no Batista do Sul e Deus começou a agir de forma linda em minha vida. Deus abriu o Seu bom tesouro para mim. Pois a sua Palavra era de forma clara em minha vida teórica e prática. Ali senti o chamado de Deus para a música, fiz Instituto de coral, canto e montei uma banda que na época era um escândalo para os mais tradicionais. Mas foi esse o nome que o Senhor nos deu, Banda Ide. Louvamos em muitos lugares. Foi quando fui morar em São Paulo e minha vida mudou radicalmente, pois o avivamento havia entrado na minha vida e quando retornei ao Rio de Janeiro, fui congregar na Assembléia de Deus, onde conheci os mistérios de Deus com mais propriedade, onde o Senhor já havia me separado para oração e intercessão. Foi quando conheci o ministério onde congrego até hoje.
E desta maneira Jesus entrou em minha vida, de forma tremenda, única e sobrenatural. E ainda continua se movendo de forma tremenda em minha vida. Assim deu-se o meu chamado, mas sinto que o Senhor ainda está me lapidando para ser usada de forma plena. Um verdadeiro avivamento para a minha vida!


Reflexões do Reino: Como foi seu envolvimento com dependentes químicos?

Rose: Meu envolvimento com dependentes químicos, foi novamente sobrenatural, pois na verdade o Senhor começou a colocar dentro do meu coração um amor que não era normal por mendigos e meninos de rua. Então comecei um trabalho de evangelização em algumas casas de recuperação e o trabalho começou tomar uma proporção grande em áreas carentes, aonde pessoas vinham, sei lá de onde, para pedir ajuda e fazer aconselhamento. E mais interessante que só vinham homens pedir ajuda. Quando vi que estava tendo um retorno em fazer aconselhamentos, resolvi investir em cursos para aprender trabalhar como conselheira. Deus foi abrindo portas de forma sobrenatural e começamos a trabalhar com mais respaldo; vidas começaram a chegar logo no primeiro ano que comecei a trabalhar e quase 100 vidas foram levadas para casas de recuperação espalhadas pelos municípios do Rio.
Então, conheci um homem de Deus, presbítero Alex, e trabalhamos juntos a mais de 8 anos, onde Deus tem nos honrado de forma tremenda e sobrenatural, pois não temos ajuda de governo e nem de igrejas. Contamos com a ajuda de doações através do toque do Senhor nos corações, onde 40 homens vem recebendo o apoio necessário para não retornar as drogas ou ao tráfico.


Reflexões do Reino: Conte-nos como têm sido as experiências do campo missionário. E quais são os projetos para o futuro?

Rose: Deus tem nos presenteado com uma área de quase 7000m², onde estamos implementando um projeto de uma casa de recuperação e apoio aos familiares. E tudo acontecendo da forma sobrenatural de Deus. Dependemos exclusivamente do agir de Deus.
Missões é minha linguagem, afinal, estes 22 anos na presença do Senhor Jesus, tem sido um campo missionário, a começar em casa, onde ganhei uma boa parte da minha família para Jesus, inclusive meu pai, que levantou sua mão pela primeira vez em um culto dos jovens em minha casa. Hoje ele dorme no Senhor.
Mas Deus tem me levado a muitos lugares, cidades, igrejas, onde tenho visto milagres acontecendo e vidas sendo restauradas pelo nome de Jesus.
Um dos projetos mais "ousados" que Deus me envolveu, foi uma cidade chamada Gelo na Itália, onde fui procurada via telefone por uma irmã que através de uma ligação interurbana por "engano", começou a falar de Jesus para outra pessoa do outro lado na linha e ao término desta conversa, a pessoa pediu que alguém fosse em sua cidade, pois lá não havia nenhuma igreja evangélica. Depois que tive uma espécie de câncer nos rins no ano de 2002, tive a oportunidade de colocar meu testemunho na internet. Porém, a irmã desta moça agora estava passando por uma situação muito difícil, um câncer no intestino, onde já havia sido "sentenciada" pelos médicos. Depois de ler parte do meu testemunho em um site na internet, me escreveu, pedindo ajuda em oração. Durante meses oramos pedindo ao Senhor que fizesse um milagre naquela vida e da mesma forma que aconteceu comigo, o milagre aconteceu com ela. E então começamos uma amizade forte, e toda vez que precisava de alguma ajuda, me procurava. Foi quando um dia ela me ligou falando deste telefonema. Então mandei que procurasse seu pastor, mas para minha decepção, ela estava sem pastor, pois a igreja onde ela congregava em Palermo estava com um movimento estranho, onde a igreja estava sendo dividida em vários pedaços. Resumindo, ela se encontrava sem pastor e sem igreja. Mandei que ela procurasse outra igreja. Mas a irmã da cidade de Gelo ligou, dizendo que já havia convidado várias pessoas para um culto naquele lugar. Então não tivemos tempo para mais nada, a não ser pedir orientação ao Senhor Jesus e encarar mais este desafio. Começamos a orar, eu aqui no Brasil e ela lá na Itália, e juntou-se a nós, a sua irmã que foi curada de câncer e um casal. Começamos a orar e o Senhor nos deu aval para marcar o culto em Gelo.
Quando chegaram lá, ela disse que a moça que pediu o culto tinha muitas posses e já tinha feito reservas em um hotel na cidade para eles, com tudo pago, e que tinha convidado muita gente para o culto que seria em sua casa. A casa era feita sob pilares e que embaixo havia uma garagem do tamanho da casa toda.
O horário do culto foi se aproximando. No telefone, falei que Deus era com ela e com todos envolvidos naquele trabalho missionário. Orei e desliguei. E quando ela me ligou novamente, foi para contar que Deus havia dado vitória e que 50 vidas aceitaram a Jesus como seu Salvador e Senhor.
Ainda estou dentro deste projeto. Meu coração “geme por Gelo”. Este é o projeto mais tremendo que Deus me fez participar, onde fui convidada para ir para lá dirigir uma igreja. Porém, estou aguardando uma resposta no Senhor, pois ainda tenho uma outra promessa aqui no Brasil que aguardo como a sentinela aguarda o romper da manhã. (Sl 130.6)


Reflexões do Reino: Mudando um pouco o rumo de nossa prosa, temos visto um crescimento numérico muito grande em nossas igrejas. Alguns mais otimistas dizem que estamos passando por um avivamento; os mais pessimistas dizem que estamos somente inchando. Como você vê esse crescimento exacerbado?

Rose: A respeito do crescimento exacerbado da igreja tem um por que. O nome dado a este crescimento chama-se campanhas, campanhas e campanhas. Está havendo um exagerado movimento nas igrejas para chamar a atenção do povo. E como os dias têm sido maus com relação à área familiar, nas finanças, na área sentimental e em quase tudo, as igrejas têm investido em campanhas para atrair o povo que está carente. E como a Bíblia descreve, as pedras estão clamando (Lc 19.40).
Não sou contra campanhas, sou contra trocar o Espírito Santo, que deve ser o que atrai as pessoas para as igrejas. E nesse movimento, tenho visto um inchaço dentro das igrejas sim, um falso avivamento. Pois se existisse avivamento nas igrejas, não teríamos tanta gente doente e problemática.
Quando se fala em avivamento, se pensa logo em cultos “cheio de poder”, revelação, línguas estranhas, muito barulho e etc. Mas o verdadeiro significado de avivamento, pode ser encontrado em Atos 2:38-39, um verdadeiro encontro como o Senhor Jesus e receber o dom do Espírito Santo para que o Seu poder seja manifestado através de nossa vida e daqueles que estão ao nosso redor. Avivamento é prestação de serviço em favor do Reino de Deus.
Esta é uma promessa feita no antigo testamento em Joel 2:28-29 “E há de ser que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. E sobre os servos e servas derramarei o meu Espírito”.
Avivamento genuíno é descrito de forma clara no livro de Atos, pois fala sobre a expansão do evangelho e o inicio do avanço até os confins da terra. Enfermos eram curados, aleijados passavam a andar e cegos enxergavam. E assim via-se o Espírito Santo atuar de forma poderosa, milagres e prodígios eram visto por todos os lugares onde o avivamento era levado.

Reflexões do Reino: Temos visto muitos eventos e shows com o rótulo de “gospel” como o “Canta Rio”, “Marcha para Jesus” e outros. Como você encara esses eventos? O propósito é evangelístico ou existem outros fin$?

Rose: Meu bom Deus! Falar de eventos gospel...prefiro me abster. Mas uma coisa é claro como o sol de meio dia, nada é feito sem fins lucrativos, e as desculpas são as mais absurdas. O nome do Senhor Jesus tem sido enxovalhado, onde pessoas cantam e dançam de forma sexy, sem temor algum. Socorro!

Reflexões do Reino: Hoje, o seio pentecostal tem dado muita vazão às experiências místicas em detrimento da Palavra. Deus disse por intermédio de Oséias que o povo estava sendo destruído por falta de conhecimento. Você teme que esta palavra seja também para os nossos dias?

Rose: Muitas coisas têm aparecido no “seio pentecostal”, e muitas heresias têm se instalado dentro das igrejas. Um exemplo disso é culto aos anjos, uma idolatria com “capa” santa. E com toda a certeza, a profecia de Oséias, nos serve como alerta. Os preceitos do Senhor têm sido colocados de lado, as verdades não têm sido pregadas na sua inteireza, para que o povo seja verdadeiramente orientado e conseqüentemente deixar de ser destruído.

Reflexões do Reino: Alguns pregadores na ânsia de falar sobre suas experiências místicas e seus testemunhos mirabolantes têm desmerecido o estudo da teologia, pois verberam que “Deus não precisa do teu estudo!” ou “Deus não precisa do teu anel de doutor!”. Até que ponto é válido o estudo da teologia?

Rose: É claro que estudar faz parte da vida do cristão e é através do estudo que homens e mulheres de Deus têm levado um evangelho limpo e claro, sem os “retetés” da vida, pois conheço muitas pessoas que só dão vazão aos “bate-pés”, mas quando é para falar dentro da palavra, deixam a desejar. O próprio Deus usou o profeta Oséias para dizer que o povo é destruído por falta de conhecimento e conhecimento só vem através de estudo, de tempo “perdido” em pesquisas e estudos.
Adquirir conhecimento é necessário, até mesmo para que os que são de fora, vejam que ser crente, não é ser “burro”, “porco” e “coitado”, mas que ser crente em Jesus é ser privilegiado de ter o Mestre dos mestres como nosso ajudador.
A Bíblia diz em Efésios 4:11-12 que Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo.
Tudo para uma igreja edificada, madura e sem que seja levada por ventos de doutrinas.

Reflexões do Reino: Missionária Rose, foi um prazer ter você aqui no Reflexões do Reino. Deixe um recado para nossos leitores.

Rose: A mensagem que quero deixar para os leitores é um algo que o Senhor compartilhou comigo há alguns meses, enquanto viajava para São Paulo. Pessoas tentam encontrar a felicidade em variados lugares, mas o Senhor Jesus nos orienta como encontrá-la. Seja feliz!
Quero pedir que os amados não esqueçam de orar por mim e pelo ministério que Deus tem colocado sob nossa responsabilidade.
Fiquem na paz que excede a todo o entendimento.

“Onde encontrar a Felicidade?”

..., para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias.
Sl 90.14b

Hoje pela manhã estava pensando porque tantas pessoas procuram a felicidade onde não podem ter a certeza de encontrá-la?
Porque esperam a felicidade sempre para depois, para amanhã e nunca agora, no hoje?
A verdadeira felicidade não está nas coisas complexas (naquilo que não vemos e não conhecemos), mas sim na simplicidade das coisas.
Se pararmos para pensar, observaríamos e compreenderíamos que a felicidade não está em um “futuro melhor”, mas que ela se faz presente, no hoje, no agora.
Pessoas se tornam ansiosas e infelizes por “esperar a felicidade”, por achar que a felicidade só é possível no futuro, no amanhã. Resumindo, naquilo que pensamos em construir, e que nem sabemos se terminaremos ou se estaremos aqui para desfrutarmos. (I Pd 5.7)
Quando na verdade, devemos desfrutar o hoje, pois quem garante que o amanhã chegará e como chegará? (Sl 118.24)
O maior exemplo de viver um dia por vez quem nos deu foi o Mestre Jesus.
Jesus sabia o que O esperava, sabia que teria que passar aqui, que sofreria, seria torturado, humilhado e morreria (no meio de dois assassinos e ladrões; Lc 23.33), sem nunca ter feito nada que levasse alguém a chorar de tristeza. Muito pelo contrário, quem chegasse perto, somente perto, já se sentiria mudado por usufruir apenas de sua presença. Mas Jesus não viveu em função do amanhã, de esperar o futuro “amargo e terrível” que o aguardava (e sabia que o esperava, era traição e morte de cruz).
Jesus viveu cada dia com alegria, pois a diferença era feita através das atitudes. Ele viveu um dia por vez. Não ficou “amargando” seus pensamentos e nem atormentando sua alma com o “amanhã. E Jesus, humanamente falando, tinha tudo para nem querer pensar no amanhã (Ele sabia para que veio ao mundo).
Mas o dia de hoje era o que contava! As pessoas que passavam em sua vida, as pessoas que ele “pode” transformar e mudar suas histórias com atitudes de amor, com humildade e simplicidade. (Jo 4.28-30); (I Pd 1.3); (At 22); (I Sm 16.13)
Ele tinha uma missão e viveu em função desta missão.
Qual a sua missão?
Vivemos o hoje em função de nós mesmos, de procurar a felicidade a qualquer preço.
A felicidade que esperamos tem sabor de eternidade?
Tudo que vivemos, se não tiver o sabor de eterno de nada vale!
Jesus sabia que tudo que fizesse aqui, teria que refletir na eternidade.
Você sabia que fazemos parte de um plano de felicidade?
Se vivêssemos um dia de cada vez, sem amargurar a nossa alma, esperando com tanta ansiedade o amanhã, seríamos felizes de verdade. E aprenderíamos e entenderíamos que “hoje é o dia, e o amanhã poderá não chegar”, pelo menos como imaginamos ou pensamos.
O segredo para a felicidade é viver bem o hoje.
Para gozarmos “um futuro feliz”, ou desfrutar “um futuro de felicidade”, dependemos do desempenho de hoje.
Mas procuramos a felicidade em pessoas (que possuem defeitos e podem nos decepcionar), em coisas que a traça pode comer e a ferrugem corroer, em posições que poderemos alcançar (mas quem garante que permaneceremos nela?).
É preciso entender, que melhor que a quantidade de coisas, é desfrutar das coisas simples e até mais valiosas que o dinheiro.
Você hoje já parou a frente de uma floricultura e já observou uma flor?
Você hoje já pensou que um ato de carinho e com a simplicidade de uma flor, você pode desfrutar da felicidade e fazer alguém feliz?
Pense!
A felicidade está ao alcance hoje e na simplicidade. E não na complexidade do amanhã.
SER FELIZ NÃO É UM ESTADO, MAS UMA ATITUDE!
Deus quer te ver feliz hoje! Ele quer que desfrute o hoje, com felicidade no coração. Tire o foco do amanhã, porque o amanhã a Deus pertence. Viva e seja feliz hoje!


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Máximas Teológicas - 1


"E foi assim que começou a Teologia. As pessoas já conheciam Deus de forma mais ou menos vaga. Então veio um homem que dizia ser Deus; um homem que, no entanto, ninguém conseguia rejeitar como lunático. Esse homem fez com que as pessoas acreditassem nele. Essas pessoas voltaram a encontrar-se com ele depois de tê-lo visto assassinado. Por fim, tendo-se constituído numa pequena sociedade ou comunidade, essas pessoas de alguma forma descobriram a Deus dentro de si próprias, dizendo-lhes o que fazer e tornando-as capazes de atos que até então impossíveis. Quando entenderam tudo isto, elas chegaram à definição cristã do Deus tripessoal".
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C.S. Lewis
Cristianismo Puro e Simples.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O poder da Graça

E ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. 2 Coríntios 12.9

A palavra graça é abundante no NT, sobretudo, nas epístolas de Paulo. Porém, esse termo em nossa língua também é sinônimo de beleza ou elegância, de algum dito que provoca riso, nome de uma pessoa, agradecimento, simpatia ou afinidade espontânea por alguém etc. Apesar de tantos significados, o coração dessa palavra, sem dúvida aponta para o favor ou o dom gratuito da vida eterna concedido por Deus, mediante o sacrifício de Jesus Cristo, a todos aqueles que crêem no Evangelho. Por meio da dolorosa experiência de Paulo (“espinho na carne”), Deus nos ensina como encarnarmos a Sua vontade e enfrentarmos as lutas do cotidiano, ou seja, fortalecidos pela Sua graça.
A força que precisamos para servir a Deus emana da graça de Cristo.

I – “A minha graça te basta” – A graça é o coração e o motivo do Evangelho. A resposta que Cristo deu à oração de Paulo no revela que Sua graça nos é suficiente nos combates do dia-a-dia. Pela graça redentora de Cristo, conhecemos o amor do Pai e desfrutamos a comunhão do Espírito.
Precisamos discernir a graça de Deus de uma “pseudograça” existente no meio da cristandade. A graça barateada pelo homem possui dois extremos: 1) Os liberais que excluem toda responsabilidade do homem, alegando subjetivamente que “a carne é fraca”, e que Deus quer apenas o “espírito que é forte”, desprezando com isso o poder transformador e santificador do Evangelho. 2) Os legalistas, que abandonam a dádiva da graça, substituindo-a por todo tipo de esforço humano: costumes, jugo de proibições e o denominacionalismo exacerbado.
Não precisamos de mais nada para vencer o combate da fé. Somente quem reconhece a sua debilidade, busca o socorro de Deus, e é fortalecido. Paulo declarou que Deus escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte, afim de que ninguém se apoiasse em aparentes vantagens da carne para ser salvo, mas unicamente em Sua graça.

II – “O poder se aperfeiçoa na fraqueza” – Quando Jesus cita o termo fraqueza, Ele está se referindo às nossas limitações e dependência que temos um do outro, sobretudo de Deus. Quem julga ser auto-suficiente poderá ser quebrantado por meio de um “espinho na carne” qualquer, que Deus empregará para ensinar preciosas lições de humildade e de completa dependência Dele.
A resposta de Cristo diante da fraqueza de Paulo, nos revela o segredo de como podemos triunfar nas lutas e de como transbordar em realizações proveitosas no Seu Reino. O poder da graça se revela, sobretudo, na purificação dos nossos pecados e em tornar apropriado para o ministério ou serviço do Senhor.
Nossa fraqueza se torna evidente diante dos espinhos de todo tipo que nos sobrevêm na caminhada cristã. O termo “fraqueza”, do grego “asthenéia”, aponta para a fraqueza de modo geral, debilidade física ou orgânica, como também para timidez. Em outras palavras, nossas fraquezas colocam em destaque nossa incapacidade de enfrentar certas situações e dá ocasião para o agir de Deus.

III – Precisamos do poder de Cristo para viver a Palavra de Deus.
Quanto mais percebemos as nossas limitações, tanto mais precisamos nos encher do Espírito Santo, pois Ele é o detentor e o comunicador do poder de Jesus à Igreja. E esse maravilhoso poder nos é conferido, pela graça de Deus, mediante uma busca sincera.
Podemos ter o desejo de viver segundo a vontade de Deus, porém, a capacidade para tal provêm de Cristo. Por essa razão, Paulo declara que nas suas debilidades há ocasião para que sobre ele repouse o poder de Cristo. O termo “repouse” vem do grego “episkênose”, que significa habitar, residir, morar, e é possível que o apóstolo esteja fazendo uma referência ao Tabernáculo do deserto, onde se manifestava a shekinah de Deus. O poder de Deus faz a Sua morada em nossos corações na pessoa do Espírito Santo.
Sendo fracos ou nos esvaziando de qualquer pretensa força humana, o poder de Deus nos leva a testemunhar com ousadia de um Jesus Cristo vivo, atuante, como faziam os apóstolos no início da Igreja. Além disso, o poder de Deus nos ajuda a perseverar na graça ou no Evangelho sem desviar ou decair da fé.
Pelo poder da graça nós servimos a Deus alegremente, com gratidão e sempre de modo agradável, com reverência e santo temor. Ela também nos motiva e capacita a cumprirmos nossa missão de adoradores e disseminadores das boas novas ao mundo perdido. A bem da verdade, dependemos da graça para tudo e em todo tempo.

Curiosamente, as últimas palavras da Bíblia são: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Ap 22.21). Estas palavras encerram o desejo de Deus de salvar o pecador, ao mesmo tempo em que apresenta a maneira dos salvos se fortalecerem e santificarem suas vidas durante o tempo da peregrinação.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quem não é achado pela graça... acaba caçando Deus

E então vinha o homem, ao entardecer, na viração do dia, remexendo entre arbustos e galhos de árvores maiores, quando de repente sua presa deu-se por vencida. "Te peguei, Deus! ... que coisa feia... fugindo de mim?"
Sei que todos nós sabemos que não foi assim, mas é a cena que vem a minha mente quando ouço falar no termo “caçador” de Deus. Um Deus acuado, sem ter pra onde correr senão para os braços daquele que lhe “acolherá”. Papéis invertidos? Lógico! Palavra deturpada? Sem dúvida alguma. O homem sempre esteve em busca de Deus, sempre “caçou” Deus... e todas as tentativas dessa perseguição do elemento divino terminaram inexoravelmente em RELIGIÃO. A religião é isso: o homem em busca de Deus, uma busca desesperada, pelos seus próprios esforços, sacrifícios, na tentativa de prender esse mesmo Deus ao seu sistema de ritos, doutrinas e convenções humanas. A religião é, portanto, inerente ao ser humano. O vazio existencial, o buraco negro da alma em busca de algo que o possa preencher, tudo isso clama pela religiosidade. E ela então chega, como se fosse a salvação para o homem. O homem então se entrega na sua busca de Deus, fazendo dele a caça, o alvo a ser alcançado, atingido... para depois de preso, estar sujeito aos seus caprichos e deleites. Ordens dadas a Deus, decretos em que Deus nada mais é do que um serviçal, orações que comandam o braço de Deus, palavras mágicas que “liberam” o poder de Deus, isso tudo fica bem na boca dos bruxos e magos da religião, tenham eles os títulos de bruxos, mestres, pastores, bispos ou apóstolos. Bruxaria sempre será bruxaria venha de onde vier, principalmente dos mandatários da religião. A bruxaria evangélica não é diferente. Parte da presunção de alguns em, com palavras mágicas (abracadabras evangélicos) manipularem o braço de Deus. Deus então, segundo essa “tiologia”, se vê obrigado a fazer o que os seus “profetas” ordenam. Deus está preso! Deus está enclausurado! Deus foi caçado! Deus está morto! Nietzsche parece ter razão. Deus está morto! Nós o matamos! Porém, há algo novo, sempre novo. Chama-se Evangelho. E evangelho é algo totalmente diferente de religião. Religião escraviza, evangelho é boa-nova de libertação... é boa!! E é nova!!! Sempre nova... sempre renovando! O Evangelho acontece ao contrário, na contra-mão da religião. Na viração da tarde, na ausência de cor para a continuação do dia é Deus quem toma a iniciativa. “Adão... onde estás?”. Isso é evangelho, isso é graça!! O homem pecou... Adão pecou... eu pequei em Adão... mas Deus.... e esse “mas” faz toda a diferença. Esse “mas” é a diferença entre a religião e o evangelho da graça. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados, MAS DEUS... e isso muda a história. A iniciativa da caça é dele! E não é uma caça para exterminar o objeto caçado. Somos alvo do AMOR de Deus. Essa caça é que nos traz vida! Somos caçados para a vida, e não para a morte. A salvação foi, é, e sempre será iniciativa de Deus. A cruz ressoa desde a eternidade... sobre a manjedoura de Belém já pairava a sombra de uma cruz, a cruz preparada desde a eternidade e sobre ela o cordeiro imolado por nós desde a fundação do mundo. Isso é graça! Eu não mereço... eu não busco, eu não caço Deus. Ele me ama... me busca... me encontra.... me abre os braços... eu só descanso nEle... e a obra é ELE quem faz e continua fazendo até o dia dEle mesmo. Fui seduzido... deixei-me seduzir! Fui preso na sua graça! Fui enclausurado em sua liberdade, não tenho como deixar de ser livre! Fui caçado na viração do dia. Morri! Ele vive em mim! Deus está vivo! A Bíblia tem sempre razão! O meu redentor vive... e por fim se levantará sobre a Terra. Pra quê religião se tenho o evangelho da graça?
Por José Barbosa Junior

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O que estão fazendo com a Igreja

Não é preciso grande dose de perspicácia para constatar que, nas últimas décadas, muitos evangélicos se distanciaram dos postulados da Reforma Protestante. Não há preocupação com interpretar corretamente o texto bíblico, com os parâmetros da hermenêutica e com a ética cristã. Os escândalos se multiplicam e a credibilidade da Igreja Brasileira esmorece cada vez mais. Há pouco interesse pela educação teológica. Assim, a Igreja Evangélica no Brasil não consegue mais ser sal da terra nem luz do mundo. É muito mais influenciada do que influencia. Os prejuízos têm sido enormes para a evangelização e para o crescimento espiritual dos fiéis.
Ao reduzir o espaço da teologia em seu modus operandi e sem os parâmetros da hermenêutica e da exegese bíblica, vários segmentos evangélicos no Brasil concedem a seus líderes a livre interpretação do texto bíblico, a multiplicação de novidades doutrinárias, uma criatividade questionável nos levantamentos de recursos financeiros e o emprego de manipulações na busca por mais adeptos.
Já há vários anos essa crise doutrinária e ética se alastra em grande parte do campo evangélico brasileiro. Nele encontra-se uma igreja capaz de mobilizar as massas, mas não a mente. Uma igreja muito mais propensa a sentir que a refletir, tende a exceder-se constantemente no uso dos dons espirituais e no ensino da fé cristã. Uma igreja que já não se lembra de suas raízes. De fato, o evangelho que se prega hoje em várias vertentes evangélicas brasileiras está muito distante daquele registrado nas páginas do Novo Testamento.
Quando se reuniu com os líderes de Éfeso, Paulo os alertou sobre tais perigos para o rebanho de Deus:

Sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos. Por isso, vigiem! Lembrem-se de que durante três anos jamais cessei de advertir cada um de vocês disso, noite e dia, com lágrimas. Agora, eu os entrego a Deus e à palavra da sua graça, que pode edificá-los e dar-lhes herança entre todos os que são santificados.

Atos 20:29-32

Pedro também exorta:

No passado surgiram falsos profetas no meio do povo, como também surgirão entre vocês falsos mestres. Estes introduzirão secretamente heresias destruidoras, chegando a negar o Soberano que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão os caminhos vergonhosos desses homens e, por causa deles, será difamado o caminho da verdade.

2 Pedro 2:1-2

Uma das maiores necessidades dos evangélicos brasileiros é o discernimento bíblico e doutrinário, pois nunca uma geração de crentes foi tão bombardeada com informações como a atual. Os ventos de doutrina e as distorções bíblicas estão por toda parte. Temas importantes da fé cristã como justificação pela fé, conversão, pecado, salvação, arrependimento, graça e parousia já perderam espaço para o canto, a dança, o show e o entretenimento em muitos púlpitos. Por isso, este livro do Dr. Augustus Nicodemus é bem-vindo e extremamente necessário.
Creio que o autor é uma voz que Deus levantou para falar a esta geração. Sua formação acadêmica e ampla experiência como pesquisador, escritor e pastor de almas conferem-lhe autoridade mais que suficiente para alertar a Igreja Brasileira sobre as ameaças da pós-modernidade no campo das idéias. Como afirma o autor, o perigo está em toda parte: nas universidades, nas escolas teológicas, nas igrejas e na mídia em geral.
Com linguagem clara e, muitas vezes, contundente, o autor trata de diversos assuntos que causam inquietações e geram controvérsias nos arraiais evangélicos, como a neo-ortodoxia, o pluralismo religioso, a proposta de uma espiritualidade com base na mística medieval, questões quanto à autoridade e inerrância da Bíblia Sagrada e o constante conflito entre o liberalismo teológico e a ortodoxia cristã. Como doutor em hermenêutica, discorre também sobre os métodos de interpretação bíblica.
A obra trata do neopentecostalismo, um movimento que fez da teologia da prosperidade sua mola propulsora. Por conhecer bem o campo religioso brasileiro e interagir com as diferentes denominações, inclusive as pentecostais, o autor comenta com lucidez e paixão pastoral a tentação que reina entre muitos pregadores tradicionais de imitar a liturgia e os métodos proselitistas neopentecostais.
Muito acima do chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do doutor em Hermenêutica, do teólogo capaz de analisar e explicar, com brilhantismo, a história do pensamento cristão, pude conhecer, através das páginas deste livro, um homem cristão, que ama a Palavra de Deus e que conhece Jesus Cristo, e isso é o mais importante. Creio que o clamor por uma volta à Bíblia Sagrada e às verdades defendidas pela Reforma Protestante será ouvido por muitos após a leitura deste livro.

Referências Bibliográficas:

Prefácio da obra de: LOPES, Augustus Nicodemus. O que estão fazendo com a Igreja. Ed. Mundo Cristão, 2008. Por Paulo Romeiro.


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus!

Quando leio os evangelhos, costumo sentir alívio ao pensar que Deus resolveu colocar-me na Terra agora e não na época de Jesus. Parte de mim inveja aqueles que puderam vê-lo, ouvi-lo e tocá-lo ao vivo. Esta parte de mim sonha que a vida seria muito mais fácil se Ele estivesse aqui na minha frente em carne, disponível para responder minhas perguntas face a face. Porém uma porção maior de mim suspeita que isso não seria verdade. Eu acharia mais fácil tomar decisões depois de ouvir o ponto de vista de Jesus sobre determinado assunto? Minha vida se tornaria mais fácil depois de vê-lo e tocar-Lhe a presença física?
Conheço minha natureza desconfiada. Se eu vivesse naquela época, é provável que, prontamente, me enquadrasse entre as multidões que O seguiam, atônito com seu poder de operar milagres e emocionado com seu amor, mas ainda assim, cético quanto a sua afirmação despretensiosa de ser Deus. Espero que, se me fosse dada a chance, eu soubesse discernir a verdade de quem Jesus era. Mas não foi o que aconteceu com muita gente, por que comigo seria diferente? Eu seria melhor que os fariseus? Também sei me considerar virtuoso, convicto de conhecer a mente de Deus, assim como a oração daquele publicano hipócrita. Ao ler as várias passagens que Jesus repreende os fariseus, eu, às vezes, estremeço, sentindo sua repreensão me atingindo perto demais.
Também consigo me identificar com os discípulos mais próximos de Jesus. Mesmo tendo visto meu mestre transfigurado sobre o monte e ouvido Deus recomendá-lo em voz audível, com certeza eu seria tomado de pavor, como aconteceu com Pedro, e diria alguma bobagem. Ou, apesar da inclinação literária, também ficaria confuso em minha ignorância diante do uso óbvio que Jesus fazia das metáforas. Jesus certa vez disse “estejam atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus”, ora, em minha interpretação literal, diria que “Jesus só está querendo dizer para nos lembrarmos de trazer mais pão da próxima vez”. (Risos)
Sim, receio que, se trazido à Terra naquela época, eu deixaria Jesus tão irritado quanto a maioria dos que O conheciam. Hoje tenho a Bíblia aberta na minha frente. Posso estudar sua vida do começo ao fim e ler as profecias sobre sua vinda, bem como o ensino dos apóstolos posteriores a sua partida. Tenho acesso a inúmeros livros e mestres capazes de mostrar para mim as verdades que Jesus veio revelar. E mais, conto com seu Espírito vivendo em meu interior – Jesus em mim revelando a si mesmo. Não posso reclamar. Tenho tudo que preciso para conhecê-lo do jeito que Ele de fato é e amá-lo com minha vida.
Apesar de tanta informação e tantas oportunidades, ainda estou tentando compreender Jesus. Há apenas 5 anos caminho com Ele; mesmo assim, percebi que mal arranhei a superfície do conhecimento desse Salvador que chamo de meu. Sei que não poderia viver sem Ele. Sei que Ele me transformou e a tudo que faz parte da minha vida. Jesus disse “minhas ovelhas me conhecem”, mas sei que preciso continuar aprendendo para conhecê-lo melhor.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Yeshua

Autor desconhecido

Há quase dois mil anos existiu um homem cujo nascimento contrariou as leis biológicas. Ele viveu em pobreza. Não fez grandes viagens, e só uma vez cruzou as fronteiras da terra onde viveu. Isso ocorreu na sua infância, quando teve que fugir de sua pátria. Não possuía riquezas. Seus familiares não eram pessoas de projeção, não tinham muita instrução, nem alto grau de escolaridade. Quando ainda era bebê, perturbou um rei; quando menino, deixou boquiabertos alguns doutores. Já adulto, dominou o curso da natureza, andou sobre as ondas do mar como se fosse terra firme e fez o mar aquietar-se. Curou multidões sem o emprego de medicamentos e não cobrou nada por seus serviços. Não escreveu nenhum livro, e no entanto seriam necessárias muitas bibliotecas para conter os livros que já foram escritos a seu respeito. Nunca compôs uma música, e no entanto tem sido tema de hinos e músicas cujo número ultrapassa todas as outras somadas. Nunca fundou uma faculdade ou seminário, mas o total dos que estudam seus ensinos é muito maior que a soma de todos os alunos de todas as escolas.Nunca comandou um exército, nem convocou um soldado, nem disparou um fuzil. E no entanto nenhum outro general contou com maior número de voluntários que, sob suas ordens, fizeram rebeldes baixarem suas armas e renderem-se a ele sem dar um único tiro. Nunca praticou a psiquiatria, mas tem dado alívio a muitos corações aflitos, mais que todos os médicos juntos. Multidões de fiéis se encaminham para reuniões de adoração, onde lhes prestam culto. Grandes estadistas gregos e romanos surgiram no cenário mundial, caindo logo em seguida no esquecimento. Muitos cientistas, filósofos e teólogos de projeção foram igualmente esquecidos. Mas o nome deste homem permanece cada vez mais lembrado. Embora já se tenha passado muito tempo desde que foi crucificado, ele ainda está vivo. Herodes não conseguiu destruí-Lo. O túmulo não pôde detê-Lo. Agora Ele, o Cristo vivo, nosso único Senhor e Salvador encontra-se no pináculo da glória celestial, exaltado por Deus, reconhecido pelos anjos, adorado pelos santos e temido pelos demônios. JESUS CRISTO - Este nome tem poder.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Às vezes

Às vezes, tenho vontade de gritar para o mundo ouvir que Jesus Cristo é o Senhor. Mas, logo vêm os desbravadores do evangelho-fácil e roubam de mim o fervor.

Às vezes, me surgem alguns pensamentos triunfalistas de que “se Jesus venceu, eu também vencerei”. Porém, logo me vem à mente que Jesus não tinha nem onde reclinar a cabeça – pobre, manso e humilde. Me envergonho.

Às vezes, me angustio com a situação e comportamento da igreja evangélica brasileira. Todavia, alguns bons amigos me fizeram lembrar que Jesus buscará uma Igreja dentro da igreja – como diz a brilhante parábola da colheita (Mt 13.24-30).

Às vezes, perco o sono com meus conflitos interiores, vendo-me impotente para mudar o rumo da igreja. Portanto, me recordo da ilustração do beija-flor, que no afã de apagar o grande incêndio da floresta, jogava água no fogo com seu pequeno bico, como em conta-gotas.

Às vezes, sou chamado de pessimista. Logo, quando sou confrontado com as páginas sagradas, vejo que a tendência é só piorar.

Às vezes, sou tentado a acreditar nos profetas modernos que jogam bênçãos avanço ao povo. Entretanto, olho para os profetas veterotestamentário e vejo quão distante estão os seus respectivos ministérios.

Às vezes, me comparo com àqueles discípulos a caminho de Emaús, onde não conseguiam enxergar o Mestre devido às circunstâncias desfavoráveis que os judeus passavam. Contudo, será que sou eu que não contemplo Jesus, ou Jesus não está sendo encontrado em alguns de nossos templos suntuosos?

Às vezes, olhando para os relatos da Reforma Protestante, penso que poderíamos passar por algo semelhante em nossas igrejas. Porém, devido aos tempos pós-modernos, seria algo humanamente impossível – os “Luteros” estão se corrompendo.

Às vezes, faço minhas orações acreditando que todas elas serão atendidas por Deus. Logo, lembro-me de umas das cartas paulinas endereçadas aos irmãos de Filipos (Fp 4.6,7), onde Ele não promete realizar meus desejos e caprichos, mas sim, a paz em nossos corações.

Às vezes, sinto vontade de vociferar contra as mazelas da liderança eclesiástica. Mas, logo atento para dentro de mim, e contemplo o homem corrupto que habita em mim, com igual ou maior número de mazelas do que os líderes religiosos.

Às vezes, olho para o caos que se encontra nosso sistema religioso, tentando entender “por que isso Senhor?!”, e ouço Deus responder em meu coração: “Eu sou Soberano sobre todas as coisas filho, tudo está patente aos meus olhos, faça a sua parte”. Então, quase sempre saio constrangido, entendendo que a boa mão de Deus, há de nos mostrar a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não serve (Ml 3.18).
Às vezes...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Encarnação

Fazendo uma de minhas releituras, encontrei um trecho interessante no livro de Philip Yancey, O Jesus que eu nunca conheci. Numa simples analogia, o autor retrata muito bem a história da Encarnação.

“Aprendi acerca da encarnação quando mantive um aquário de água salgada. Gerenciar um aquário marinho, descobri, não é tarefa fácil. Precisava manejar um laboratório químico portátil para monitorar os níveis do nitrato e o conteúdo de amônia. Bombeava dentro dele vitaminas, antibióticos e sulfa, e enzimas suficientes para fazer crescer uma rocha. Filtrava águas por meio de fibras de vidro e carvão, e o expunha à luz ultravioleta. Era de esperar que, à vista de toda essa energia despendida em benefício dos meus peixes, eles ficassem pelo menos gratos. Mas não. Toda vez que minha sombra aparecia por cima do tanque, eles mergulhavam em busca de abrigo na concha mais próxima. Demonstravam só uma “emoção”: medo. Embora eu abrisse a tampa e jogasse dentro alimentos em horários regulares, três vezes ao dia, reagiam a cada visita como sinal certo de meus desígnios de torturá-los. Eu não podia convencê-los de minha verdadeira preocupação.
Para os peixes eu era a divindade. Era grande demais para eles; minhas ações, incompreensíveis demais. Meus atos de misericórdia, eles os viam como crueldade; minhas tentativas de curá-los, consideravam-nas destruição. Mudar suas perspectivas, comecei a entender, exigia uma forma de encarnação. Eu teria de me tornar um peixe e “falar” a eles em uma linguagem que pudessem entender.
Um ser humano transformando-se em peixe não é nada se comparando a Deus tornando-se um bebê. E, de acordo com os evangelhos, foi o que aconteceu em Belém. O Deus que criou a matéria tomou forma dentro dela, como um artista que se tornasse uma mancha em uma pintura ou o autor de uma peça que se transformasse em um personagem dentro de sua própria peça. Deus escreveu uma história nas páginas da história real utilizando apenas personagens verdadeiros. A Palavra se tornou carne”.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Pastores de ontem e hoje

Um olhar por dentro das dez igrejas mais inovadoras da atualidade: o que fazem, como fazem e como aplicar suas idéias em sua igreja. Estas palavras constituem o título do livro de Elmer Towns que me caiu nas mãos. Há dez anos, nenhum título poderia causar tamanho impacto em meu coração como este o fez. Naquela época tudo que me interessava era descobrir o truque ou os truques para fazer uma igreja crescer. Creio que minhas motivações eram legítimas, mas isto não vem ao caso. O que quero mesmo compartilhar com você é que houve um tempo quando o grande sonho de minha vida era construir uma mega igreja brasileira. E o livro de Elmer Towns, do tipo how to (como fazer), era o mais exato símbolo daquilo que um jovem pastor local procurava com toda ansiedade: o truque para o sucesso ministerial.
Minhas prateleiras foram cheias de livros de administração e liderança. Ainda estão lá, e evidentemente não pretendo jogá-los fora. Até porque não me arrependo de tê-los estudado. Naqueles dias, eu estava convicto de que a maneira de expandir o ministério de minha igreja local era assimilando e adaptando as estratégias que grandes líderes empresariais haviam roubado da Bíblia. Meus interlocutores eram homens como Tom Peters, Ken Blanchard, Bob Waterman Jr., Warren Bennis, Peter Drucker, C. K. Prahalad, James Collins, Jerry Porras, Michael Porter e outros gurus da administração e gestão moderna. Os exemplares da Harvard Business Review, que eu recebia de presente de uma amigo especial, eram figurinhas carimbadas dos meus álbuns de infância.
Ainda convivo à distância, e com certa nostalgia, com Ricardo Semler, que me encantou com idéias nada ortodoxas registradas em seu livro Virando a própria mesa. Ainda fico de boca aberta quando me deparo com uma entrevista como a que Henrique Meirelles, presidente do FleetBoston Global, concedeu à revista Veja, uma pérola que eu chamaria “curso completo de liderança em cinco parágrafos”. Não consigo deixar de visitar a seção “Administração e negócios” das megalivrarias, e a mão coçou no bolso para comprar Liderando a revolução e Quem mexeu no meu queijo?, que discutem como administrar mudanças organizacionais.
Lembro-me saudoso das noites semanais quando me reunia com a Comissão de Planejamento estratégico da Igreja Batista de Água Branca para discutir sobre as declarações de visão e missão, definição do público-alvo, elaboração da estratégia, estabelecimento de diretrizes e metas e desenvolvimento do planejamento operacional para o período até o ano 2000. Agora mesmo, enquanto escrevo, estou rindo sozinho da cara de espanto que fizeram alguns executivos quando me apresentei como “pastor evangélico” durante o almoço do Seminário de Qualidade Total promovido pela Fundação Christiano Ottoni, num hotel cinco estrelas de São Paulo.
Perdi a conta das horas que passei debruçado sobre os livros e sentado em auditórios de congressos para pastores e líderes estudando conceitos e princípios de gestão organizacional e desenvolvimento de estruturas ministeriais. Olho para trás e , ao recordar os primeiros dias do meu ministério pastoral, vejo-me como um menino, cheio de sonhos, disposto a dar tudo para conseguir um ministério pastoral relevante. Hoje, contudo, passados quase vinte anos, tenho o coração voltado em outra direção. As últimas palavras de um livro que me fizeram chorar foram escritas por Eugene Peterson:

Os pastores estão abandonando seus postos, desviando-se para direita e para esquerda, com freqüência alarmante. Isso não quer dizer que estejam deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. As congregações ainda pagam seus salários, o nome deles ainda consta do boletim dominical e continuam a subir ao púlpito domingo após domingo. O que estão abandonando é o posto, o chamado. Prostituíram-se após outros deuses. Aquilo que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as atitudes dos pastores que fizeram história nos últimos vinte séculos.
Os pastores se transformaram em um grupo de gerentes de lojas, sendo que os estabelecimentos comerciais que dirigem são as igrejas. As preocupações são as mesmas dos gerentes: como manter os clientes felizes, como atraí-los para que não corram para loja concorrente, como embalar os produtos de forma que os consumidores gastem mais dinheiro com eles. Alguns pastores são ótimos gerentes, atraindo muitos consumidores, levantando grandes somas em dinheiro e desenvolvendo excelente reputação. Ainda assim, o que fazem é gerenciar lojas. Religiosa, mas, de toda forma, uma loja. Esses empreendedores têm a mente ocupada por estratégias semelhantes às de franquias de
fast food
e, quando dormem, sonham com sucesso que atraia a atenção da mídia.

A verdade bíblica é que não existem igrejas cheias de sucesso. Pelo contrário, o que há são comunidades de pecadores reunidos semana após semana perante Deus em cidades e vilarejos por todo mundo. O Espírito Santo os reúne e trabalha neles. Nessas comunidades de pecadores, um é chamado de "pastor", que se torna responsável por manter todos atentos a Deus. É esta responsabilidade que tem sido completamente abandonada. Hoje entendo o provérbio bíblico: maior é aquele que conquista a si mesmo do que aquele que conquista uma cidade (Pv 16.32).

Referência Bibliográfica:

KIVITZ, Ed René. Outra Espiritualidade: fé, graça e resitência. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2006.

domingo, 20 de julho de 2008

A Vontade de Deus

Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei ante o Deus excelso? Virei perante ele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus. Mq 6.6-8

Viver a vontade de Deus deve ser a aspiração de todo crente que é sincero em sua prática cristã. Todo esforço nesse sentido é sem dúvida extremamente compensador. Na oração dominical, Jesus Cristo ensina: “...venha o teu Reino, faça-se a tua vontade, assim na terra com no céu” (Mt 6.10). Como Cristo afirmou, no céu, a vontade de Deus é plenamente realizada, mas na terra nem sempre (e é aqui que entra a igreja para fazer a diferença). Será que estamos realmente dispostos a obedecer e sermos submissos à vontade revelada de Deus?

O profeta Miquéias exerceu seu ministério em um período muito turbulento da história de sua nação. Miquéias foi contemporâneo de Isaías e Oséias, e seu nome quer dizer “Quem é como o Senhor?”.
Diante daquele quadro de corrupção política e religiosa que imperava (qualquer semelhança é mera coincidência), Miquéias anuncia o merecido juízo divino caso não houvesse uma adequada mudança. No texto em apreço, o profeta critica a forma puramente exteriorizada e ritualista de adoração da nação à Yahweh, e em seguida apresenta três pontos básicos que destacam a prática religiosa que verdadeiramente agrada a Deus.

1)
“O Senhor pede de ti: Que pratiques a justiça”.

O termo “justiça” no hebraico é “tsedeq”, e faz referência ao padrão de moralidade e ética determinada nas Escrituras. Devemos, entretanto, notar que muito mais do que entender o termo, Deus espera que pratiquemos, ou seja, vivamos a justiça.
Que atitudes revelam que estamos vivendo de modo reto, honesto e justo? Isso não se reflete diretamente em nosso relacionamento com outras pessoas?
Praticar a justiça é o mesmo que ser cumpridor de nossos deveres; ser bom pagador; ser pessoa de uma só palavra; jamais aceitar ou pagar suborno, propina ou coisas semelhantes; irrepreensível, honesto e imparcial no juízo.

2)
“O Senhor pede de ti: Que ames a misericórdia”.

O termo hebraico para “misericórdia” é “hesed”, mas também pode traduzir-se por “bondade”, “generosidade”, “compaixão” etc. Gosto muito da definição do dicionário secular: “compaixão pela desgraça alheia”, pois retrata bem nossa condição diante de um Deus misericordioso.
Além de praticarmos a justiça, Deus deseja que demonstremos verdadeiro amor pelos que sofrem. E que atitudes revelam que estamos amando nosso semelhante? Não é se envolvendo em campanhas humanitárias ou caridosas, buscando meios de socorrer ou mitigar a fome, o frio, e, sobretudo levando Cristo a eles pela evangelização?
O favor de Deus não se compara, nem se conquista, é graça. Deus tem prazer em abençoar os seus filhos.
Amar a misericórdia é o mesmo que demonstrar verdadeira compaixão pelos que padecem, por meio de atos de bondade.

3) “O Senhor pede de ti: Que Andes humildemente com teu Deus”.

Andar humildemente diante de Deus é o mesmo que se submeter a Ele, ou obedecer à Sua Palavra. Conforme o Aurélio, ser humilde é ser modesto, singelo, simples e submisso. “Andar” é uma referência ao nosso viver cotidiano. E quem anda com Deus deve acertar o passo com Ele. Nem atrás, nem na frente, mas ao lado.

Portanto, estas três exigências divinas têm aplicação permanente em nossas vidas. Ser justo, ter compaixão dos necessitados e manter uma vida de simplicidade e obediência à Palavra Deus, são requisitos obrigatórios na vida de quem tem real compromisso com Cristo. Inclusive Ele já havia declarado que seus discípulos seriam conhecidos pela prática do amor ao próximo. Há muita gente preocupada com a “exteriorização” da sua prática religiosa, por meio de usos e costumes, ao invés de obedecer aos preceitos que realmente fundamentam a fé cristã. Na visão de Cristo, isso é puro farisaísmo.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

É Deus a causa?

Ouvi dizer, que certa vez em uma cerimônia fúnebre de uma garota de 10 anos, morta num acidente de carro, sua mãe chorando muito, disse: " O Senhor levou-a para junto de si. Ele deve ter tido algum motivo. Obrigada Senhor!"
Conheço cristãos que, ao ficarem doentes, atormentam-se com a pergunta: "O que Deus está tentando dizer?", ou: "Como posso aumentar minha fé para ficar livre dessa doença?".
É provável que esse raciocínio esteja errado. Talvez Deus não esteja tentando nos dizer nada específico todas as vezes que sofremos. Dor e sofrimento são partes inerentes de nosso planeta, e os cristãos não estão isentos disso. Na metade das vezes, sabemos por que ficamos doentes: pouco exercício, dieta inadequada, contato com germes, etc. Será que realmente esperamos que Deus esteja sempre nos protegendo onde quer que encontremos algo perigoso?
Particularmente, a abordagem que Jesus faz no Evangelho de João, capítulo 9 é perfeita. Ele refuta a clássica explicação do sofrimento. Seus seguidores apontaram para um homem cego de nascença. Alardeando falsa piedade, perguntaram: "Quem pecou, este homem ou os seus pais?". Jesus respondeu claramente: "Nem ele nem seus pais. Isso aconteceu para que a obra de Deus pudesse se revelar em sua vida".
Os discípulos quiseram voltar atrás e saber a "razão". Jesus desviou sua atenção. Com propriedade, apontou para o futuro e colocou outra questão: "Qual a finalidade disso?". Para mim, isso resume bem a abordagem da Bíblia em relação ao problema da dor. Levantar questões sobre a causa, os "por quês", não resolve o problema. Mas é uma esperança para o futuro saber que até o sofrimento pode ser transformado ou "redimido". Uma tragédia humana, como cegueira, pode ser usada para revelar a obra de Deus.
Às vezes, como no caso do homem que nasceu cego, a obra de Deus se manifesta por meio de um grande milagre e , às vezes, não. Seja como for, o sofrimento oferece uma oportunidade de revelarmos a obra de Deus.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Entrevista com Isaías Jr.

Semana passada entrei em contato com o professor Isaías Jr. para obter uma entrevista para o Blog Reflexões do Reino.
Sabendo que seu tempo era muito curto, devido suas ocupações eclesiásticas e seculares, já imaginava que aguardaria um bom tempo de espera.
Qual não foi a surpresa?!?!
Nosso prestimoso professor prontamente nos atendeu. E, sem demora, segue abaixo nossa proveitosa entrevista:

Isaías é casado com Leila Regina de Oliveira Araújo; Pai de Gabriel (6 anos) e Daniela (2 anos); diácono da ADJ; Pregador do Evangelho; professor da ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL – Classe Rumo ao Céu; líder de Evangelismo da ADJ; Autor do Manual de Estudo Português e Técnicas de Redação: manual de estudo independente - Campinas, SP : FAETAD, 2007; Autor do Livro Digital (CD-ROM) Questões Lingüísticas, RJ: Esdras Educação, 2007; Oficial de carreira das FFAA; Professor dos seminários teológicos IBED e Shalom; Professor de Língua Portuguesa, Literatura e Redação do Colégio Militar do Rio de Janeiro e da Fundação Osório; Professor-tutor de Docência Superior, Redação Empresarial, Metodologia da Pesquisa e Direitos Humanos da Fundação Getúlio Vargas; Supervisor de correção do vestibular UERJ; corretor do vestibular UFRJ; corretor do vestibular UNIRIO; supervisor e corretor de redações do ENEM. Bacharel em Direito e em Letras; Especialista em Docência Superior; Mestrando em Educação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO e Pesquisador de novas tecnologias aplicadas à Educação.

Reflexões do Reino: O que o Srº acha ser a maior necessidade da igreja para que ela seja relevante na sociedade?

Isaías Jr.: Precisamos, como igreja de Deus, ter o caráter de Deus. A sociedade precisa ver que a igreja difere dela em suas atitudes. Se a sociedade não conseguir enxergar diferença entre ela e a igreja, como seremos relevantes?

Reflexões do Reino: Temos visto muitos movimentos serem criados ao longo da história da igreja. Um deles é a teologia da prosperidade. Qual sua opinião sobre esse movimento?

Isaías Jr.: A ganância por bens materiais é a origem de todos os males (1ª Tm 6.10). A teologia da prosperidade representa essa ganância! Onde está o nosso tesouro? Aqui na Terra ou no Céu? Por que servimos a Deus? Por amor ou por interesse? Em Lucas 3.14, Jesus ordenou aos soldados que se contentassem com seu salário.
Sei que precisamos de bênçãos materiais, precisamos de dinheiro para viver nessa Terra, mas sei também que o nosso Deus sabe disso! Ele é o nosso provedor, é Ele quem cuida de nós. Não precisamos correr feito loucos atrás da bênção, pois ela me alcançará.
Jesus ensinou, em Mateus 6.33 que devemos buscar primeiro o Reino de Deus, e as demais coisas nos serão acrescentadas. Portanto, a Teologia da Prosperidade é inócua e inútil.

Reflexões do Reino: Qual a posição do professor a respeito do sofrimento humano, diante de um Deus bom e todo-poderoso?

Isaías Jr.: Sofremos como conseqüência do nosso próprio pecado e do pecado que paira sobre o mundo. Deus não fez o homem para sofrer. Sua vontade perfeita não criou a violência, as doenças ou qualquer outra fonte de dor e sofrimento. Porém, o homem, quando pecou, permitiu que o mal corrompesse a criação perfeita de Deus. Por isso, Jesus precisou morrer para pagar o resgate da criação devedora a Satanás pelo erro cometido.
Porém, precisamos ver que o sofrimento, que tanto rejeitamos, muitas vezes, é o caminho para nossa salvação. Jó 5.17 diz que feliz é o homem a quem Deus corrige. E o que é corrigir? Como se corrige alguém? Penso aqui como corrijo meu filho. Primeiro, conversamos e orientamos. Mas, quando a conversa não adianta, uma chinelada e um castigo são os meios para a correção. Da mesma forma, a correção de Deus, várias vezes, nos implica sofrimento. Logo, o sofrimento foi benéfico!
E que são as aflições dessa vida? Paulo afirma que são peso de glória! Jesus muito sofreu por nós! Estaremos dispostos a sofrer um pouco por Ele?

Reflexões do Reino: Quais são os autores literários que influenciaram ou influenciam sua vida ministerial?

Isaías Jr.: Paulo, Pedro, João, Davi, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Moisés, Mateus, Marcos, Lucas, João.
Minha vida é ler, estudar, escrever.
Li alguns poucos livros, se compararmos minha leitura ao universo literário que nos cerca. Porém, nada se compara à influência que causa em minha vida a Bíblia Sagrada.

Reflexões do Reino: Deixe um recado para os leitores do Blog Reflexões do Reino.

Isaías Jr.: Jesus está voltando! Poucos estão percebendo. Acham que ainda vai demorar. Porém, em breve, muito em breve, vai sair uma notícia de um povo que desapareceu.
Façamos por onde estar nesse povo!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Bem que tentei

Bem que tentei ouvir as mensagens triunfalistas dos evangelistas modernos e fazer delas meu modus vivendi, mas me decepcionei.

Bem que tentei envernizar minha voz para manipular os auditórios carentes de Deus.

Bem que tentei ser um levita, mas compreendi que levitas eram os descendentes de Levi, e por isso não me reportarei aos movimentos judaizantes.

Bem que tentei fazer da mensagem do evangelho meu ganha pão, fazendo tipo de evangelista que diz que “vive da fé”, com falsos pensamentos piedosos de que tudo é para glória de Deus.

Bem que tentei acreditar nas promessas messiânicas dos profetas hodiernos, sempre em busca de exaltação.

Bem que tentei ser mais conservador, fundamentalista e ortodoxo, mas a graça me alcançou.

Bem que tentei ser mais devoto à instituição Igreja, fazendo dela uma mãe, assim como fazem os universais (católicos).

Bem que tentei até mesmo abandonar a igreja, mas dou a mão à palmatória para os calvinistas que crêem na graça irresistível e na eleição incondicional.

Bem que tentei ser calvinista, mas entendi que por soberania divina, Ele optou por me dar liberdade de escolhas, e por isso me amou.

Não sei bem quando isso me pegou, só sei que aprendi a pensar “fora da caixa”.
Às vezes me pergunto se estou desviado, e algo me diz que sim. Desviei-me dos pensamentos infantilizadores que faziam de Deus um deus.
Confesso que até tentei me coadunar com o sistema religioso, mas percebi que é regredir demais.
Como diz um prestimoso pastor: “Enfim, morreu em mim aquele deus parecido com a figura idealizada de um superpai, que levou homens como Freud, Nietzsche e Sartre a desdenhar da religião”. E continua: “O deus que morreu foi exaltado na subcultura da religiosidade evangélica brasileira. Era basicamente um deus que: 1) vivia de plantão para me poupar de qualquer tragédia, evitar meus sofrimentos e abreviar as situações que me trariam qualquer desconforto; 2) prometia satisfazer não apenas minhas necessidades, mas também meus desejos; 3) estava comprometido com favorecer-me em todas minhas demandas contra os pagãos; 4) compensava minhas irresponsabilidades e ignorâncias em troca de minha fé; 5) manipulava todas as circunstâncias de minha vida como um tapeceiro que corta fios e dá nós no emaranhado do avesso do tapete para revelar a bela paisagem no fim do processo, capaz de encantar todos aqueles que olham pelo lado certo.
Experimentei a metanóia, que chamam "arrependimento". Vivo sob valores, prioridades e propósitos diferenciados. Conhecer a Deus me faz andar na luz, na verdade, livre de pesos, culpas e máscaras, e isso já basta para que minha vida dê um salto de qualidade imensurável.
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Eu até que tentei...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A reclamação do profeta

Todos nós temos um senso interno de justiça. Se um pai joga sua própria filha da janela do 6º andar e continua a viver como se nada tivesse acontecido, outros pais certamente se revoltariam e desejariam dar cabo da vida desse pai insano.
Podemos discordar quanto ao que é justo ou não, mas todos nos pautamos por algum tipo de código interior.
E, para ser franco, a maior parte do tempo, a vida parece injusta. Que criança "merece" ser jogada da janela do 6º andar pelo próprio pai e pela madrasta? Que criança “merece” crescer nas favelas de Calcutá, Rio de Janeiro ou Bronx? Por que pessoas como Adolf Hitler, Joseph Stalin e Saddam Hussein conseguem se safar depois de oprimir milhões de pessoas? Por que pessoas tão meigas e gentis morrem no vigor de sua juventude, enquanto outras, vivem até uma velhice insuportável? Todos nós fazemos versões diferentes dessas perguntas. Já o profeta Habacuque as fez direto para Deus, e recebeu uma resposta sincera. Habacuque não mede suas palavras. Exige que o Senhor explique por que Ele não reage diante da injustiça, da violência e do mal que o profeta vê a sua volta. Deus responde com a mesma mensagem que Ele transmitiu a Jeremias, dizendo que enviará os babilônios para punir Judá. Acontece que tais palavras de nada servem para confortar o profeta, pois os babilônios são um povo selvagem e sem piedade. Não é injusto usar uma nação ainda pior para castigar Judá? O livro de Habacuque não oferece uma solução para o problema do mal. No entanto, as conversas do profeta com seu Deus convencem-no de uma certeza: o Senhor não perdeu o controle. Como Deus de justiça, Ele não pode deixar o mal vencer. Primeiro trará os babilônios conforme as regras que eles próprios estabeleceram. Então, mais tarde, intervirá com grande força, abalando os fundamentos da terra até que nenhum sinal de injustiça permaneça. "Mas a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar", Ele promete a Habacuque. Um vislumbre dessa glória poderosa muda a atitude do profeta de indignação para alegria. No curso do seu debate com Deus, Habacuque aprende lições sobre fé, expressas de maneira maravilhosa que seu livro, que começa com uma reclamação, termina com um dos mais belos cânticos encontrado na Bíblia.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Cosmovisão

É interessante como ao longo de nossa peregrinação espiritual nos deparamos com diversas formas de ver o mundo.
Quando nos convertemos, recebemos um legado de informações que regem a subcultura evangélica brasileira, chamada de "doutrina". Aprendemos a interpretar a Bíblia em sua literalidade, e por instinto legalista e fundamentalista, julgamos tudo e a todos, por acreditar que agora nossos olhos foram abertos e não somos mais escravos do pecado. É incutido em nossa mente, que somos diferenciados, privilegiados e até mesmo, filhos prediletos; e aí percebemos que nossos olhos ainda não foram abertos como pensávamos.
Estou experimentando uma nova fase. A doutrina rígida que nos foi passada pela denominação tradicional em que faço parte, não tem mais aquela primazia em minha vida como no início da caminhada.
Suplico a ti, caro leitor, que não se escandalize devido ao teor dos meus escritos. Simplesmente, aprendi que existe uma nova maneira de ver o mundo (Cosmovisão). Falamos tanto da Graça, mas parece-me que não entendemos seu real significado. Aprendi que Graça não é só um conceito teológico, mas é para ser recebida e vivida. Aprendi que o céu é pra todos, e que principalmente, Jesus não é só Jesus dos crentes, mas Jesus de todos. É claro que existem algumas condições para se chegar ao céu, mas ao contrário, monopolizamos Jesus dentro de quatro paredes, estigmatizamos essas condições e nos tornamos etnocentristas (crença na superioridade do povo a que se pertence, acompanhada de sentimento de menosprezo por padrões culturais que se afastam da posição cultural do observador).
Faço coro com o Pr. Ed quando diz:
"Uma das coisas mais estúpidas que já acreditei em termos de religião foi que a composição da população do céu podia ser mensurada pelo número de pessoas que dissessem “sim” a um apelo de conversão a Jesus Cristo feito nas bases da tradição do cristianismo protestante evangélico anglo-americano. Traduzindo: se você acredita que irão para o céu somente as pessoas que aceitam a Jesus como salvador depois de ouvir o evangelho pregado a partir da cultura anglo-americana, então você está em apuros: o seu céu é pequeno demais; o seu Deus é pequeno demais; o seu Cristo é pequeno demais; o seu evangelho é pequeno demais; o seu Espírito Santo é pequeno demais; o seu universo de comunhão é pequeno demais; seu projeto existencial é pequeno demais; sua peregrinação espiritual é pequena demais. É urgente que se articule uma outra maneira de convocar pessoas para que se coloquem a caminho do céu. Uma convocação que considere que “nem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus” – Palavras de Jesus. Uma convocação que re-signifique o conceito de céu, que deve deixar de ser um lugar geográfico em outro mundo para onde se vai após a morte, para significar uma dimensão de relacionamento com o Deus Eterno para a experiência contínua do processo de humanização: estar em Cristo e ser como Cristo. Com isso quero dizer que o convite para aceitar Jesus como salvador como credencial para ir para o céu não é a melhor convocação. A melhor convocação é um chamado para se tornar uma outra pessoa. A peregrinação espiritual cristã não é uma migração de um lugar para outro, mas de um estado de ser para outro. Nosso destino não é o céu. Nosso destino é Cristo. E tenho certeza de que muita gente vai chegar lá mesmo sem nunca ter ouvido o plano de salvação desenvolvido pelos teólogos sistemáticos anglo-americanos".

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Até quando?

Como tem sido difícil assistir um culto pentecostal nas igrejas atuais.
Confesso, saí frustrado do último que fui.
As raízes pentecostais não tem nada a ver com isso que chamamos hoje de manifestações do Espírito.
Sei que corro o risco de ser chamado de frio, de intelectual e outros nomes mais. Portanto, não me renderei a esse pseudoevangelho pregado nos púlpitos da igreja moderna.
Como pode alguém ir ao um “culto de poder” e sair pior do que entrou? Que tanto poder é esse que é “liberado” pelos evangelistas e pastores, que não tem eficácia na vida existencial deles próprios?
Que tanta “unção” é essa que é exalada de seus paletós e não transforma a vida dos fiéis?
Até quando veremos os manipuladores de auditórios manobrando as massas para um falso evangelho?
Até quando vamos chamar de “cristãos” esses falsos líderes? Eles inventaram outra religião. Abandonaram o cristianismo. Não falam da cruz de Cristo e da regeneração do Espírito Santo como solução para toda e qualquer escravidão espiritual. Não falam do discipulado de Jesus Cristo como compromisso com o Reino de Deus, o que exige arrependimento e submissão absoluta ao Rei Eterno, o que implica mudança de vida e serviço abnegado.
Continuo a peregrinar com minhas incertezas, sabendo que o Deus da igreja dará um escape aos seus pequeninos que anseiam viver humildemente, praticando a justiça e amando a misericórdia.
Continuo a crer nas manifestações do Espírito Santo na vida do cristão; continuo a crer na transformação do homem caído; e continuo a ter esperança que a nossa missão é manifestar, aqui e agora, a maior densidade possível do Reino de Deus, que será consumado ali e além.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Teodicéia

Hoje, iniciei uma peregrinação para tentar entender “Onde está Deus quando chega a dor?”. Na verdade, este é o título do livro de Philip Yancey que começo a ler. O título por si só já é muito intrigante, e poderíamos logo de cara matar esta questão e responder esta pergunta usando um grande clichê evangélico: “Deus está contigo”.
Portanto, como não consigo engolir estes jargões, por mais que acredite que Deus sempre está ao nosso lado, usarei as palavras de Ed René Kivitz para tentar explicar a questão do sofrimento humano.
Eis aí o que ele diz:
“Acho que Epicuro foi quem formulou a questão a respeito da relação entre a onipotência e a bondade de Deus. A coisa é mais ou menos assim: se Deus existe, ele é todo poderoso e é bom, pois não fosse todo-poderoso, não seria Deus, e não fosse bom, não seria digno de ser Deus. Mas se Deus é todo-poderoso e bom, então como explicar tanto sofrimento no mundo? Caso Deus seja todo-poderoso, então ele pode evitar o sofrimento, e se não o faz, é porque não é bom, e nesse caso, não é digno de ser Deus. Mas caso seja bom e queira evitar o sofrimento, e não o faz porque não consegue, então ele não é todo-poderoso, e nesse caso, também não é Deus. Escrevendo sobre a Tsunami que abalou a Ásia, o Frei Leonardo Boff resume: "Se Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo porque não evitou o maremoto? Se não o evitou, é sinal de que ou não é onipotente ou não é bom". Considerando, portanto, que não é possível que Deus seja ao mesmo tempo bom e todo-poderoso, a lógica é que Deus é uma impossibilidade filosófica, ou se preferir, a idéia de Deus não faz sentido, e o melhor que temos a fazer é admitir que Deus não existe. Parece que estamos diante de um dilema insolúvel. Mas Einstein nos deu uma dica preciosa. Disse que quando chegamos a um "problema insolúvel", devemos mudar o paradigma de pensamento que o criou. O paradigma de pensamento que considera o binômio "onipotência/bondade" como ponto de partida para pensar o caráter de Deus nos deixa em apuros. Existiria, entretanto, outro paradigma de pensamento? Será que as palavras "onipotência" e "bondade" são as que melhor resumem o dilema de Deus diante do mal e do sofrimento do inocente? Há outras palavras que podem ser colocadas neste quebra-cabeça? Este problema foi enfrentado por São Paulo, apóstolo, em seu debate com os filósofos gregos de seu tempo. A mensagem cristã era muito simples: Deus veio ao mundo e morreu crucificado. Pior do que isso: Deus havia sido crucificado num "jogo de empurra" entre judeus e romanos, isto é, diferentemente dos outros deuses, o Deus dos cristãos havia sido morto não por deuses mais poderosos, mas por homens. Sendo Deus, jamais poderia ser morto por mãos humanas, e sendo o Deus onipotente, jamais poderia nem mesmo ser morto. Paulo, apóstolo, estava, portanto, diante de um dilema semelhante ao proposto por Epicuro: Deus era uma impossibilidade filosófica. Foi então que os apóstolos surgiram com uma resposta tão genial que os cristãos acreditam que foi soprada pelo Espírito Santo: antes de vir ao mundo ao encontro dos homens, Deus se esvaziou da sua onipotência, isto é, abriu mão do exercício de sua onipotência, e por amor, deixou-se matar por eles. (Eu disse que "Deus abriu mão do exercício de sua onipotência", bem diferente de "Deus abriu mão de sua onipotência"). O apóstolo Paulo admitia que não era possível pensar em Deus sem considerar o binômio bondade/onipotência. Optou pela palavra amor, assim como o apóstolo João, que afirmou "Deus é amor", e afirmou que Jesus de Nazaré foi Deus encarnado na forma de Amor, e não Deus encarnado na forma de Onipotência. Isso faz todo o sentido. Um Deus que viesse ao encontro das pessoas em trajes onipotentes chegaria para se impor e reivindicar obediência irrestrita, impressionando pela sua majestade e força sem iguais. Jung Mo Sung adverte que "a contrapartida do poder é a obediência, enquanto a contrapartida do amor é a liberdade". Também assim pensou o apóstolo Paulo, ao afirmar que o que constrange as pessoas a viver para Deus é o amor de Deus (demonstrado na morte de Jesus na cruz), e nunca o poder de Deus. Na verdade, "Deus não tinha escolha". Ao decidir criar o ser humano à sua imagem e semelhança, deveria cria-lo livre. Desejando um relacionamento com o ser humano, deveria dar ao ser humano a liberdade de responder voluntariamente ao seu amor, sob pena de ser um tirano que arrasta para sua alcova uma donzela contrariada. Somente o amor resolveria esta equação, pois somente o amor dá liberdade para que o outro seja livre, inclusive para rejeitar o amor que se lhe quer dar. Ricardo Gondim me introduziu ao pensamento de Comte-Sponville. Este ateu confesso discorre a respeito do amor divino como poucos que já li. Acredita que o amor divino é um ato de diminuição, uma fraqueza, uma renúncia. Usa os argumentos de Simone Weil: "a criação é da parte de Deus um ato não de expansão de si, mas de retirada, de renúncia. Deus e todas as criaturas é menos do que Deus sozinho. Deus aceitou essa diminuição. Esvaziou de si uma parte do ser. Esvaziou-se já nesse ato de sua divindade. É por isso que João diz que o Cordeiro foi degolado já na constituição do mundo. Deus permitiu que existissem coisas diferentes Dele e valendo infinitamente menos que Ele. Pelo ato criador negou a si mesmo, como Cristo nos prescreveu nos negarmos a nós mesmos. Deus negou-se em nosso favor para nos dar a possibilidade de nos negar por Ele. As religiões que conceberam essa renúncia, essa distância voluntária, esse apagamento voluntário de Deus, sua ausência aparente e sua presença secreta aqui embaixo, essas religiões são a verdadeira religião, a tradução em diferentes línguas da grande Revelação. As religiões que representam a divindade como comandando em toda parte onde tenha o poder de fazê-lo são falsas. Mesmo que monoteístas, são idólatras". Você já imagina onde quero chegar. Isso mesmo, entre a onipotência e a bondade de Deus existe a liberdade do homem, e o compromisso de Deus em respeitar esta liberdade. Isso ajuda a entender porque existe tanto sofrimento no mundo. O mal não procede de Deus e não é promovido ou determinado por Deus. O mal é conseqüência inevitável da liberdade humana, que teima em dar as costas para Deus e tentar fazer o mundo acontecer à sua própria maneira. Diante do mal e do sofrimento, o Deus com os homens, encarnado em Amor, também sofre, se compadece, tem suas entranhas movidas de compaixão.Mas você poderia perguntar, porque razão Deus não acaba com o mal. Isso é simples: Deus não acaba com o mal porque o mal não existe. Marilena Chauí diz que "o mal é o pecado, isto é, a transgressão da lei divina que o primeiro homem e a primeira mulher praticaram. Sua punição foi o surgimento de outros males: morte, doença, dor, fome, sede, frio, tristeza, ódio, ambição, luxúria, gula, preguiça, avareza. Pelo mal, a criatura afasta-se de Deus, perde a presença divina e a bondade original que possuía. O mal, portanto, não é uma força positiva da mesma realidade que o bem, mas é pura ausência de bem, pura privação do bem, negatividade, fraqueza. Assim a treva não é algo positivo, mas simples ausência da luz, assim também o mal é pura ausência do bem. Há um só Deus, e o mal é estar longe e privado dele, pois ele é o bem e o único bem". Em outras palavras, o mal não existe, o que existe é o malvado, aquele que faz surgir o mal porque se afasta de Deus, o supremo e único bem. Ariovaldo Ramos resumiu isso ao afirmar que "para acabar com o mal, Deus teria que acabar com o malvado". Mas, sendo amor, entre acabar com o malvado e redimir o malvado, Deus escolheu sofrer enquanto redime, para não negar a si mesmo destruindo o objeto do seu amor. Por esta razão Deus "se diminui", esvazia-se de sua onipotência, e se relaciona com a humanidade com base no amor, fazendo nascer o sol sobre justos e injustos, e mostrando sua bondade, dando chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo sustento com fartura e um coração cheio de alegria a todos os homens”.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Parabéns mamãe

11 de abril. Aniversário de minha mãe. 54 anos de vida, de luta, de uma história. Cheio de percalços é bem verdade, mas quem não tem luta não pode ser chamada de vencedora.
Queria poder reproduzir a história dessa vencedora, mas levaria muito tempo, teria que voltar 50 anos e lembrar da roça, da infância sobre rédeas, da família Alves Nascimento chegando ao Rio de Janeiro...a estrada é longa.
Prefiro me reportar somente até 1979, quando nasce um meninão – orgulho da mamãe.
Ali começa a minha história; tua história; nossa história.
Costumo dizer que ela é a melhor mãe do mundo, mas todos dizem isso a respeito das suas. Portanto, já ouvi muito amigo meu dizer que a minha mãe era melhor do que a deles. É mole.
Quem conhece a vida dessa mulher sabe o quanto ela foi mãe pra muita gente. Acho que já tive muitos irmãos ao longo da vida; pessoas que ela estendia a mão amiga e de lambuja ainda dava um teto para abrigá-los.
A vida é assim, cheia de improvisos e paradoxos. Portanto, Deus honra aqueles de bom coração.
A vida lhe reservou um casamento não muito feliz, e separação sempre é muito difícil; como diz o ditado: "há males que vem para o bem". Ou como diz a Bíblia: Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus...
Me deu tudo que uma criança e um adolescente poderia ter. Fui mimado é verdade, mas não troco esse mimo por nada neste mundo. Me ensinou a viver; me discipulou para vida; pena que quase estraguei tudo na minha juventude rebelde. Lembro-me das madrugadas a fio, me aguardando chegar das baladas. Como fui um tolo. Mas quando a Graça chega, superabunda toda e qualquer transgressão.
Dou graças à Deus pela vida de minha mãe, que sempre foi um pai e uma mãe; suportou os dias maus para poder me proporcionar o melhor, e me formar um homem de caráter.
Existe um jargão que diz: “Não existem palavras para expressar o que sinto por você”. Mas pensando na atitude de Deus em se revelar ao homem através da palavra escrita (Bíblia), quero tentar refletir meus pensamentos em palavras, para que na ausência das minhas palavras, eu possa expressá-las através de atitudes. Sei que estou muito longe de ser um filho exemplar, mas a Graça de Deus foi tão abundante sobre minha vida, que me deu uma mãe que simplesmente é a melhor do mundo.
Hoje é seu dia. E Deus ainda vai lhe reservar dias melhores.
Desejo-lhe dias de paz e com muito amor de Cristo. E que essa nova união venha trazer dias de intensa felicidade.
Beijos do seu filho predileto que tanto te ama.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Senhor, ensina-nos a orar

Por Ricardo Gondim

Orar poderia ser definido como uma arte? A arte de convencer? Seria, então, a mais nobre de todas as artes, pois persuade a Deus. Será que uma reza tem força para alterar o curso previamente definido pela Providência? Mas, como o desfiar de um rosário pode mudar o curso da história?
Morro de medo de começar a fazer esse tipo de pergunta; parece um fio solto que a gente vai puxando, puxando, até que não sobra mais nada da blusa. Na verdade, sabemos quase nada sobre as ladainhas, sobre as intercessões, sobre os rogos, sobre as súplicas, sobre as petições, sobre as correntes e as campanhas de oração.
Além de pastor e conferencista, sinto-me responsável, como pai e avô, de ensinar valores espirituais (transcendentais) à minha prole. Os tempos são difíceis, nunca se trivializou tanto o assunto da oração nessas "igrejas-empresas" que propagandeiam suas “orações fortes”; nunca tantos charlatões apregoaram a capacidade de saberem como “mover o braço de Deus". Mesmo assim, teimo em crer. Até contra as racionalizações positivistas, os ceticismos humanistas e as dúvidas cruéis, uma voz insiste em gritar dentro de meu peito: - Creia, é possível falar com Deus!
Confesso que sou um noviço nos protocolos de frequentar o Santo dos Santos. Minhas certezas são frágeis e carregadas de imprecisão. Identifico-me com os primeiros seguidores de Jesus de Nazaré e repito: “Senhor, ensina-me a orar”.
Não ofereço respostas, não indico caminhos rumo ao trono de Deus. Continuo como um daqueles discípulos, mais perdido do que centrado. Nas vezes em que precisei falar com o Todo-Poderoso, fui um fiasco. Consigo despejar palavras, gritar ou cantar louvores, manter minhas preces dentro da ortodoxia protestante, mas continuo inapto, sem grandes tratados de como se dirigir a Deus.
Contudo, às apalpadelas, faço minhas invocações ao Senhor, e nutro algumas intuições como balizas que me orientam nos exercícios espirituais.
Procuro fazer da graça o chão da minha devocional. Muito de minha adoração consiste em procurar escapar da armadilha de repetir esta palavra (graça) como um simples conceito teológico. A graça precisa manter-se como minha premissa relacional: Deus é sempre simpático a mim. Em todo culto, procuro trazer à lembrança que antes de qualquer manifestação piedosa, de arrependimentos com oblações, de flagelações e de rasgar de vestes, Deus me quer bem. Sua graça me poupa de implorar-lhe que troque de semblante; Deus não é antipático. Minha incapacidade de cumprir a lei não provoca sua ira. Não existe nada em minha conduta anterior que predisponha Deus contra mim. A graça me ajuda a dialogar com o Eterno sem depender da minha pureza.
Procuro manter em mente que Jesus de Nazaré revelou Deus como um Pai bom e misericordioso. Não oro como se Ele fosse uma energia ou um princípio metafísico. Porque procuro perceber que Deus me trata como um pai, não preciso arengar, bater o pé, para ganhar o seu favor. As circunstâncias da vida, com suas contingências, incidentes, sofrimentos, desditas, fadigas, fascínios, benevolências e alegrias, não possuem uma conexão direta com o desprezo ou amor de Deus. Ele não prometeu redomas; não sugeriu que vivêssemos sem percalços.
Há muito parei de pedir livramentos divinos. Pedir que Deus não deixe que o pneu do meu carro fure ou que meu neto não fira a boca ou que eu jamais tenha enxaqueca, não faz parte, por assim dizer, do jeito como Deus decidiu (soberanamente) lidar com suas filhas e filhos. Ele não criou um mundo onde as pessoas estejam isentas de percalços e não atrelou bênçãos à impecabilidade (faz o sol e a chuva virem sobre todos, bons e maus). O casuísmo da Escritura não pode criar a expectativa de que é possível viver sem tribulação.
Procuro lembrar a mim mesmo que pedir favores especiais de Deus representaria uma indignidade existencial. Por que eu deveria acreditar que, servindo-O, terei maiores benefícios neste mundo? Deus não odeia as balanças enganosas? Por que então abraçar a ilusão de que Deus “faz passar no vestibular”, “deixa os jogadores de futebol crentes marcarem mais gols”, “resolve causas na justiça” ou “traz a pessoa amada"?
Não seria muito mais nobre se os crentes abrissem mão das possíveis regalias de um relacionamento com Deus? Não seria este, precisamente, o mandato cristão: irmanar-se ao drama de milhões que sofrem e morrem sem salvamentos espetaculares? Cristianismo não aponta para o exemplo Jesus de Nazaré, que morreu numa cruz?
Minhas preces, muitas vezes, são sem palavras. Em absoluto silêncio, contemplo o misterium tremendum que fica para muito além dos contornos da razão. Procuro absorver os vazios infinitos; intuir as verdades inaprendíveis; familiarizar-me com as escuridões cósmicas; envolver-me de nostalgias doloridas; conviver com os paradoxos incontornáveis. Minhas preces se parecem com meditações quando regurgito textos sagrados, imagens e símbolos do fascínio eterno.
Meus solilóquios também servem de incenso. Converso com minha alma como uma disciplina espiritual. Falo sozinho. Já me flagrei perguntando: – Por que estás abatida, ó minha alma?
Não, não sou nenhum prior no sacramento da oração. Posso ensinar pouca coisa. Percebo, porém, que Deus não escuta quando se fala muito. Entendo também que todo aquele que conhece o amor do Pai pára de suplicar por bens materiais, como comida ou vestido. Compreendo que existe uma dimensão secreta da oração, um lugar onde só entra uma pessoa por vez e que jamais poderia ser revelado publicamente. Quando eu me tranco nele, converso com Deus sobre realidades que guardo debaixo de sete chaves.
Quem desejar o divino ofício de orar deve fazer a sua própria peregrinação. Eu só posso dizer que a trilha será íngreme, às vezes confusa, solitária, mas sempre recompensadora.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

A Janela Lateral


“A distância que vai entre a janela e os meus olhos determina o que vejo lá fora na rua. Se fico mais perto, a visão se alarga; se fico de longe, a visão se estreita. Se vou à esquerda, enxergo a praça; se vou à direita, enxergo a torre. Sou eu que determino o que aparece lá fora na rua para servir de panorama aos meus olhos.Mas nem por isso é falso ou errado aquilo que vejo e descrevo, pois não sou eu que crio as coisas que aparecem lá fora. Já existiam antes de mim. Não dependem de mim. É útil e até necessário que cada um defina bem clara e honestamente aquilo que vê pela sua janela. Isso redundará em benefício da análise que se faz da realidade da vida. O que me consola é que todos somos assim. Bem limitados e condicionados pelos próprios olhos, dependentes uns dos outros. É trocando as experiências, numa conversa franca e humilde, que nos ajudamos a enxergar melhor as coisas que vemos, e a romper as barreiras que nos separam sem razão. Pois ninguém é dono da verdade. Intérprete só”. Assim falou Carlos Mesters. Desde então a teologia ficou sub judice. Compreendi que a teologia não é um discurso a respeito de Deus, mas apenas trocas de impressões a respeito das múltiplas interpretações que os homens fazem de Deus. Foi então que compreendi porque o Cristianismo não depende da ortodoxia, mas da revelação. A ortodoxia é uma teologia elevada à categoria de verdade absoluta. A revelação é o encontro com uma pessoa. Uma pessoa que não cabe nem na teologia nem na ortodoxia.


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